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A revistaveja acaba de cometer um crime de fajuta espionagem e araponguismo amador. A chamada "grande imprensa", em previsível conluio, se silencia. Em entrevista a Conceição Lemes, o gerente do Hotel Naoum em Brasília, senhor Rogério Tonatto, afirma que um repórter da revistaveja tentou invadir o apartamento em que se hospedava José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil no governo Lula.
Tonatto também descarta que as imagens exibidas por veja tenham sido captadas pelo circuito de segurança do hotel. Tudo indica que o araponga do famigerado semanário instalou uma câmera no corredor do hotel. Usando nome falso, o espião de veja cometeu os crimes de falsidade ideológica e tentativa de invasão de domicílio, além de invasão de privacidade, uma vez que filmava todos os hóspedes e funcionários daquele andar em que a câmera foi sorrateiramente instalada.
O diabo é que tão desastrada ginástica gerou uma matéria de capa em que tudo o que nela contém é fumaça. Tudo inconsistente, tudo insinuações, tudo baseado em abjeta felonia. Aí a revistaveja atenta contra o jornalismo.
Há muito a revistaveja aprendeu a distorcer os fatos e contorcê-los em factoides. Contra a realidade, o simulacro. Esta matéria de capa extraída de forma criminosa, mostra José Dirceu, dirigente nacional do Partido dos Trabalhadores, recebendo correligionários, o que não é nenhum crime e nem se configura em uma anormalidade. Mas veja, da escola de Kamel, "testa hipóteses". Dirceu estaria conspirando contra Dilma.
E quem participa da pérfida conspiração? O Ministro do Desenvolvimento, José Pimentel, amigo pessoal de Dilma, e José Sergio Gabrielli, Presidente da Petrobrás, homem de elevado prestígio no governo. E todos os membros do PT que frequentam aquele hotel, muito frequentado por petistas. Ou seja, paranoia, conversa furada, factoide, ilações, panfleto raso. É como aquela história do chamado Mensalão em que o governo estaria pagando gente do próprio governo para votar com o governo.
Veja, que se comportou de forma clandestina e leviana, acusa na reporCagem que Dirceu é quem mantém um escritório clandestino em Brasília. Distorção! O caso Murdoch ainda está fresco na mente de todos nós. O mesmo tipo de arbitrariedade é cometido, não de hoje, pelo semanário da família Civita.
Sabe-se que a Polícia Federal já está nesse caso. Agora falta saber se o Governo Federal vai continuar inundando de publicidade um veículo criminoso, a conivir? A Secom vai manchar a imagem de um governo que pune criminosos pagando para essa revista continuar praticando crimes? O governo paga para um veículo fazer contra-propaganda?
Está na hora da faxina!
Lelê Teles
Um amigo, secretário de estado, ligou-me convidando-me e estendendo o convite à minha esposa para irmos, os dois casais, a uma estância pouco afastada da capital para um jantar onde serviriam comidas peruanas.
Zoinho. Foto de Evandro Monteiro
a força do inimigo número um da burguesia
PERDEU, PLAYBOY. 140 caracteres de puro ódio e ignorância.
Bandidos tocavam fogo em veículos no morro e no asfalto no Rio de Janeiro. Uma pirotecnia de quem quer chamar atenção. Propaganda. Bandidos desesperados com a perda de territórios para as Unidades Pacificadoras (UPPs) tentam chantagear o estado com o terror.
Poderia ter funcionado. Todos nós sabemos que em São Paulo isso funcionou. Lá, motivados pela remoção de líderes do PCC para a Penitenciária de Segurança Máxima Vicente Venceslau, o comando organizou oito dias de terror e pânico, em 2006, usando a mesma tática: carros, caminhões e ônibus incendiados, postos policiais alvejados por metralhadoras e policias assassinados.
A Secretaria de (in)Segurança de São Paulo iniciou uma ofensiva, que culminou com quase 500 pessoas assassinadas, muitas sem passagem pela polícia, muitas com indício de execução. Mas os ataques do PCC se seguiam. O governo paulista, então, capitulou. E negociou com o crime o fim da revolta dos bandidos, como mostra de forma inequívoca o filme Salve Geral.
Neste final de semana, ainda motivados pelo filme do Padilha e acreditando na capa da revistaveja que diz que o Capitão Nascimento é um herói nacional, followers homicidas passaram a destilar o seu ódio na minha timeline: “bala neles, tem que mandar bala e matar todos esses facínoras, por que o BOPE não atirou em todos enquanto estavam fugindo, tem que meter o pé na porta de morador que esconde bandido e mandar bala...”.
É uma barbaridade. Lembremos todos que no filme do Padilha, Capitão Nascimento e Matias colocam no saco e atiram sem piedade nos caras da favela. No entanto, se contentam em dar umas bolachas e cascudos nos garotos brancos do asfalto. Bala nem pensar. Os followers gostaram dessa seletividade. Eles gostam.
Sentados, tomando suco de laranja e vendo o noticiário na TV de plasma, brindando ao ver os blindados, os followers não se dignaram em se colocar na sala de uma casa na favela com 2.600 homens e mulheres das forças armadas nacional, o BOPE, e as polícias civil e militar e 600 bandidos armados até os dentes do lado de fora. “Manda bala, é tudo traficante. É guerra”.
Guerra não era, que guerra só é possível entre duas ou mais nações com forças armadas dos dois lados. Aqui o nosso inimigo era uns caras magrelos, sem camisa, sem dentes, sem escola, sem emprego, sem perspectiva, sem uma sólida estrutura familiar e que foram atraídos por traficantes para serem soldados viciados. Andarem com armamento pesado e serem impiedosos, idolatrados e temidos. Como mostra Falcão, os Meninos do Tráfico.
O diabo é que os meus fallowers são o tipo de gente que se indignou com a Chacina dos Meninos da Candelária, os mesmos agora pedem a execução sumária dos bandidos; ou seja, deixa crescer que depois a gente mata. O Capitão Nascimento dizia, no filme do Padilha, que se sentia enxugando gelo toda vez que fazia uma operação assassina na favela. O BOPE era só uma máquina selvagem, estúpida e demofóbica. Haveria que civilizar-se. Finalmente a inteligência venceu o ódio.
A política inteligente de Cabral e Beltrame, republicana, democrática e respeitosa ao estado de direito está ocupando os morros, devolvendo dignidade para os moradores, negociando a rendição dos bandidos, apreendendo armas, drogas e produtos de furtos. E, sobretudo, está agindo no asfalto, prendendo advogado pilantra e familiares de traficantes coniventes. Bloqueando contas bancárias, bloqueando bens e rastreando a contabilidade do crime.
E os meus malvados e sanguinários followers ganharam de presente uma bandeira do Brasil hasteada sobre uma grande obra do PAC, que os mesmos jornais que eles estavam assistindo nunca haviam mostrado; os noticiários mostraram também prédios de apartamentos na favela, novinhos e com gente dentro; mostraram a escola nova e com fachada linda com o nome do jornalista Tim Lopes. Viram, mesmo que de soslaio, que o Governo do Rio está interessado em dar cidadania para os favelados.
Para os que torciam por um derramamento de sangue, com milhares de pessoas pobres, pardas e pretas mortas pelas ruas ficou a decepção.
Perdeu, playboy!
Lelê Teles
Ô candidato bunito!
Tudo bem que vão aferir, por meio de um testezinho simples, se o candidato Tiririca é alfabetizado ou não. E se ficar comprovado que Tiririca não é alfabetizado?
Se ficar confirmado o que a burguesia e os falsos vestais tanto esperam, Tiririca não poderá ser diplomado, ou perderá o mandato assim que assumir. Como o humorista amealhaou mais de 1 milhão de votos, a Justiça Eleitoral não estaria somente anulando a candidatura de Tiririca, anularia um milhão e trezentos mil votos!
Como a Justiça Eleitoral pode fazer uma sacanagem dessas? Por que a Justiça Eleitoral não disse antes que Tiririca era inelegível? Para o nosso sistema eleitoral a candidatura dele é legítima, ou era até pouco tempo. Ele fez propaganda na TV, o nome dele e a foto apareceram na urna eletrônica, o cabra é ficha-limpa; que palhaçada é essa?
Para o eleitor, o critério, o único, era votar em quem está autorizado pela Justiça Eleitoral para fazer campanha, senão eu teria votado no meu papagaio que só fala o que eu quero; ou no pássaro da gaiola do meu tio, que sabe que está preso e sabe que pode voar, mas não voa, porque sabe que o seu vôo permitiria que a fantasia de meu tio voasse.
Restou-me votar no Tiririca, porque a Justiça Eleitoral disse que ele tava apto a ser votado. No entanto, depois de eleito a mesma Justiça Eleitoral quer cassar o meu voto, porque Tiririca não poderia ser votado. Que palhaçada é essa?
Quando defendi firmemente a candidatura de Tiririca e disse que isso faz parte da democracia, os meus interlocutores disseram que não era bem o Tiririca que os preocupava, o que os preocupava é que Tiririca levaria mais uns cinco com ele, e esses cinco são barra-pesada, disseram. Mentira, mesmo se fosse verdade. Ora, eu respondo, e o que tem o Tiririca a ver com isso?
É fácil jogar tudo nas costas do palhaço. Por que essas pessoas não questionam o nosso sistema eleitoral? Que palhaçada é essa que eu voto em um candidato e cinco outros que eu nem conheço levam de lambuja o meu voto e se elegem? É o voto laranja?
Não foi só o Tiririca que levou com ele, com os votos que obteve, outros menos votados. Por que só enxergam essa excrescência ao mirarem o Tiririca?
Não seria essa a luta de milhões de analfabetos políticos querendo destruir a candidatura de um político analfabeto?
Lelê Teles
Lelê Teles
nos Estados Unidos e na Itália. Por que não no Brasil? É a democracia, idiota!
Vejo com profunda consternação a propagação do preconceito contra a candidatura do humorista Tiririca pelos veículos de maledicências. Chamam-no Palhaço Tiririca. Dizem palhaço porque a palavra remete ao imaginário do circo popular, da coisa periférica, tornada pejorativa e jocosa. Didi, que faz graça na Globo, é o humorista Renato Aragão. Jô Soares é igualmente humorista. Mas Tiririca é o palhaço.
E que mal fará à democracia a eleição de Tiririca? Sua candidatura é legítima. Nos Estados Unidos, Reagan, um ator de faroeste, foi eleito presidente em 1984. A porn star húngara Cicciolina foi eleita para o parlamento italiano em 1987. No mundo democrático isso não é novidade e nem é palhaçada.
Plínio, que adora ser engraçado, não tem suas tiradas tidas como palhaçadas, uma vez que chega de gravata aos debates televisivos. E seus eleitores são qualificados, são os do voto de protesto. Protesto contra quem, contra o quê? Com um partido exíguo, sem quadros, contra tudo e contra todos, sem uma plataforma de governo clara, sem uma política exterior definida, sem uma proposta econômica coerente, o que quer o Plínio, fazer graça? E palhaço é só o Tiririca?
Heloísa Helena, que outrora cometeu suicídio político, ao fundar o Pissol, foi elevada ao píncaro pelos veículos de maledicências porque era anti-Lula. Mas a sua candidatura era apenas uma piada. Como é a de Plínio. Helô arrancava gargalhadas com o seu vão palavrório, com as suas frases construídas para animar plateias. E sua candidatura de protesto(?) serviu para eleger Collor em Alagoas, uma vez que Helô preferiu rodar o Brasil a bravatear contra Lula do que lutar para que seu estado não voltasse para os braços de Collor de Melo.
Quem é palhaço, os eleitores de Tiririca? O Congresso não é um grande circo? A figura da fachada do Congresso não é mesmo a de um Grande Agá? Não é lá que dão plantão os jornalistas pipoqueiros, os colunistas que fazem acrobacias para desinformar a população sobre o que de fato se passa naquela casa?
Quando a turma do Gabeira elegeu Severino Cavalcanti como presidente da Câmara para dar o golpe no Lula, não foram esses pipoqueiros e malabaristas que bateram palmas? E não foram estes mesmos funâmbulos que se regozijaram quando o mesmo Gabeira, dedo em riste, abriu mão de sua fleuma para tornar-se um macho viril e ameaçar surrar o pequeno Severino, o Jabuti sobre a árvore?
Por que quando se apresentam candidatos dissimulados que irão representar o agronegócio, as empreiteiras, o lobby das armas – esses engravatados e engomadinhos – ninguém pergunta o que será do Congresso e da democracia? Por que essa pergunta só se faz quando o candidato é popular e sua candidatura é explícita?
Claudinei Alves dos Santos, o Ney Santos, um bandido que saiu a 4 anos da prisão e construiu um patrimônio avaliado em 100 milhões de reais, acusado de ter ligação com o PCC (que o PSDB diz ter desmantelado), investigado por adulteração de combustível, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito, pode ser eleito deputado federal em São Paulo. Esse escroque vai representar o PCC na Câmara Federal, no entanto o Tiririca é quem incomoda.
Tiririca, embora a mídia esteja contra a sua candidatura, poderá ter um milhão de votos! Por que a mídia não questiona a si mesma como formadora de opinião? Acho que a mídia deveria tratá-lo com mais respeito, deveria procurar entender o que realmente significa a sua maciça votação, o que querem dizer os seus eleitores, avaliar o real significado de sua campanha, que é engraçada, inteligente e deliciosamente popular.
Lelê Teles

Nada está tão ruim que não possa piorar, reza o ditado. Os deformadores de opinião, no afã de salvarem Serra da irrevogável e fragorosa derrota, vão jogando na lata de lixo a pouca credibilidade de que dispõem. Pouca para não dizer exígua.
Dever ser desesperador para o aparato midiático apátrida e entreguista passar oito anos esculhambando Lula da Silva, usando para desconstruir sua imagem uma rede de emissoras de rádio e TV, jornais, sites, dando carta branca a seus mais inteligentes articulistas, se valendo ainda de ex-embaixadores, atrizes, especialistas em todas as especialidades, blogueiros, trolls, ex-presidentes, crises artificiais, caos orgânicos, factoides, pilhas de dinheiro, dossiês, estatísticas, leitões, índios, absolutamente tudo de que dispõem e no final verem o presidente chegar ao mais alto índice de aprovação da história. Não é um retrato da reprovação da mensagem deletéria?
A última trincheira seria a justiça, como afirmaram os mais desesperados. Pois agora veja você, o caldo parece ter desandado. A justiça disse que o PSDB mentiu e garantiu direito de resposta ao PT no sítio tucano, a mesma justiça disse que Veja mentiu e garantiu direito de resposta ao PT nas páginas do veículo de maledicências. E agora José?
José Serra ainda contava com William Bonner e Fátima Bernardes. E o casal foi perfeito para fazer Dilma crescer e acertar o seu discurso, impor a sua marca que será, sem dúvida, martelada daqui pra frente: “eu tenho experiência administrativa, eu conheço o Brasil de ponta a ponta, eu tenho imenso orgulho da minha relação política com o presidente Lula”.
Era só o que faltava. Em pleno Jornal Nacional a candidata de Lula deixou claro para todos os brasileiros que ela é a candidata de Lula. Porque 25% dos eleitores ainda não sabiam quem era o candidato de Lula, um terço dos eleitores de Serra padecia da mesma dúvida, o casal Bonner prestou este imenso serviço à nação.
Os telespectadores do Jornal Nacional não deixaram de notar algo estranho. Eles nunca haviam visto o casal Bonner se desentender no ar, nunca viram o casal tão irascível e perceberam que as perguntas feitas para criar desconforto na candidata de Lula gerava mais desconforto neles próprios após cada resposta.
Graças ao Jornal Nacional, os brasileiros souberam quem é a candidata de Lula, o que ela pensa sobre o Brasil e que ela é uma mulher sorridente e ao mesmo tempo firme. Que esta mulher já ocupou importantes cargos administrativos, até se tornar ministra e em seguida chefe da Casa Civil. Ficou claro o quanto Lula confia nela. E que ela não foge de perguntas e não tem medo de entrevistadores. E agora José?
Lelê Teles, Aracajour
eu em momento brainstorming
Os maias foram aquela civilização maravilhosa que floresceu na América Central. Embora vivessem em magníficas edificações, trabalhassem o ouro de forma artística e tivessem um extraordinário conhecimento matemático, inclusive com o número zero, são tratados pela historiografia canônica e eurocêntrica como indígenas. Claro que o epíteto indígena aqui tem uma conotação pejorativa.
Após o declínio da civilização maia, floresceu, nos andes, a civilização inca, moderna em quase tudo. Abrigava cerca de dez milhões de indivíduos. Trabalhavam o ouro, a prata e o cobre, exímios construtores, erigiram edificações que desafiam a compreensão de engenheiros até hoje, mesmo usando as mais modernas tecnologias; a capital do império inca, Cuzco, era superior a tudo o que existia na Europa.
No entanto, Pizarro, o bizarro personagem ibérico que veio conquistar aquela região, era um imundo soldado raso e analfabeto, e trouxe uma malta de doentes com ele. Ao contrário do que se imagina, não foi Saddam Hussein o primeiro a usar arma biológica em uma batalha, foi Pizarro.
Ao chegar ao continente novo com a sua virótica gente, abateu os povos de cá com inúmeras moléstias, tendo feito o povo sucumbir pelas suas imundícies, mais que por sua astúcia.
Pois veja você, um povo que vivia em cidades fortificadas, com uma população maior que a de qualquer cidade europeia, com prédios públicos, templos, com conhecimento de astrologia e astronomia, com um maravilhoso e preciso calendário que os ajudava a metrificar o tempo, prever as estações, plantar e colher sem sobressaltos, é chamado de selvagem ou indígena. E um povo jovem, que herdou quase tudo o que sabia dos exploradores árabes e romanos, é chamado civilizado.
A Espanha de hoje, embora seja um país, ainda nem é uma nação, e talvez nunca venha a ser. Mas voltemos aos maias. Por falar em maia e índio, lembrei-me agora, ventilam por essas paragens que o povo maia previu o fim do mundo para 2012. Quais Maias?
Para César Maia e Rodrigo Maia, da tribo do cacique da Costa, o mundo desaba no final de 2010.
DEFICIENTES CÍVICOS
O presidente Lula sancionou no dia 20 a Lei do Estatuto da Igualdade Racial. Um enorme avanço para esta nação racista. No entanto, o sistema de cotas para negros nas universidades e nas inscrições de candidatos nas eleições foi retirado do texto final. Um grande atraso.
O DEM, foi à justiça contra as cotas para negros. Ali Kamel usou as Organizações Globo para pregar o seu discurso racista de que não existem raças e nem racismo no Brasil. No Brasil, para os racistas, as raças só existem quando querem justificar que o Brasil é uma país miscigenado, que nasceu da mistura de 3 RAÇAS. Mas na hora de assegurar direitos, a raça desaparece.
Com um cientificismo raso dizem que a biologia não determina a existência de raças. Mas no afã de se fazerem assertivos selecionam malandramente o apelo científico que lhes ratifica o discurso. À luz das ciências sociais o conceito de raça está mais do que claro. Raça é uma categoria social. Porque é socialmente que ela se afigura como uma realidade. O negro não é simplesmente uma cor, negro como raça é mais do que cor. Preto é cor, negro é raça. Pode-se se dizer que todo preto é negro, mas nem todo negro é preto. Os negros são os não-brancos, são os pretos, os pardos, os mulatos, os que sofrem discriminação no trabalho, nos shopping centers e que são alvo preferencial de policiais e seguranças. Na sociedade não faltam agentes qualificados para identificar um negro. Embora todos eles digam que o negro não existe. Talvez queiram dizer que o negro não deveria existir.
Na copa do mundo realizada na África do Sul, o tratamento dado àquele país pelo aparato midiático tupiniquim destoou de tudo o que já se viu na cobertura de uma copa. O que soubemos sobre a África do Sul? O que nos contaram sobre a literatura, a música, as edificações, a poesia, os teatros, cabarés, bares, boates, shoppings, praças... o que soubemos sobre a África do Sul além do clichê que já conhecíamos?
Pela primeira vez na minha vida eu ouvi narradores e comentaristas esportivos reclamando do barulho de uma torcida. Falavam das infernais vuvuzelas. As vuvuzelas são velhas cornetas conhecidas dos estádios brasileiros, nem são uma novidade. A novidade foi vê-las sopradas pela boca de negros alegres. Incomodou. Lembro que os nossos narradores falam com entusiasmo sobre os estádios argentinos onde os torcedores não param de gritar e cantar, mesmo que o seu time esteja perdendo. Mas os negros são barulhentos.
Embora as televisões mostrassem estadunidenses, suecos, holandeses, japoneses e alemães tocando vuvuzelas, os narradores insistiam que o barulho incomodava. Se incomodava por que os não-africanos estavam tocando? O que incomodava é que o som lembrava os negros a tocar, felizes e sorridentes.
Lelê Teles, aracajour
você gosta de chimarrão? ele, não.
Todos nós sabemos que o Brasil é complexo demais para os vira-latas. Tem uns caras que sabem se comportar como um lord, como um sir, mas não sabem se comportar como brasileiros.
Quando Lula fez um arraiá na Granja do Torto, danuza leão achou cafona. Ele deveria ter feito um halloween, claro.
Certa vez FHC, em campanha pelo nordeste, subiu no lombo de um jegue e viu-se ali um jumento e um burro. Se o jegue subisse no lombo de FHC a cena não ficaria menos ridícula.
Mas nada está tão ruim que não possa ser piorado. Serra nos deixa essa pérola.
Lelê Teles, Brasília
as felizes vuvuzelas
Ouvi pela primeira vez em vida locutores de futebol contrariados com o barulho de uma torcida. Eram os negros africanos e suas felizes vuvuzelas.
Lelê Teles, Brasília.
clicando aqui vc compreende melhor o título da postagem.
alfred-eisenstadt
SERRA KISS MAS AÉCIO NÃO QUIS
Seguindo ainda Marcel Mauss na trilha antropológica da Expressão Obrigatória dos Sentimentos, podemos descrever o beijo, ou o ósculo, como gestos mágicos carregados de simbolismos. O beijo do soldado americano em uma enfermeira, desfalecida em seus braços, imortalizado pela lente apaixonada de Alfred Eisenstaedt, simbolizou o fim da segunda guerra mundial. Caravaggio “fotografou” de forma magistral o beijo símbolo da traição no momento em que a face esquerda do Carpinteiro da Galileia será tocada pelos pérfidos lábios do Homem de Kerioth. Clark Gable e Vivian Leighe protagonizaram o beijo mais famoso do cinema. Podíamos ficar aqui semanas só registrando ósculos e beijos, mas paremos com esse aí do alto. Note que o beijoqueiro avança com ímpeto. O imberbe Aécio tenta contê-lo. Com a mão direita empurra Serra pra trás (note a posição do polegar opositor), e com a mão esquerda esgana o “ectoplasma”, simbolicamente. Quando um tucano não quer, dois não se bicam. Mas Serra não se faz de rogado. O pescoço se estica como o de um cágado, o bico se assanha. Note a mão esquerda de Serra e as rugas na blusa de Aécio. Enquanto Aécio o impele para fora, Serra se “puxa” pra dentro. Dias depois Aécio deixou crescer a barba. Simbolizando a repulsa. Serra não ousaria beijar um homem de barbas.
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O LEÃO E A ALFACE
Quando disputou a eleição contra o Lulinha paz e Amor, Serra disse que o povo não entraria nessa jogada de marketing porque estranharia ver um leão comendo alface. Pois Serra agora adotou a mesma dieta. Mas sabe como é, dieta não pode ser imposta, quando a pessoa está disposta a entrar numa dieta ela tem tudo para dar certo, mas quando é uma imposição de fora, a pessoa tende a recaídas. E Serra, que já mandou demitir jornalistas, agora encena uma de bom moço engraçadinho. Mas já se indispôs pelo menos três vezes contra jornalistas. Chamou uma de petista, mandou outra se informar melhor e agora deu uma bronca de chefe na urubóloga Míriam Leitão, uma aliada dele (e agora mandou um recado aos patrões de outra repórter) Acordar cedo e comer alface não está fazendo bem a Serra.
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BRASÍLIA 50 ÂNUS
Brasília representava o sonho mudancista, a interiorização da capital e a ocupação do Brasil central. JK, como um faraó, erigiu uma cidade faraônica, com algumas pirâmides, inclusive uma pirâmide túmulo onde está “enterrado”. Como um Pacal, adornou de arte a sua cidade futurista. Do chão afloraram palácios, brotaram catedrais, nasceram monumentos. Mas, como as pirâmides do Egito e das Américas pré-colombianas tudo foi construído com suor, o sangue e a vida de uma multidão. Em Brasília, 60 mil peões vieram de pau de arara, a maioria nem conhecia edificações em alvenaria ou máquinas. Muitos foram mutilados, muitos morreram e nem tiveram covas, viraram alicerces. No acampamento Pacheco Fernandes, os operários que reclamaram da comida foram fuzilados pelo exército.
Ao concluírem uma das cidades mais bonitas do mundo, os sobreviventes foram despejados nas longínquas cidades-satélites, ocupando barracos de madeira: sem água encanada, sem energia elétrica e sem esgoto. Hoje 29 cidades orbitam Brasília. A pobreza aumenta. E a cidade-presépio vive um drama demográfico. Os carros congestionam avenidas, os engarrafamentos aumentam, o metrô não suporta tanta gente, o transporte público é um vergonhoso cartel, os lixões se proliferam, como proliferam as máfias dos concursos e da grilagem de terras públicas; a corrupção é endêmica. Um deputado acaba de sair do presídio e assumir uma vaga na Câmara Legislativa. É o Detrito Federal.
Lelê Teles, Brasília
o meio ambiente é o meu ambiente
Passeata. Moça fuma o seu Malboro vermelho e grita palavras de ordem contra a poluição do planeta. Uma imagem oximórica, digamos.
Os outros jovens levantam cartazes e também gritam: salvem as baleias, salvem as focas bebês, salvem as plantas... e o moleque que estava deitado na calçada acordou com a gritaria e gritou: ei, e eu, quem é que vai me salvar?
Lelê Teles, Brasília
ele, infante
O cara me perguntou, Lelê tô desempregado, tem alguma coisa aê? E eu disse, rapaz, a coisa tá tão feia que até celular tá procurando serviço.
Mas tem trampo por aí, cargo: pentear macaco, pintar listras em zebra, desenhar asa de borboleta, fazer chapinha em leão, catar piolho de cobra, pintar unha de onça braba, desentupir cu de elefante, aparar bigode de ariranha, doar sangue pra morcego e escovar dente de tubarão.
Mas não, fulano quer ser funcionário público, ficar lááá... tirando xerox, lixando a unha e falando no msn. Amolecendo a bunda, engordando a pança e parasitando o estado!
Lelê Teles, Brasília
a linda Magdalena Smorczewska
A gente se conheceu por telefone. Eu esperava uma ligação no orelhão, de repente ela chegou pra ligar. Enquanto procurava o cartão na bolsa eu liguei pro orelhão e ela atendeu. Oi, eu disse. Hola, respondeu ela. Conoces el olor del rocío?, eu perguntei. Si, me queman los ojos escucharlo, ela falou com uma voz que me lembrava uma foto feita pelo Hubble: o nascimento de uma estrela. Escrevi meu nome numa pétala de rosa e dei pra ela. Ela sorriu e me disse que tinha meu nome tatuado no seu coração.
Dali fomos tomar banho de chuva. A nudez mais feliz que já vi banhar. Ela é da Polônia e tem uma singular elegância que não existe na sintaxe do caminhar das eslavas. Eu tive vontade de entrar no vestido dela e despir a sua alma. Tudo o que ela chorava sorria. Ora falávamos em espanhol, ora em francês. E os nossos olhos e olhares falavam numa linguagem que só o vento não conhece, porque o vento só conhece o movimento, e os nossos olhos se imantavam, vidrados.
Teci uma cachoeira com as lágrimas que sorriam em seu rosto e dei a ela de presente, assim como o sol dá luz ao mundo todo. Ela viu quanto interesse havia nesse meu gesto desinteressado. Falamos das florestas que temos dentro de nós, do efeito estufa e do calor que sentíamos subir pela nossa espinha dorsal quando nossas mãos se abraçavam. E também do degelo glacial que nos liquefazia. Falamos das queimadas que nos esfumaçam de paixão. Do tesão que é romper a sua camada de ozônio. Das neuroses de nossos neurônios, das Tsunamis.
Demos um beijinho de borboleta, o rímel dos cílios dela ciciaram nos meus mamilos. Depois um beijinho de esquimó. Eu me acolhi no seu iglu, uma luva de vulva. Depois um beijo de peixinhos. As escamas despidas nas camas... Enquanto eu lhe contava sobre o tantra ela me cantava um mantra, e acordados para o amor a gente dormia.
Ela é uma das criaturas mais lindas que brotaram no meu jardim. Todas as primaveras a gente poliniza. Ela me disse que Copérnico não propôs uma teoria científica, mas apenas compôs um poema, Galileu é que extraiu do poema o cálculo heliocêntrico e justamente por isso o mundo ficou mais bonito. Disse que Newton, ao descrever a gravidade, também propunha poesia. Até hoje não apareceu um cientista pra tornar científico o poema que ele fez. Explicar, por exemplo, o que é a gravidade. Isso ninguém explicou e isso seria ciência. A descrição de Newton é apenas um lindo poema, como o lusco-fusco, o crepúsculo, os arrebóis, o céu de Brasília ao entardecer quando o clima tá seco...
Achei tão lindo ouvir isso de uma flor cheia de pétalas. Toda vez que tento colhê-la ela se encolhe e me acolhe, toda vez que tento comê-la ela me escolhe. Eu adoro salada de flores, ela gosta de fotografias. Eu disse a ela que Os Dez Mandamentos foram a primeira fotografia (foton + grafia, a escrita com luz). A segunda foi o falso Santo Sudário, que é também uma foton-grafia. Ela se despetalou e, nua, pediu que eu a fotografasse. Eu a beijei com tanta ternura que até hoje ela tem gravado nos lábios o meu sorriso.
Agora, sempre que tá frio eu visto a minha musa e saio pra tomar banho de lua. Ela mora numa gruta que tenho no coração, todas as noites ela sai pra se banhar na cachoeira do meu pranto. Eu vivo de amor por ela.
Lelê Teles, Brasília.
A noblesse de Noblat
Normal 0 21 false false false MicrosoftInternetExplorer4 /* Style Definitions */ table.MsoNormalTable {mso-style-name:"Tabela normal"; mso-tstyle-rowband-size:0; mso-tstyle-colband-size:0; mso-style-noshow:yes; mso-style-parent:""; mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; mso-para-margin:0cm; mso-para-margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:10.0pt; font-family:"Times New Roman"; mso-ansi-language:#0400; mso-fareast-language:#0400; mso-bidi-language:#0400;} O texto que publiquei no Blog do Noblat (veja lá) há algum tempo obedecia a dois propósitos: fazer uma traquinagem de criança, dessas de puxar o rabo do capeta, e fazer minha mãe ficar feliz por ver o meu nome em O Globo, ela não gosta muito da minha posição de blogueiro marginal. Matei os dois coelhos. Mas o texto recebeu uma enxurrada de comentários dos leitores do blog-copia-e-cola-do-Noblat.
Normal 0 21 false false false MicrosoftInternetExplorer4 /* Style Definitions */ table.MsoNormalTable {mso-style-name:"Tabela normal"; mso-tstyle-rowband-size:0; mso-tstyle-colband-size:0; mso-style-noshow:yes; mso-style-parent:""; mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; mso-para-margin:0cm; mso-para-margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:10.0pt; font-family:"Times New Roman"; mso-ansi-language:#0400; mso-fareast-language:#0400; mso-bidi-language:#0400;} Uns diziam que o notável jornalista havia se deixado cooptar por um petista que o esculhambara. Outros enviavam a Noblat o link do texto em que eu o esculhambara, postado no Amálgama. O senhor Ricardo enfureceu-se e me mandou imêius esculhambando-me. Aí virou aquela troca de imêius de dois esculhambados. Noblat disse que eu o caluniava e ao mesmo tempo não o ouvira, o que demonstrava uma leviandade de minha parte. Eu disse a ele que não havia calúnias e nem leviandades, uma vez que apenas fiz uma leitura objetiva de uma nota que ele mesmo havia publicado na imprensa, sendo essa a sua escusa e sua defesa, citar a nota já era "ouvir a outra parte". Noblat pediu somente mais um aparte para dizer que eu não escreveria mais em seu blog, censurando-me e me convertendo mais uma vez à marginalidade de meu blog.
Normal 0 21 false false false MicrosoftInternetExplorer4 /* Style Definitions */ table.MsoNormalTable {mso-style-name:"Tabela normal"; mso-tstyle-rowband-size:0; mso-tstyle-colband-size:0; mso-style-noshow:yes; mso-style-parent:""; mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; mso-para-margin:0cm; mso-para-margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:10.0pt; font-family:"Times New Roman"; mso-ansi-language:#0400; mso-fareast-language:#0400; mso-bidi-language:#0400;} Mamãe não sabe de nossa troca de imêius, e nem porque eu não escrevi mais para o blog-copia-e-cola-do-Noblat, não lembro a desculpa que dei a ela.
Normal 0 21 false false false MicrosoftInternetExplorer4 /* Style Definitions */ table.MsoNormalTable {mso-style-name:"Tabela normal"; mso-tstyle-rowband-size:0; mso-tstyle-colband-size:0; mso-style-noshow:yes; mso-style-parent:""; mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; mso-para-margin:0cm; mso-para-margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:10.0pt; font-family:"Times New Roman"; mso-ansi-language:#0400; mso-fareast-language:#0400; mso-bidi-language:#0400;} Por que escrevo isso agora? Porque devo uma satisfação ao amigo. Vamos ao início. Brasília é ovo, como costumamos dizer, todo mundo ali se conhece. Eu e Noblat temos amigos em comum. Um desses amigos comentou sobre os meus textos, meu estilo de escrita, minha sagacidade intelectual que tanto orgulham minha mãe. Noblat me enviou um imêiu e pediu para que eu lhe enviasse um texto. Ele não quis o que eu lhe mandei porque disse que eu já o havia publicado em meu blog, que ele lera. Pediu um texto inédito, eu o fiz. Era sobre o crack, a droga destruidora.
Normal 0 21 false false false MicrosoftInternetExplorer4 /* Style Definitions */ table.MsoNormalTable {mso-style-name:"Tabela normal"; mso-tstyle-rowband-size:0; mso-tstyle-colband-size:0; mso-style-noshow:yes; mso-style-parent:""; mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; mso-para-margin:0cm; mso-para-margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:10.0pt; font-family:"Times New Roman"; mso-ansi-language:#0400; mso-fareast-language:#0400; mso-bidi-language:#0400;} Fiz o título (malandramente) usando um trocadilho meu com a frase conhecida de Marx (o comedor de criancinhas), era uma forma de provocar os seus leitores; deu certo.
Normal 0 21 false false false MicrosoftInternetExplorer4 /* Style Definitions */ table.MsoNormalTable {mso-style-name:"Tabela normal"; mso-tstyle-rowband-size:0; mso-tstyle-colband-size:0; mso-style-noshow:yes; mso-style-parent:""; mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; mso-para-margin:0cm; mso-para-margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:10.0pt; font-family:"Times New Roman"; mso-ansi-language:#0400; mso-fareast-language:#0400; mso-bidi-language:#0400;}
Noblat não me censurou pelo texto que escrevi pra ele, mas pelo texto que escrevi sobre ele. Embora seja um homem público, Noblat não gosta de críticas. Não tivesse eu escrito um texto condenando sua postura esdrúxula, mamãe seguiria cheia de orgulho do filhão por estar escrevendo em um blog d'O Globo.
Normal 0 21 false false false MicrosoftInternetExplorer4 /* Style Definitions */ table.MsoNormalTable {mso-style-name:"Tabela normal"; mso-tstyle-rowband-size:0; mso-tstyle-colband-size:0; mso-style-noshow:yes; mso-style-parent:""; mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; mso-para-margin:0cm; mso-para-margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:10.0pt; font-family:"Times New Roman"; mso-ansi-language:#0400; mso-fareast-language:#0400; mso-bidi-language:#0400;} Mamãe votou no Collor, é contra as cotas raciais, assiste o Big Brother, revoltou-se contra Michael Jackson, diante das denúncias vazias de pedofilia, mas não mostrou a mesma revolta contra os padres sabidamente pedófilos; mamãe gosta da Globo, d'O Globo e do Noblat. Normal 0 21 false false false MicrosoftInternetExplorer4 /* Style Definitions */ table.MsoNormalTable {mso-style-name:"Tabela normal"; mso-tstyle-rowband-size:0; mso-tstyle-colband-size:0; mso-style-noshow:yes; mso-style-parent:""; mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; mso-para-margin:0cm; mso-para-margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:10.0pt; font-family:"Times New Roman"; mso-ansi-language:#0400; mso-fareast-language:#0400; mso-bidi-language:#0400;} Mas seguramente ela gosta muito mais de mim! Lelê Teles, Brasília
polícia secreta de Portugal, agente
ESSE SAIU MAL NA FOTO
É sabido que José Serra, ou Zé Alagão como é mais conhecido, usa de sujos e abjetos subterfúgios como arma política, sempre com o apoio incondicional do seu partido político, a mídia golpista. Agora surge uma foto de um agente secreto (P2) agindo às escâncaras. Tudo bem que parece meio surreal o quadro, porque na verdade ou é secreto ou é às escâncaras; na verdade a foto revela um fato intrigante, há policiais infiltrados em manifestações populares, eles servem como estopim, medem a temperatura das manifestações, fazem coro com os mais exaltados, lançam pedras na polícia e estimulam os outros a fazerem o mesmo, quando a arruaça está pronta, o banzé armado, os infiltrados se retiram para os seus colegas fardados começarem a atirar e sentar o pau.
Por trás de toda foto há uma história. Essa é uma farsa: diz-se que a policial levou uma paulada na cabeça, teve que ser socorrida e encaminhada ao hospital. O diabo é que a PM continuava de capacete. Para uma paulada desacordar uma pessoa de capacete há que ser forte o suficiente para provocar um trauma. Se foi esse o caso, o procedimento adotado pelo policial (carregá-la no colo de capacete na cabeça) está incorreto. Aliás não é só esse procedimento que está incorreto, sabe-se agora que o policial à paisana embarcou no ônibus dos professores (!) como se fosse um deles, portanto estava infiltrado. P2 é para investigar outros policiais e não para se fingir de manifestante. Isso se fazia na época da ditadura!
O BEIJO DE JUDAS
É sabido que Judas Iscariotes foi o primeiro malandro beneficiado pelo programa de delação premiada. Entregou o chefão, foi absolvido e ainda saiu com uma sacola cheia de dinheiro. Durval Barbosa é da escola de Judas. Foi ele quem jogou merda no ventilador e arriou as calças do rei. Tentam fazer dele um herói. Mas ele é um bandido. Tentaram fazer o mesmo com Bob Jefferson, o cantor de óperas. Roberto Jefferson, que teve que renunciar para não ser cassado, denunciou o que chamou de mensalão do PT, e disse que ele mesmo recebeu uma mala cheia de dólares. Em seguida disse, cinicamente, que a mala (a dele) e os dólares sumiram. Foi absolvido pela opinião pública. Durval, se pegar uma pena branda, periga ser eleito para Câmara Legislativa do DF no pleito seguinte.
É mister saber, Bob Jefferson tentou matar o monstro que o alimentava com dinheiro motivado, segundo suas próprias palavras, por "instintos mais primitivos", o ódio e a paixão eram o dínamo. Jefferson foi ao sacrifício para destruir Zé Dirceu. Barbosa, por sua vez, delatou a gangue da qual fazia parte porque busca atenuar a sua pena, uma vez que já está nas mãos da justiça por malversação de dinheiro público. O gesto destes bandidos devem ser interpretados sob a luz da hermenêutica, vamos a ela:
No excelente livro A Interpretação das Culturas, do antropólogo estadunidense Clifford Geertz, há um capítulo dedicado a um evento vivido por Geertz entre os balineses, onde ele era visto como uma não-pessoa, ignorado pelos nativos. Em meio a uma briga de galos, evento proibido e reprimido pelas forças policiais, o etnógrafo assistia à pelea em uma grande rinha, quando de repente todos começaram a correr; Geertz viu a chegada dos policiais e temeu pela sua segurança. Porém, ao invés de se apresentar como um branco acadêmico em estudo etnográfico, coisa complicadíssima de se explicar a um policial com uma arma na mão, o experto Clifford disparou atrás dos locais e se refugiou em uma casa. Ao passar a refrega, todos vieram cumprimentar o antropólogo aceitando-o em seu meio. O seu gesto foi interpretado pela cultura como um símbolo de companheirismo, Geertz estava ao lado deles e não das forças repressoras. Atentai bem, Jefferson e Barbosa fizeram como o velho Clifford, se é que você me entende.
A RÚSSIA TÁ BOMBANDO
Duas bombas explodem no centro da Rússia, nas estações Lubyanka e Park Kultury. Pelo menos 40 mortos. Feridos, mais de 60. Em seguida descobrem tratar-se de mulheres bomba. Aparece um frame com a imagem de uma delas, extraído de câmera interna da estação. A Chechênia é logo apontada como mãe pátria destas bombásticas terroristas. Os russos não são chamados de terroristas quando atacam a Chechênia. Agora, já passam a discutir a volta da pena de morte no país. Putin avisa que vai novamente baixar o pau na Chechênia. E brada cheio de testosterona: "Tenho certeza de que as agências de segurança farão todo o possível para encontrar e punir os criminosos", afirmou. E completou, veja você: "Os terroristas serão aniquilados". Mas meu caro Putin, deixe de drama, encontrar e punir quem, aniquilar quem, as terroristas se autoaniquilaram?
Lelê Teles, Brasília
O site da revista CartaCapital pergunta se o fim do celibato significaria também o fim dos casos de pedofilia. Ah, essa é mole. A resposta é não. Analisemos os casos de pedofilia. A grande maioria dos casos cometidos por membros (membros mesmo) da Santa Igreja tem como vítimas meninos. Percebe-se, sem muito esforço, que os padres preferem cu de menino homem. Não sei se casando com mulheres esses caras iriam perder o interesse por cu de menino. Para ilustrar, usemos o exemplo do velho Ló. Conta-se que Ló, sobrinho do patriarca Abraão, resolveu fazer a mesma enquete de CartaCapital, a saber: dois anjos do Senhor desceram à cidade em visita a Abraão e hospedaram-se na casa de Ló. Ao cair da noite, os homens da cidade cercaram a casa de Ló para terem relações sexuais com seus dois hóspedes. Ló, então, saiu em defesa dos anjos e ofereceu suas duas filhas virgens. Mas os caras retrucaram, como nos relata a Bíblia Sagrada: “Fala sério, seu Ló, não queremos meninas virgens, queremos o cu destes cabras”. O resto da história todo mundo sabe, fogo e enxofre cobriu o lar dos gomórricos sodomitas e a esposa de Ló, que nada tinha a ver com isso, foi petrificada. Moral da história: para acabar com os casos de pedofilia só jorrando fogo e enxofre sobre a Cidade do Vaticano.
FOME DE QUÊ?
Lula da Silva vai a Cuba. Sabe-se que Cuba é uma ditadura. Um preso faz greve de fome (por que diabos ninguém faz greve de sede?). E morre. Culpam Fidel pela morte do grevista. Ora, quem faz greve de fome e segue nela até o fim é um suicida. É ou não é? Queriam que Fidel fizesse o quê, forçasse o cara a comer? Aí diriam, Cuba é mesmo uma ditadura, um dissidente decide fazer greve de fome e Fidel faz dele um Foie Gras.
OS COMÍDIAS
Mister da Silva vai a Israel. Pela primeira vez na história um presidente brasileiro vai àquelas paragens. E a mídia vira-lata prefere a manchete negativa. Diz que Lula cometeu uma gafe ao não visitar o túmulo de Theodor Herzl, fundador do movimento sionista. Só que a ida ao túmulo foi malandramente posta no itinerário de Lula, sem prévio acerto com a comitiva brasileira. Mesmo assim, os jornais brasileiros acham que Lula cometeu uma gafe. O sionismo, para quem chegou agora, é um movimento político nacionalista encabeçado por uns fanáticos que desejam para si um estado independente e de maioria judaica, buscando uma organicidade, algo parecido com o ideal nazista. Os judeus não são uma raça, como todo mundo sabe. Tanto é que quando nasce uma menina a bênção judia diz: “Que Deus a abençoe como Sara, Rebeca, Raquel e Lia.” Ora, nenhuma dessas matriarcas eram judias de nascimento, todas foram convertidas ao judaísmo. O judaísmo é somente uma bela religião. Mas os nazistas e os sionistas pensam diferente. Muitos judeus não gostam nem um pouco deste Theodor Herzl e nenhum líder importante do mundo acendeu uma vela no túmulo deste senhor. Seria uma gafe se Lula o fizesse.
A LIBERDADE QUE IMPRENSA E O DEFICIENTES CÍVICOS
O Demo Demóstenes, o contra-cotas do partido racista e antidemocrático, disse, de forma cínica, que a miscigenação no Brasil se deu com o consentimento das estupradas. Para isso, valeu-se de uma orelhada em um livro de Gilberto Freyre, e de frases soltas e descontextualizadas, como convinha. Os repórteres da Folha, Laura Capiglione e Lucas Ferraz, contestaram a leitura canhestra de Demóstenes. E a própria Folha, pausa pra estupefação, pediu ao sociólogo Demétrio Magnoli, freqüentador do Instituto Milenium, que escrevesse na própria Folha chamando os jornalistas que contestaram o (anti)democrata de "delinqüentes"! Diga lá, tem conserto?
HÁ MALAS QUE VÊM PARA O DEM – TEMPORADA DE CASSA
Governador do DF até pouco tempo, José Roberto Arruda está em cana. É o primeiro governador na história que vai para o xilindró. O vice, PO, também do DEM, será o próximo. Leonardo (im)Prudente, do DEM, era o presidente da Câmara, um escroque. Gilberto Kassab (DEM) também teve o seu mandato cassado. Em 2008, Pedro Eliseu Filho (DEM), prefeito eleito de Araras (SP), foi cassado por abuso do poder econômico. O vereador Marco Aurélio Cunha (DEM), foi cassado por decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo, apontado como o campeão em doações irregulares. Se gritar pega ladrão, não fica um.
HELOÍSA HELENA, MARINA SILVA E O SUICÍDO POLÍTICO
Marina Silva acreditou que o partido verde iria amadurecer com a sua chegada. Marina distanciou-se de Lula e aproximou-se de Gabeira. Gabeira é aquela raposa velha e oportunista. Conhecido por sua fleuma e ridicularizado pela mídia pela velha tanga de crochê e pelas sementes de cânhamo que tentou trazer para o Brasil, virou herói no dia em que, irreconhecivelmente irascível, apontou o dedo para Severino Cavalcanti pedindo a sua renúncia, alegando que Severino era um despreparado. Só que, como todos sabemos, jabuti não sobe em árvore, se ele tá lá é porque alguém o colocou, e quem colocou Severino na presidência da Câmara? Ora, a turma do Gabeira. Gabeira chutou um cachorro morto. Agora convenceu Marina a ir para o PV, lançou a sua cândida candidatura e trouxe para apoiá-la o DEM e o PSDB, veja você. Agora Gabeira é César Maia. Juca Ferreira, ministro da Cultura, abandonou o PV e Heloísa Helena abandonou Marina. Heloísa Helena e Marina Silva são dois casos clássicos, dois cases, de suicídio político. Helô passou de senadora a vereadora e disso não passará; Marina virou um passarinho à mercê de estilingues e baladeiras.
DA BURQA AO TUBINHO
As mulheres ocidentais acham que ficam horrorizadas ao verem algumas mulheres muçulmanas usando burqas, mesmo sem saber que muitas mulheres gostam das burqas. O que mais as horroriza é o fato de que esta veste é uma imposição masculina, veja você. O fio dental não é também uma imposição masculina? Pois tente ir ao shopping de fio dental e logo surgirá um segurança (homem) que a fará vestir uma burca. Fio dental só onde eles permitem. E as mulheres magérrimas e irreais das revistas, não são imposições do universo masculino? As barriguinhas saradas não são imposições masculinas? Elas não dizem sempre “Ah, homem não gosta de mulher gorda, homem não gosta de mulher flácida, homens não gostam… homens!” Seu marido, minha senhora, não a obriga a vestir-se, como fazem os afegãos? E ele deixa a senhora usar decote, ele deixa a senhora usar bikini mínimo no churrasco dos amigos? Na França criaram uma lei que impede que as mocinhas muçulmanas vão às escolas usando chador, dizem que o chador é uma vestimenta religiosa e que a escola é laica. Muito bom, muito bonito. Mas e as mocinhas francesas não vão à escola com vestes cristãs? E a vestimenta ocidental não é uma vestimenta cristã? Pergunte aos ex-nus índios brasileiros.
Lelê Teles, Brasília