Uma das mais notáveis características do Way of Life da Classe Média diz respeito ao modo de morar. Os cidadãos deste interessante segmento socioeconômico possuem métodos e meios muito próprios para determinar onde e como afixar sua humilde e suada residência. Apesar de não ser uma regra, uma das apropriações urbanas que mais denota médio-classismo é morar em apartamento.Os médio-classistas possuem uma tendência natural para viver aglomerados. Adoram fila de restaurante, fila de cinema, fila para ingresso do Cirque du Soleil, fila de liquidação. No morar não poderia ser diferente. Foi assim que algum empresário (profissão muito respeitada pela Classe) convenceu a todos que seria legal que cada um pagasse mais caro e morasse em cima de cada outro, como forma de economizar espaço, ganhando o direito de se organizar em “condomínios”, cuja finalidade é proporcionar mais despesas e chateações nessa vida.
O advento do apartamento como símbolo da Classe Média tem origem no forte processo de industrialização do Brasil nas décadas de 60 e 70, nas quais se consolidaram as metrópoles e os grandes centros urbanos. Com eles veio a geração dos “filhos de apartamento”, crianças que cresceram sem conhecer um quintal, uma horta ou uma galinha, não sabem de onde vêm as frutas, os legumes, a carne e o leite.
Com a diversificação do mercado de eletrodomésticos e a forte popularização do videogame na década de 90, hordas de “filhos de apartamento” nasceram e cresceram, educados pela televisão devido à ausência dos pais trancafiados em escritórios. Engordava assim a Classe Média, soltando pipa em frente ao ventilador e jogando bolinha de gude no carpete da sala, porque na rua tem ladrões e poeira. Desse amálgama louco surgiram aberrações diversas, como o cachorro de apartamento (ou pet), e o churrasco na varanda da sala.--------------------------
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