Normal 0 21 false false false MicrosoftInternetExplorer4 /* Style Definitions */ table.MsoNormalTable {mso-style-name:"Tabela normal"; mso-tstyle-rowband-size:0; mso-tstyle-colband-size:0; mso-style-noshow:yes; mso-style-parent:""; mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; mso-para-margin:0cm; mso-para-margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:10.0pt; font-family:"Times New Roman"; mso-ansi-language:#0400; mso-fareast-language:#0400; mso-bidi-language:#0400;} Um verdadeiro membro da Classe Média precisa estar em sintonia com seu grupo social, principalmente quando se trata do “instinto de manada” que lhe é característico. Como qualquer rebanho, este instinto é um recurso que o grupo possui para manter e perpetuar seu modo de vida, mesmo em qualquer adversidade. Como forma de justificar tudo o que faz de errado, ilícito, fora do padrão ou desaconselhável, ou mesmo algo que nada tem de errado, mas não se tem a mínima vontade de fazer, o médio-classista sempre pode apelar para o velho argumento: “todo mundo faz, então não tem problema se eu fizer”.
Isto se aplica às mais diversas situações e dificilmente você encontrará alguma em que não possa usar. Funciona quando alguém faz qualquer coisa que não era pra fazer, e é seguido por um segundo alguém. A partir do terceiro alguém, todos podem fazer uso desta maravilhosa estratégia: o que não era pra ser feito passa a ser “permitido”. Já a décima pessoa nem está com vontade de fazer, mas faz porque é permitido. E da décima quinta em diante, não se sabe mais por que se está fazendo aquilo nem por que começou, mas faz assim mesmo. Em resumo: não importa o quanto algo seja errado, quando todo mundo faz, este algo passa imediatamente a ser certo. E se esperar mais um pouco, em alguns minutos o que era certo vai virar algo como uma “obrigação social”.
As aplicações para esta ferramenta são muitas: estacionar em fila dupla, comprar um produto que não precisa, deixar de assinar a Carteira de Trabalho da empregada, comer no McDonalds, sonegar imposto, beber e dirigir, gostar de música sertaneja.
Na faculdade, por exemplo, o médio-classista acompanhou “todo mundo” e também usou drogas, passou trotes violentos nos calouros, dançou pelado e bêbado em cima da mesa, pagou para alguém fazer seu trabalho. No dia-a-dia da vida, ele vai votar em quem a Classe está votando nas eleições, vai arrumar um emprego só porque tem algum padrinho (mas dizer a todos que foi por mérito), viajar para o mesmo lugar que todo mundo, enfrentar fila pra comer no restaurante da moda.
Portanto, não importa o que você fizer. Caso se encaixe no que “todo mundo” faz, o que quer que tenha feito é plenamente justificável e ninguém o questionará. Pelo menos ninguém da Classe Média.