Dos últimos vinte anos, este foi o quarto mais importante.
Se em 1991 assistimos ao fim da União Soviética, em 2001 o ataque terrorista ao World Trade Center, em Nova York, que modelou a "cara" desta década de 2000, e em 2008 vimos a explosão da mais grave crise econômica mundial desde 1929, em 2011 acompanhamos dois movimentos conjuntos: a eclosão da Primavera Árabe, que revolucionou quatro países (Tunísia, Egito, Iêmem e Líbia), e o derretimento da União Europeia, que viu quatro países falir (Grécia, Irlanda, Portugal e Itália).
Dificilmente teremos um ano como 2011.
O ano de 1991 não combinou eventos históricos tão importantes, nem 1992, com a eleição de Bill Clinton nos EUA, a quebra da libra esterlina e o impeachment de Fernando Collor no Brasil. Os anos seguintes, de Plano Real, crise da Tequila (explosão do México, em 1995) e movimento Zapatista, de Mônica Lewinski, guerra da Bósnia, crise dos asiáticos e morte de Lady Di não aglutinaram tudo o que 2011 aglutinou.
Nem mesmo 2001, com a explosão da bolha financeira ponto.com, o escândalo da companhia Enron, o ataque às Torres Gêmeas, o "corralito" na Argentina, a inclusão da China na Organização Mundial do Comércio (OMC) e o apagão de energia no Brasil combinou eventos tão seminais e profundos para a história humana quanto este 2011.
Semelhante à 2011 apenas 2008, que marcou o início da decadência da hegemonia dos Estados Unidos e a falência da concertação econômica mundial iniciada na década de 1970.
No futuro, historiadores olharão para 2008 e 2011 como hoje olhamos para 1973 e 1979 -- o primeiro e o segundo sinal de que o mundo mudara.
No fundo, meus amigos, é isso.
O mundo mudou em 2011.