Ele nasceu com uma deficiência que lhe impedia de ver as cores. Conhecida como acromatopsia, a tal deficiência fez de Neil Harbisson o primeiro cyborg reconhecido no mundo. E, também por isso, um dos grandes destaques da Campus Party Brasil 2012. Não entendeu nada? Calma que a gente explica.
Desde que nasceu, em 1982, Harbisson enxergava o mundo em preto e branco. Ele cresceu em Mataró, na Espanha, onde estudou música, dança e teatro. Aliás, aos 11 anos já compunha músicas no piano - apesar de ser conhecido na escola como uma criança “lenta”, justamente por sua falta de percepção cromática. Aos 16 ele entrou foi estudar arte no instituto Alexandre Satorras, onde recebeu permissão especial para usar apenas preto, branco e cinza em seus trabalhos.
Em 2001 foi para a Irlanda estudar piano e, no ano seguinte, mudou-se para a Inglaterra para estudar composição. Foi lá que, em seu segundo ano na Dartington College of Arts, Harbisson começou a se interessar por cibernética. Foi então que, inspirado por Adam Montandon, começou a trabalhar no projeto “Eyeborg”, em 2003.
Na execução do “Eyeborg”, Harbisson memorizava frequências e relacionava cada um com uma cor diferente. Através de um chip inserido em seu cérebro, e uma câmera frontal, ele passou a ouvir as cores. Isso mesmo!
O título de cyborg veio de uma maneira, no mínimo, inusitada. Em 2004, ao renovar seu passaporte, foi informado que não poderia tirar a foto com o tal equipamento eletrônico na cabeça. Então, ele alegou que o Eyerborg fazia parte de seu corpo, com depoimentos de amigos, de seu médico e da Universidade. Seu passaporte acabou sendo aceito. E, por consequência, a condição de cyborg. Segundo Harbisson, é a união do chip com seu cérebro que fazem dele um cyborg, e não o que é mais visível, ou seja, a ligação do Eyeborg com sua cabeça.
Mas o cyborg não é reconhecido apenas por sua condição. Apesar de jovem, Harbisson também possui uma sólida carreira criativa. Nas artes plásticas seu foco é na relação entre cor e som, além do envolvimento entre os humanos e as cores. Em seus chamados “Sound Portraits” ele retrata pessoas a partir do som de seus rostos. Seus modelos incluem Príncipe Charles, Leonrdo di Caprio, Al Gore e Woody Allen.
Seu trabalho na música não é menos importante. O piano é o grande companheiro desde que o cyborg se conhece por gente. “É um instrumento preto e branco, perfeito para mim”, brinca.
Com tanta história bacana para contar, você vai ser maluco de perder Neil Harbisson na Campus?




