A ação mais forte direcionada ao ganho de mercado foi acionada nos últimos dois meses deste ano. Em novembro, quando o governo federal começou a afrouxar parte das medidas macroprudenciais de contenção do crédito à pessoa física (editadas em dezembro de 2010), a direção do Banco do Brasil vislumbrou uma oportunidade de negócios e determinou a injeção direta de R$ 68 bilhões de crédito novo à disposição dos clientes. Como resultado, os desembolsos atingiram em novembro R$ 5,6 bilhões, montante bem acima da média do ano de R$ 3,5 bilhões. O maior resultado até então fora registrado em agosto – R$ 3,9 bilhões.
O vice-presidente de Varejo do BB, Alexandre Abreu, comentou que essas ações se baseiam na demanda de uma classe média em expansão que anseia fortemente por consumo, “especificamente por consumo de produtos bancários”, avaliou.
Espaço para ganho de mercado o BB possui. O vice-presidente de Negócios, Paulo Caffarelli, informou que 70% dos aposentados recebem os benefícios da Previdência nas agências do banco. Esse é um dos suportes que levam o BB a ampliar a oferta dos empréstimos consignados.
Caffarelli informou também que, dos 57 milhões de clientes do banco, 18 milhões possuem crédito pré-aprovado. Desses, 13 milhões mostram propensão ao consumo de produtos financeiros, mas somente 5 milhões efetivamente contratam crédito nas agências do BB. Há, portanto, 8 milhões de clientes do banco que contratam crédito em outras instituições financeiras. “Isso pode e deve ser revertido”, disse.
Em 2012, o BB ampliará também a oferta de crédito imobiliário. Na próxima segunda-feira, o banco entra na faixa 1 do programa federal de habitações subsidiadas, Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Essa faixa inclui a utilização de recursos do Tesouro Nacional (único financiador da faixa 1), enquanto as faixas 2 e 3 utilizam também recursos oriundos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).
O BB deve fechar 2011 com um salto de 126% no total de recursos em financiamento imobiliário. Essa modalidade deve atingir, no acumulado do ano, R$ 7,7 bilhões, estoque superior aos R$ 3,4 bilhões verificados em dezembro de 2010. Com esse resultado, o banco ultrapassa o HSBC no ranking dos bancos nesta modalidade e abre 2012 na quinta colocação, atrás da CEF, Itaú Unibanco, Santander e Bradesco.
Segundo Caffarelli, a instituição deve ultrapassar o Bradesco e o Santander no financiamento imobiliário já no fim de 2013. “Não trabalhávamos no financiamento imobiliário até pouco tempo atrás, então nosso crescimento neste mercado, algo que é muito importante, nos levará aos três primeiros lugares do ranking até 2013”, afirmou.
Para bancar a investida mais firme nesse nicho de negócios, o banco busca consolidar novas fontes de financiamento para o crédito habitacional e deve lançar no início do ano que vem Letras de Crédito Imobiliário (LCI).
Caffarelli cogitou também a utilização de parte do FGTS. De acordo com ele, o BB ainda tem uma “gordura” de R$ 5 bilhões disponível para ser direcionada à carteira imobiliária.
A partir da semana que vem, também, a instituição prepara o lançamento das três primeiras agências nos Estados Unidos (EUA) – o “BB Americas” ficará na Flórida, que recebe muitos turistas brasileiros para cidades como Orlando e Miami. Outro foco de crescimento é o trabalho via Banco Postal, que deu ao BB cerca de dois mil postos de atendimento novos. Com o Postal, apenas 192 dos quase 5,6 mil municípios brasileiros ficarão sem pontos do BB.
Além disso, o BB continua habilitado, junto à CEF, para adquirir participações em instituições financeiras de pequeno e médio porte em território nacional, até o fim de junho. A medida, lançada em junho de 2009, foi renovada pelo governo em junho deste ano por mais 12 meses. “Continuamos atentos porque o BB continua com muito interesse”, afirmou Ivan de Souza Monteiro, vice-presidente do BB para Gestão Financeira, Mercado de Capitais e Relações com Investidores.
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Esta é a matéria que assino com os colegas Murilo Rodrigues Alves e Luciana Otoni, na edição de hoje do Valor.
Participamos ontem de café da manhã com a direção do BB, na sede do banco, aqui em Brasília.