Mas 2011 foi dramático para a União Europeia.

Analistas de peso, como o inglês Martin Wolf e o americano Paul Krugman chegaram a dizer que a saída menos traumática para os europeus seria declarar o fim da União Europeia. A união monetária falhara, porque não houve a união fiscal, e o sistema excessivamente burocrático encastelado em Bruxelas, a capital da UE, não daria conta do recado.
A UE (ainda) não acabou.
Em 13 de janeiro deste ano, escrevi um longo post aqui no Blog, que teve enorme repercussão na blogosfera. Chamava-se "O efeito dominó". Ali expliquei porque a União Europeia estava em crise, o que tinha ocorrido em 2010 e o que poderia ocorrer em 2011.
Vejam um dos trechos:
O caldeirão, se chegar nos italianos, será um verdadeiro carnaval internacional. A política italiana é das mais complexas do mundo rico, com máfia, Vaticano, esquerda e direita todos sentados na mesma mesa, tendo um tresloucado, Silvio Berlusconi, na cabeceira.
Será um Deus nos acuda, e 2011 será pior que foi 2008, 2009 ou mesmo 2010.
De fato, a crise chegou a Portugal (como previa no post de janeiro) e também, lamentavelmente, à Itália -- levando, consido, o premiê Berlusconi.
O ano de 2011 foi pior do que fora 2010 ou 2009, e, em termos, à 2008.
Erro muito, mas, meus amigos, aqui acertei em cheio.
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O efeito dominó continua, ainda que a ação comandada por Draghi tenha estancado, ao menos por hora, o esfacelamento europeu.
Outros dois países estão à beira de um colapso: Espanha (pela maior taxa de desemprego da UE -- 21,5%) e Bélgica (pela falta de comando).
Todos estão praticando uma política econômica suicida: preocupados e encurralados pelo mercado, os governantes estão olhando apenas para seus orçamentos. Como os déficits são enormes, os governos europeus estão trabalhando em gigantescos pacotes de maldados para reduzir despesas (incluindo seguro-desemprego, aposentadorias, salários do funcionalismo, além de demissões e outros gastos sociais) e ampliar as receitas (como a elevação de impostos e a privatização de estatais).
É como se, para reduzir a dor de cabeça você, caro leitor, ignorasse um comprimido de paracetamol ou uma boa noite de sono, mas desse uma facada na barriga. Certamente a dor de cabeça passará instantâneamente, mas o buraco aberto no estômago será um problema e tanto para cuidar...
...especialmente quando todos, até os médicos, estão com as barrigas esfaqueadas.
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Faltam líderes -- Nicolas Sarkozy (França) e Angela Merkel (Alemanha) são fraquíssimos -- e as perspectivas para o crescimento econômico são péssimas.
Mas dificilmente 2012 poderá ser pior para os europeus do que foi 2011.
A não ser, é claro, que Wolf e Krugman estejam certos.
Este Blog aposta que não.