Quando você diz que é um participante da Campus Party, muitas pessoas olham para você com cara de estranhamento? Ou quando você veste aquela camiseta do Lanterna Verde e coloca seu óculos, todos acham que você é um nerd? Pois bem.. Isso é o que acontece com a maioria dos campuseiros da #CPBR5. Todos se perguntam do porquê de tudo isso. Simples: Estereótipo.
Para saber mais do que os participantes da #CPBR5 acham do assunto, rodei pelo evento a procura de opiniões para saber, dos próprios campuseiros, o que eles acham do jeito nerd, do preconceito e da CP em si.
Para o campuseiro Leonardo Zardo, 21 anos, ainda existe muito estereótipo para com quem gosta de tecnologia ou cultura geek. Em sua primeira Campus Party, Leonardo diz que o que a maioria das pessoas tem na cabeça é uma coisa e geek é outra. Uma imagem totalmente diferente do que realmente é. Para ele, ser nerd é ser sedento por conhecimento, tecnologia e não gordinho ou míope. “Tem muita gente que acha que só porque alguém é nerd tem que saber de tudo. Não sei consertar um computador só porque eu gosto de cultura pop.”.

Leonardo tem um pé atrás com esteriótipos.
Já Douglas Moreira da Silva, 33 anos, não se considera nerd. Por mexer com a área de hardware, ele diz que não se encaixa no estereótipo geek, mas sim com o do “rocker”, pois gosta muito de ouvir punk rock. Para ele ainda existe aquele preconceito para com o nerd, porém, eventos como a Campus Party e outros é uma forma de expandir esse universo para todos e contribui para acabar com o preconceito. “Ela é uma forma da pessoa se revelar, como quando uma pessoa usa uma camiseta de banda para mostrar que gosta daquilo.”.

Douglas também trabalha ao lado da organização da Campus Party Brasil 2012.
Thaís Kurunzi, 25 anos, aborda outro preconceito, o para com as mulheres, ainda muito presente na área de tecnologia, na qual ela trabalha. Ela também acha que não se encaixa no jeito nerd de ser e até confessa que pede ajuda para alguns amigos, quando vai às compras. Sobre o preconceito contra o sexo feminino, Thaís comenta que, apesar desse julgamento, o número de mulheres tem crescido muito e a cada edição da #CPBR5, mais e mais trejeitos femininos são vistos pelo evento.

Thaís Kurunzi acredita no crescimento do número de mulheres no ambiente da tecnologia.
O veterano de Campus Party, Rafael da Silva Valério, 22 anos, diz que o pensamento que se tem de um nerd é folclore e que muitas pessoas, nos últimos anos, tem se baseado nisso para gerar o famoso preconceito. Para ele, o conceito de gamer é o que mais lhe agrada e não o mais clássico, à lá Sheldon Cooper. Um outro ponto interessante que o campuseiro comenta é o preconceito dos próprios campuseiros para com eles mesmos. “ Se eu digo que andava de skate, quando era criança, para os meus amigos, eles não acreditam. É como se no momento em que você assume o papel de nerd, automaticamente, qualquer outro tipo de atividade é excluída, como andar de skate ou jogar bola.”.
Ele, sim, se considera nerd. Guilherme Carvalho, 22 anos, diz que se encaixa no estereótipo, pois gosta de games, é programador e gosta de cultura pop. Para ele, o nerd de hoje é modismo. “Ser nerd, CDF, está virando um status legal.” É como se todo mundo quisesse ser como o Sheldon ou o Leonard do BBT. A indústria do entretenimento abriu os olhos para esse universo e agora o quer transformar em produto e, como vemos por toda a campus, tem público de venda.

Os jovens Guilherme Carvalho (E), Rafael Valério (C) e Paulo Sampieri (D) enxergam uma mudança de paradigma: ser nerd é o novo cool.
O advogado e campuseiro Paulo Renato Sampieri concorda que ainda existe preconceito, porém, vem diminuindo bastante nos últimos tempos. “Hoje na Campus, você de tudo, desde nerd, passando por blogueiros, até celebridades. E o que ajudou para essa diminuição foi a própria internet, pois conectou todos esses campos ao mesmo tempo, sem distinção de nada. Outro fator favorável foi a divulgação de eventos como a #CPBR5 pela imprensa. “Os jornais estão divulgando e difundindo a cultura nerd. Ai, quando uma pessoa mais velha assiste ao jornal, entende melhor o que é tudo isso.”.
Não é a toa que, de ano em ano, a quantidade de participantes da CP aumenta. Cada vez mais pessoas se interessam pela tecnologia, pelos aplicativos, pelos games, pelas mídias digitais, independente de que área ou assunto sejam.
Tainá Goulart
Voluntária
