

A lucidez de Claudio Júlio Tognolli neste artigo me animou a não apenas reproduzi-lo (após meus comentários) como ir além: estamos sendo literalmente "entubados" por discursos importados que são extremamente danosos ao desenvolvimento de nossa sociedade. A manipulação vem de fora e é inserida constantemente em nossa mídia, seja no entretenimento seja no noticiário, arquitetada com frieza e sutileza para deter nosso crescimento, o famoso "chutar a escada".
Observe as seguintes frases abaixo:- "Tem gente demais no mundo, temos que primeiro que cuidar dos que estão aí.";- "Hidrelétrica (incluída mais recentemente, e rapidamente absorvida pela "galerinha verde") e nuclear não são energias limpas";- "Desenvolvimento econômico é coisa do passado, agora temos que utilizar melhor os recursos";- "Grandes indústrias só servem pra consumir muita energia";- "Desenvolver pode ser reescrito como des-envolver, ou seja, o inverso de envolver, por isso, não pode ser uma coisa boa";- "Nacionalismo é um pensamento velho, nossa bandeira é global";- "Obra, pra quê obra? Só serve pra corrupção!"- "Tudo que é estatal é porcaria, só privado que funciona, porque não tem roubo!"- "Político tudo não presta, é tudo igual, não tem um que escape!"
Elas são repetidas em nossa mídia em profusão muito grande e praticamente todo mundo concorda com a maioria delas. Todas elas possuem o intuito comum de atrasar nosso desenvolvimento. Veja porque:
1. A análise demográfica
Se tem gente demais no mundo, isso é uma clara mensagem para que você não tenha filhos. Pra facilitar, nos tempos de FHC, as relações de trabalho que propiciavam uma insegurança familiar extrema, realmente derrubaram de vez as taxas de natalidade, mas especialmente isso ocorreu na faixa da classe média, que é a mais diretamente manipulável pela mídia. Ou seja, a dura realidade associada à uma propaganda que "você não está errado fazendo isso" superou as antigas questões culturais e sobretudo machistas que se tinha por aqui que se provava que um homem era "varão" quando fazia filhos, isso é completamente superado em nossa sociedade.
Isso leva a que, mesmo atualmente, em que o brasileiro tem sido o país com relações de trabalho mais estáveis do mundo, e índices perto do pleno emprego, o brasileiro de classe média continue não tendo filhos, ou tendo no máximo um.
E qual o prejuízo para nossa sociedade?
O Brasil, ao contrário da Europa e de boa parte da Ásia, possui densidade demográfica ainda muito baixa, e sua população é muito mal distribuída, concentrada no litoral. Fora isso, o percentual de imóveis fechados nas grandes cidades e a baixa ocupação em bairros de classe média demonstram que há um potencial de aproveitamento desperdiçado, contradizendo essa suposta saturação do discurso.
E só tornou um BRICs exatamente pelo seu contingente populacional, a Argentina por exemplo poderia participar do grupo mas como sua população parou em cerca de 40 milhões de pessoas, seu potencial em escala global é um patamar inferior (o que não significa que poderá vir a ser um país desenvolvido depois do Brasil, até porque o IDH argentino é bem mais alto, até porque eles já foram um país rico há cerca de 100 anos). Ter população e especialmente população economicamente ativa é um fator importante para sustentar o crescimento econômico. Mais fundamental ainda é ter essa população bem educada e preparada pra fazer o país se desenvolver. E aí está o calcanhar de aquiles da propaganda midiática.
A classe média, que dispõe de mais recursos para criar filhos capacitados para "fazer diferença", hoje está se reproduzindo a taxas muito baixas, jogando ainda mais o peso da capacitação da mão-de-obra em cima da responsabilidade do estado, que terá que educar muito bem as crianças mais pobres, o que ainda está longe de ser um desafio concretizado, apesar das tímidas melhorias que estão sendo percebidas.
Isso está longe de ser uma correlação perfeita, mas é razoável afirmar que crianças de uma família que tenha melhores condições de investir na formação destas, terão maior facilidade de atingir níveis de excelência necessários para ser grandes executivos, grandes pesquisadores, pessoas que agregam grande valor na economia do país. Lógico que há gênios nascidos em todas as classes sociais, mas a questão é que o "quantos se salvam" e se tornam realidade é o mais essencial, e a redução da natalidade na classe média sem dúvida é um fator que atrapalhará nosso crescimento em um futuro próximo, e deve se pensar rapidamente em políticas de estímulo (pode nem ser "estímulo", mas já foi cobrado - entre as décadas de 40 e 70 - imposto de renda a mais de solteiros e pessoas sem filhos, isso poderia voltar a ocorrer).
2. A questão da renda per capita e da riqueza acumulada
Dois pontos chave para enterrar o discurso contra desenvolvimento em nosso país estão no título acima. Tanto a renda e sobretudo a riqueza possuem imensa desigualdade distributiva em nosso país. A concentração das propriedades e da riqueza e sobretudo a não-utilização de grande quantidade desses recursos, por falta de legislação e ações do estado que estimulem que essas propriedades sejam capazes de gerar renda e ajudar a máquina da economia a girar, ainda é um desafio a superar.
Por outro lado, não menos importante, nossa renda per capita, mesmo que fosse distribuída igualmente para todos os brasileiros, seria completamente insuficiente para um padrão de vida mínimo. A ampla maioria dos adotadores do discurso importado do "fim do crescimento" possuem bons salários de classe média e duvido que abririam mão de qualquer de seus luxos para distribuir a renda, muito pelo contrário, lutam com unhas e dentes por aumentos e melhoras no seu padrão de vida a cada ano. Portanto, se contradizem no próprio discurso, ou possuem problemas sérios com aritmética básica.
O Brasil não precisa chegar a padrões nórdicos ou japoneses de renda per capita para ser um país desenvolvido. A renda per capita de países como Portugal ou Coréia do Sul, na faixa dos atuais Us$ 25 mil, seria bastante razoável, o que significa que temos que crescer nosso PIB per capita em 150%, ou seja, estamos muito longe de ter que parar de crescer, pelo menos, nos próximos 30 anos, considerando o ritmo atual.
E diferente de muitos países em desenvolvimento, que possuem problemas de ordem geográfica bastante sérios, o Brasil conta com riquezas naturais que atendem com sobras à esse esforço necessário, ou seja, é possível desenvolver atendendo a padrões sustentáveis e respeitando o meio-ambiente, de maneira responsável (e não eco-xiita que exclui o homem como um ser da natureza, que pensa que preservar a natureza é largar o homem em situação miserável).
O problema aí do discurso importado é que, em toda grande obra que temos, necessária para cumprir nossa missão de desenvolver e distribuir renda (um dos poucos países na história da humanidade que tem conseguido fazer isso), o emperramento e o atraso que cada obra nossa sofre por conta dos trombeteiros do apocalipse e adoradores do discurso importado vai criando dificuldades no nosso crescimento, o que no fundo, é ainda mais prejudicial ao meio ambiente, pois quanto mais antes o Brasil atinja um padrão de vida adequado, melhor cuidará dos seus recursos naturais e preservará seu meio-ambiente. Ou seja, sequer o discurso serve para a própria finalidade a qual dizem ser feito.
Para o problema da desconcentração da riqueza, a solução que vejo como mais interessante é a elevação do imposto sobre heranças e sucessões (excluindo-se aí bens essenciais à moradia principal da família), que em países como os EUA são na faixa dos 50% e na Austrália chegam a 65%, e no Brasil são pífios 4%, que geram uma perpetuação da riqueza na mão de poucas famílias e o mau uso destas. Era mais efetivo que o imposto fosse simbólico para até uma determinada faixa ou em cima do imóvel principal da família (tipo 0,1%) e um valor elevado tipo 50% para os demais bens, de maneira a incentivar a venda e a circulação dessa riqueza na economia, o que causará aumento de oferta, redução de preços dos imóveis e melhor aproveitamento do que já existe construído atualmente.
Em relação às propriedades fechadas nas grandes cidades, a aplicação do IPTU progressivo certamente seria uma medida para coibir essas distorções, bem como políticas de modernização de bairros e regiões degradadas. Como o Alexandre Porto (@aleportoblog) corretamente colocou, políticas como o "Minha Casa Minha Vida" já deveriam estar sendo utilizadas para a substituição de grandes aglomerados degradados, como o Complexo da Maré, no Rio de Janeiro. Um país que pensa em ser desenvolvido tem sim que começar a pensar em substituir a precariedade das favelas por prédios familiares, nos mesmos locais dessas ocupações.
3. O que é "Energia Limpa"? O Brasil precisa de mais energia? Obras são mesmo demoníacas?
O conceito de energia limpa que os importadores de discurso defendem não são condizentes com qualquer realidade. O consumo per capita de energia no Brasil é um dos mais baixos de todo o mundo, e a melhora na renda provocará um crescimento imenso nesse consumo. As residências tendem a crescer seu consumo, especialmente nas regiões mais quentes do Brasil, a taxas de cerca de 10%. Temos que levar em consideração que se em países temperados o aquecimento residencial é um grande consumidor de energia, aqui no Brasil em muitas localidades o ar condicionado é um bem necessário e ainda de pouco acesso, com amplo potencial de expansão (Se os países ricos podem condicionar seu ar, porque no Brasil temos que ficar sofrendo no calor? Viver em desconforto causa queda de produtividade também, e por conseguinte, perda na capacidade de desenvolvimento) e para isso, temos que ter maior produção de energia. Inclusive, para o crescimento em 150% de nosso PIB per capita, é essencial garantir mais energia não apenas para o consumo doméstico, mas também para o consumo comercial e sobretudo industrial.
As alternativas apresentadas e defendidas como "eco-responsáveis" são muito caras e inviáveis para um crescimento da oferta de energia na faixa dos 7% ao ano como precisamos. O Brasil está sim abrindo frentes para essas alternativas, aliás, o Brasil é a melhor matriz energética do planeta (apesar do discurso importado negando isso), seremos os maiores produtores de biodiesel, estamos com centenas de plantas de energia eólica em implantação, em regiões aonde a energia solar é a melhor alternativa ela tem sido utilizada, enfim, são soluções complementares, mas garantir a energia para o crescimento sustentável de nossa economia é defender a garantia da erradicação da miséria e do fim da pobreza em nosso país.
Sobre hidrelétricas, um discurso infundado de que é um destruidor de meio-ambiente se alastrou. Sim, ocorreram casos desastrosos como da hidrelétrica de Balbina, no Amazonas, que foi uma obra de outros tempos e um verdadeiro desastre ambiental. Mas as usinas hidrelétricas pelo contrário, por serem reguladoras do fluxo dos rios, elas costumam preservar o meio-ambiente de desastres naturais, muito mais impactantes por vezes do que centenas de anos de ação humana. A energia das quedas-d´água já estão ali, o homem simplesmente organiza uma barragem para aumentar o potencial e a explora, dizer que isso causa um impacto de escala global no meio-ambiente é infame, lembrando que miséria também é degradação ambiental e mais energia é mais emprego e mais emprego gera mais renda e portanto, menos miséria.
A crítica da remoção de famílias e de indígenas dos locais atingidos, especialmente no caso de Belo Monte, é um ponto de raciocínio atrasado e desacostumado com o planejamento, que é algo necessário para qualquer bem-estar coletivo. O remanejamento de pessoas é algo absolutamente comum em qualquer lugar do planeta, pelos mais diversos motivos. Uma parte da esquerda ranheta passou a adotar um discurso xiita-preservacionista-burro (não tem outro termo) que o direito à propriedade (ué, mas eles não são de esquerda?) é intocável e a pessoa não pode sair dali nem que a vaca tussa. Ou seja, mesmo em casos que sejam para o benefício de toda a nação, como o aumento da oferta de energia, ou mesmo para o benefício de todo um aglomerado urbano de milhões de pessoas, como a implantação de um corredor de ônibus, se há uma propriedade no meio do caminho, ela é intocável! Olha que maravilha, os xiitas dos emperradores de desenvolvimento e do bem-estar coletivo atuando! E não possuem vergonha da ignorância verborrágica que disparam sem parar, e cada vez mais agressivos e veementes!
Nem é preciso lembrar o caso da integração de bacias do São Francisco com o Nordeste setentrional como emblemático no discurso importado desesperado para atrapalhar nosso crescimento, valia recorrer até a argumentos religiosos para impedir a obra. Será que levar água para 14 milhões de pessoas fadadas atualmente à migração forçada para cidades ou à miséria não é um motivo suficiente? A construção de cisternas é um paliativo mas não é capaz de gerar renda suficiente para fixação de núcleos urbanos desenvolvidos na região, ela é apenas complementar. Um dos grandes problemas, mais uma vez, é achar que a solução complementar tem que ser a principal, gerar energia nas casas por exemplo é muito caro e é para poucos, é apenas uma solução complementar e muito boa em épocas de pico como no verão, mas não pode ser pensada como a política principal de energia de um país.
Por que nos países ricos já não se é muito comum o remanejamento de famílias para a execução de obras de infra-estrutura? Oras, é lógico! A infra-estrutura deles já está toda pronta! E eles não querem que nós tenhamos a nossa infra-estrutura! Querem nos perpetuar no atraso, no apagão medieval! Será que é preciso desenhar? Enquanto foi necessário para esses países, eles nunca venderam a idéia que desapropriar era ruim, faziam à vontade, agora, que não precisam mais, querem impor esse pensamento aos países que ainda precisam disso. O remanejamento tem que ser feito com respeito, com dignidade, com valoração correta e justa, mas as pessoas precisam ter em mente que o bem coletivo é mais importante que a propriedade privada. Ou vamos ser contra o socialismo só pra ser simpático ao discurso importado?
Obras são capacitadoras de grandes contingentes de mão-de-obra que tem ali talvez a única oportunidade de aproveitamento, por sua limitação de instrução ou de capacidade. São pessoas que certamente não estivessem nessas obras, estariam fadadas à miséria e à exclusão, à margem da sociedade ou a depender de ações sociais do governo. Não são essas mesmas pessoas defensoras da porta de saída? As grandes obras são talvez a mais importante porta de saída de curto prazo, por fornecer empregos em áreas remotas para pessoas com baixa instrução, capacitando-as para outras frentes posteriores ao término.
O mais curioso é que o mesmo cidadão que é contra o crescimento, não abre mão do seu padrão de vida para garantir a distribuição de renda; é contra as grandes obras e das desapropriações, mas reclama do trânsito e da falta de transporte de massa ("quando eu vou em Paris, tem metrô pra todo lado!"); inclusive, é a favor do transporte de massa dos países ricos, mas é contra o transporte de massa em seu bairro, pois vai degradá-lo e atrair "gente diferenciada" para lá; é contra o aumento da produção energética, mas não abre mão do seu consumo nem vai ficar no calor no verão desligando seu arzinho condicionado para que alguém que sequer tem energia elétrica em sua casa possa consumir um pouco também.
4. O constante descrédito das instituições estatais
Pra cereja do bolo, longe de ser menos importante, pelo contrário, há um discurso massificado de se endemonizar tudo que é do estado, sejam as empresas, as instituições, e quem as comanda. Sobra para políticos, para servidores públicos, para todo mundo, é "tudo ladrão, tudo corrupto, nada funciona, uma desgraceira danada". Como se as instituições privadas fossem melhores... São sonegadoras de impostos, são corruptoras, degradam o meio-ambiente, e pagam rios de dinheiro para a mídia esconder isso tudo dos olhos da população.
Como é exatamente o estado que tem que ter a força e a credibilidade de enfrentar todos os desafios descritos nesta argumentação, afundá-lo em críticas e acusá-lo (sem provas, claro) de absurdamente incompetente e sem capacidade de gestão, é tirar dele o poder de tornar as políticas que ele planeja para o desenvolvimento do país factíveis, ou seja, esse discurso colabora diretamente para o atraso do Brasil, desejo que faz muito bem aos países ricos.
O Brasil possui bons exemplos práticos da capacidade estatal, o maior deles é a Petrobras. Outros ótimos exemplos são a Receita Federal, a Polícia Federal, o BNDES, mesmo a Previdência Social está atingindo um patamar de excelência considerável. Da mesma maneira, há ótimos políticos, que lutam incansavelmente e por vezes madrugada e fim-de-semana adentro para fazer a máquina andar, há excelentes servidores públicos, em todas as categorias, da mesma maneira que há bons e maus profissionais em qualquer área, e até mesmo há boas e más empresas em qualquer setor de atuação.
E sobretudo, o discurso anti-nacionalista ele seria muito bom se os países ricos fizessem sua parte no combate à miséria global e permitissem a circulação livre de pessoas por todo o mundo. Se somos nós, brasileiros, que temos que resolver nossos problemas, temos sim que ser nacionalistas e defender o que temos de bom, pois precisamos exclusivamente dos nossos recursos para erradicar nossa miséria e acabar com a pobreza. Só seremos um país desenvolvido dessa maneira, já se esperou muito por migalhas dos ricos e nada aconteceu.
Como solução, a proposta de mais mídia é sempre fundamental. A aprovação de um marco regulatório da comunicação, a inclusão da banda larga como um direito universal dos brasileiros e a concretização desta universalização, o investimento em tecnologias nacionais que tornem a internet uma mídia melhor para a propagação de idéias, a criação do fundo setorial da comunicação com a melhor distruibuição das verbas publicitárias, entre outras medidas na área de comunicação, sem dúvida contribuirão para a redução desse processo avassalador de manipulação que emperram nosso crescimento, um verdadeiro "custo-manipulação", que certamente atinge a casa de dezenas de bilhões de reais por ano e possivelmente algo como 1 ou 2% de crescimento do PIB, que deixamos de crescer por conta de todos os atrasos que o desenvolvimento sofre em função desse discurso manipulado, atrasa e por vezes impede obras, muda projetos de vida, tira a correta visão das pessoas sobre o futuro de seu país dentro do contexto global.
Precisamos sobretudo de gente que goste do Brasil para pensar e propor soluções. Preste atenção nesse meu texto, em todo ele, há propostas, não há apenas críticas. Pratique isso também, proponha, construa, pense uma forma de fazer melhor. Faça parte da história do seu país por ajudá-lo e não por atrapalhá-lo. Isso sim é ter uma atitude responsável por seu país, e também pelo planeta. Um Brasil melhor será capaz de responder e atuar melhor para um mundo melhor.________________
SWU: a farsa ambiental e seus interesses privados
[www.brasil247.com.br]
NUM FESTIVAL QUE TEVE LANCES PATÉTICOS, COMO O CANTOR NEIL YOUNG CANTANDO "HAPPY BIRTHDAY TO YOU" PARA O PLANETA TERRA, O QUE REALMENTE ESTÁ EM JOGO É A COLONIZAÇÃO MENTAL DA JUVENTUDE BRASILEIRA; LEIA O ARTIGO DE CLAUDIO JULIO TOGNOLLI
14 de Novembro de 2011 às 07:12
Claudio Julio Tognolli_247 - Um fantasma ronda o mundo: a farsa de que o superaquecimento global só ocorre por fatores endógenos, ou a emissão de poluentes na terra. No Brasil só há dois intelectuais que apontam a ideologia por detrás disso: Gildo Magalhães dos Santos Neto, da História, e Aziz Ab Saber, da Geografia, ambos da USP. Fatores extra-terra conduzem ao superaquecimento: como as fases de hiper-expansão do sol, a cada seis mil anos, como a que ora vivemos. Os vikings, antes de descerem Mar do Norte abaixo, paravam, para construir seus barcos, num local chamado Terra Verde, por acaso Groenlândia, que vem de “Green Land”. A natureza na Terra Verde era laboriosa em construir madeiras de primeira cepa. Mas ela se congelou. Uai: por que se congelou? A quem interessa dizer que a Terra pode acabar por superaquecimento gerado por fatores apenas “internos”? Interessa a uma elite neoliberal. Há 80 anos começaram a tramar a ideia de que oferecer um literal e figurativo fim do mundo pelo superaquecimento era a forma de congelar os futuros países desenvolvidos. Queriam, e ainda querem, que Brasil, Índia e China sejam eternos exportadores de matéria prima. Trata-se da mais nova-velha ideologia: fazer o povão engolir goela abaixo que o desenvolvimento já atingiu os seus limites. Querem ver na Amazonia um território “internacional”. Eis todo o babalaô do ex-vice dos EUA, Al Gore, com aquela cascata (comprada por ele de uma assessoria de imprensa), lastreado em seu “Uma verdade inconveniente”.
O festival SWU ("Starts with you" ou "Começa com você"), que movimentou milhões com inserções pagas, mas disfarçadas na mídia, é um subproduto desse tipo de golpe. Não é para menos que Neil Young abriu o cascatol cantando “parabéns” para a Terra. Querem tornar o rock algo passivo, com babacas defendendo a todo o custo a preservação da terra, e o conseqüente congelamento do desenvolvimento do parque industrial brazuca. Querem-nos eternos exportadores de grãos. Querem-nos enxergando que o superaquecimento global só se dá por fatores da terra e do homem. Isolam a Terra do resto do universo. Veja você: até James Lovelock, criador da famosa Hipótese Gaia (segundo a qual o ser humano é um dos “órgãos” do corpo que é a Mãe Terra), agora defende a energia nuclear. E expõe ao osso os babacas do Partido Verde (que usam em suas propagandas políticas os moinhos de vento eólicos). Saiba você: um moinho de vento eólico consome dez mil toneladas de concreto para ser construído. Em toda a sua existência, o moinho de vento eólico jamais produzirá energia limpa que compense a poluição gerada para poder produzir as milhares de toneladas de concreto que o erigiram...
Toda essa babaquice da preservação da terra a todo o custo foi lentamente engendrada por um bando de intelectuais “New Age”. O trabalho não é novo, mas com subprodutos novíssimos. A pré-coerência ideológica que se consome no SWU tem epígonos famosos e antigos. Datam da Escola de Copenhaque: composta de físicos que defendiam que a base do universo é o “caos”. E já que o caos é imutável, referem, não nos resta modificar nada: apenas surfar o caos. Físicos como Wolfgang Pauli, Niels Bohr, o filósofo Bertand Russell, deram as mãos com o misticismo de Jung: vindicavam que deveríamos adotar o Taoísmo como preceito fundamental. Justamente o Taoísmo que, ao contrário do confucionismo (uma teoria da ação) prevê o que os chineses chamam de “wu wei”, ou não ação. Defendiam a meditação. Postulavam que a natureza resolve as coisas “sozinha” –justamente o que os neoliberais pregam, a existência da “mão invisível” do mercado, tão defendida por Adam Smith. Todos esses calcetas, da preservação da Terra, supõem-se místicos do caos. Grandes intelectuais do Primeiro Mundo há anos estão envolvidos na ideologia que tenta engessar, com esse tipo de droga, o desenvolvimento do parque industrial de nações emergentes, como o Brasil. Apesar de serem roqueiros, amam no fundo que o Brasil idololatre o “agrobrega” e o “sertanojo”, porque é ao “campo” que o Brasil pertence. Trata-se de um cadinho cultural de místicos que amam Paulo Coelho, e vêem na Terra uma entidade capaz de gerar babalô místico-mágico. É necessário aqui fazer uma pausa sobre o guru dessa moçada, Wolfgang Pauli, de resto o pensador predileto de Fritjof Capra, autor do incensado “O Tao da Física”.
Veja a barbaridade que chegou a resgatar. Para os neoplatônicos, a causa de todas as mudanças era a anima mundi , a alma do mundo. As ciências experimentais do renacimento e a ideia da causalidade substituíram a anima mundi. A divisão entre alma e matéria é posta em caixa alta por Descartes, que passa a distinguir nitidamente a “substância pensante” (res cogitans) e substância caracterizada pela sua extensão no espaço, ou matéria (res extensa). Wolfgang Pauli passa a tentar destruir o cartesianismo. Diz que a teoria dos quanta substituiu isso, referindo que cada sistema individual é substancialmente livre e não sujeito a leis. É o que ele chama de “irracionalidade do real”. Pauli volta ao medieval pré-cartesiano. Refere que é necessário voltarmos ao irracional para que se fuja dos a priori. Nesse sentido, disse: “Temos de tentar despir a túnica de Nesso que a revolução do século XVII teceu. É tempo de reconhecer o elemento irracional da realidade –e o lado obscuro de Deus” . Karl Jung, de resto co-autor de Pauli, torrou sua existência em tentar fazer crer a todos que a psicanálise e o oculto poderiam ser duas faces da mesma moeda, cujos destinos seriam loucamente prefixados por um universo essencialmente caótico e não-linear. As tentativas de Pauli, junto a Jung, de tentar nivelar, lado a lado, a pulsões do Id com certo “livre-arbítrio” dos elétrons, consistiram numa potente tentativa de retorno ao mundo pré-cartesiano da anima mundi. E Einstein, ao ver tudo isso, escreveu: “Não posso suportar a ideia de que um elétron exposto a um raio de luz possa, por sua própria e livre iniciativa, escolher o momento e direção segundo a qual deve saltar. Se isso fosse verdade, preferia ser sapateiro ou até empregado de uma casa de jogos em vez de ser físico”.
Em 1968 o industrial italiano Aurelio Peccei fundou o Clube de Roma, quando se falou a primeira vez em desenvolvimento sustentável. (veja aqui
[pt.wikipedia.org] ) Por que você acha que o Príncipe Charles, e outros milionários de países de primeiro mundo, são patrocinadores e padroeiros do WWF? Porque a nova ideologia faz uso de ongueiros preservadores da natureza para drogar jovens com a febre anti-desenvolvimentista. Neil Young, que há duas semanas saiu nas Páginas Amarelas de Veja, veio aqui no SWU com um único papel: ele é agente do capetalismo internacional, contra o desenvolvimento do parque industrial brasileiro.
Assista, abaixo, ao patético vídeo em que Neil Young canta "Happy Birthday to you" para a Terra.
[www.youtube.com]
