François Hollande, francès, 57 anos, socialista. Candidato à presidência da França nas eleições de abril deste ano.
Trata-se de um candidato sem igual para uma época sem igual da história.
A França enfrenta hoje sua crise econômica mais grave em 80 anos -- da última vez em que esteve em lama semelhante, o país esteve tão esfrangalhado política e moralmente que não foi capaz de exercer resistência à invasão nazista, em 1940.
Este Blog apoia entusiasticamente a eleição de François Hollande na disputa francesa que ocorrerá em abril. Holland é o principal opositor do atual presidente, Nicolas Sarkozy.
Hollande entende que a saída para a crise econômica não passa por aperto fiscal e monetário, mas pela expansão dos gastos públicos em custeio, como salários que ampliem o consumo, e investimentos que gerem novos empregos (enfim, alguém na Europa sacou isso). Como, no entanto, o país está quebrado, como o resto da Europa, Hollande resolveu fazer a coisa mais coerente neste momento: elevar impostos daqueles que podem pagar.
O candidato socialista defende a elevação da alíquota do imposto de renda, atualmente em 41,5%, para 45% -- para quem ganha mais de 150 mil euros por ano. Prevê ainda a eliminação de uma série de isenções fiscais e brechas tributárias que, segundo estimativas dos técnicos do partido, beneficiam só os 5% mais ricos da população. O imposto sobre o lucro das empresas, atualmente em 33%, passaria para 35% no caso das maiores companhias. As médias pagariam 30% e as pequenas, 15%.
Nada mais justo que, em um momento de crise, aqueles que estão passando melhor que outros contribuam mais, de forma a salvar o país. Estes recursos vão acabar se revertendo em mais empregos e salários e, portanto, mais consumo doméstico. Isso, por sua vez, vai elevar os negócios dos bancos e, consequentemente, das grandes empresas.
Voilá, o aumento de impostos para os mais ricos faz sentido.
O que ele fará com os recursos? Usará para pagar a dívida francesa, nas mãos de bancos europeus?
Nada. Azar o deles.
Hollande promete elevar os gastos públicos em 20 bilhões de euros (!), ao longo de cinco anos, para abrir 60 mil vagas para professores e policiais e criar outros 150 mil outros empregos. As despesas seriam compensadas com o corte de 29 bilhões de euros (!!) em isenções tributárias, o que elevaria a carga tributária francesa a 46,9% do PIB em 2017, ano em que Hollande promete zerar o déficit público francês -- em 2011, ele atingiu 5,5% do PIB (o limite da União Europeia é de 3% do PIB).
Mesmo que Hollande não venha a cumprir rigorasamente todas as suas metas, que são, de fato, ambiciosas, o simples fato de escancarar metas firmes na direção correta, que é a saída da crise, Hollande já fará um bem enorme à um país que está caminhando a passos largos rumo à uma recessão.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que o PIB francês cresça apenas 0,2% neste ano, mas já disse que pode revisar essa estimativa -- para baixo.
Alguém vê no atual presidente, Nicolas Sarkozy, um cara que vai resolver essa crise?
É claro que não.
Este Blog vai de François Hollande em abril e em maio, caso haja segundo turno com Sarkozy.