Também chamada de “arte do tilt”, a glitch art acontece, basicamente, quando o seu computador dá pau. Sim, isso mesmo! Afinal, nossos gadgets não são perfeitos, e esta expressão artística traduz isto muito bem.
Acontece basicamente assim: a imagem é corrompida pelo computador de forma intencional ou não. Mas nem pense em utilizar Photoshop ou afins: a glitch art é fruto de erros de programação, exclusivamente. O efeito desejado pode ser obtido através de bugs no programa utilizado, ou até pela qualidade da foto quando a câmera está com pouca carga na bateria.
A técnica nada mais é do que uma celebração destas falhas tecnológicas. Truque ou vanguarda, esse tipo de obra vem se disseminando rapidamente pela internet, principalmente com a popularização de portais como o Flickr. Trata-se de uma ode à estética acidental na era digital, valorizando as imperfeições da máquina.
Vale dizer que o primeiro registro do termo “glitch” na língua inglesa é atribuído ao americano John Herschel Glenn, que usou a palavra para descrever problemas técnicos enfrentados por ele, durante um programa espacial, quando afirmou que “um glitch é uma mudança de voltagem em uma corrente elétrica”. Agora, o termo descreve qualquer falha ou acidente. O acaso e a espontaneidade do astronauta não fogem muito da estética da glitch art, com suas formas geométricas e, por vezes, abstrata.
Um bom exemplo destes acidentes digitais com pegada artsy é o trabalho da holandesa Rosa Menkman, que é mestre em Mídias Digitais e lança mão de várias falhas de sistemas eletrônicos, evidenciando problemas comuns no universo digital.
O trabalho do brasileiro José Irion, também reflete bem esse universo. Designer gráfico com formação acadêmica em Publicidade e Propaganda, suas imagens mostram inquietude estética em resultados inusitados.
Mas esse tipo de distorção não se restringe apenas às imagens estáticas. Vale conferir o vídeo produzido por Max Barbaria que mostra a glitch art em movimento:
Apesar da técnica nem sempre ser entendida como arte, a desconstrução de figuras e a mudança de percepção do que consideramos belo esteticamente. Afinal, ao contrário dos códigos fontes, a arte não precisa ser certinha, não é mesmo?
E se você se interessou sobre essa nova forma de manipulação de imagens, a grande dica é a oficina “Glitch Art”, com o próprio José Irion, que se dedica desde 2007 ao estudo de técnicas de Glitch e Databend aplicadas à arte visual.
E lembre-se: errar é humano, mas também pode ser artsy.



