Dizem, a sério, que em Plutão pratica-se uma taxa ligeiramente superior à Selic, nossa taxa básica de juros, mas isso porque o Banco Central (BC) ontem reduziu em mais 0,5 ponto percentual a taxa.
Hoje, a Selic é de 10,5% ao ano.
Em março, o BC deve voltar a cortar a Selic em 0,5 ponto, levando a taxa brasileira a 10% ao ano. A partir deste momento, o governo, aqui em Brasília, não sabe o que vai acontecer. O mercado lê os sinais dados pelo BC e entende que a taxa vai chegar a 9,5% ou no máximo 9% ao ano. Uma parte relevante do governo Dilma Rousseff vê condições para que a Selic caia ainda mais, enquanto outra entende que uma taxa de 9% ao ano, dada a inflação ainda pressionada em 2012, como uma taxa razoável.
Com uma inflação na casa dos 5,5%, que é quanto se espera do IPCA neste ano, uma taxa de juros nominal de 9% representa juros reais de 4,5%. Ainda um juro muito alto, mas mais próximo da realidade mundial.
O problema, no Brasil, é que a inflação roda em patamares muito elevados. Um IPCA de 5,9% em 2010, 6,5% em 2011 e digamos 5,5% em 2012 é muita coisa para um país que não está em ritmo tão acelerado assim.
Se a inflação fosse de 3,5% a 4% e a Selic de 6% a 6,5%, as condições para a indústria nacional -- que está desaparecendo -- seriam muito melhores.
Ainda temos tempo para evitar uma grave crise no fim desta década.