Derride, derridentes!
Risonhai aos risos, rimente risandai!
Derride sorrimente!
Risos sobrerrisos -- risadas de sorrideiros risores!
Hílare esrir, risos de sobrerridores riseiros!
Sorrisonhos, risonhos,
Sorride, ridiculai, risando, risantes,
Hilariando, riando,
Ride, ridentes!
Derride, derridentes!
"Encantação pelo riso", do poeta russo Vielimir Khlébnikov, publicado pela primeira vez em 1910, na revista Estúdio dos Impressionistas.
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A versão em russo de "Zakliátie Smékon" ("Encantação pelo riso") é linda, porque há toda uma métrica na forma como ela surge na página original, antecipando não o Construtivismo Russo, que viraria tendência no país a partir de 1916, mas sim o Movimento Neoconcreto (1959) no Brasil.
Não à toa, a versão que apresento acima é a traduzida pelo poeta brasileiro Haroldo de Campos, da linha de frente do neoconcretismo, ao lado de seu irmão Augusto de Campos e de Ferreira Gullar.
Khlébnikov nasceu em 1885 e viveu pouco -- morreu em 1922, quando a Guerra Civil na Rússia (1918-1921) tinha terminado, e o grupo vencedor, liderado pelos bolcheviques Lênin e Trótsky, tinha acabado de fundar a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).
Um especialista em matemática e em línguas orientais, Khlébnikov fora um dos primeiros intelectuais a defender a Revolução Russa, de fevereiro de 1917, comandada por Lênin contra o czar, e também um franco apoiador dos bolcheviques na revolução final, de outubro de 1917. O poeta participou da campanha do Exército Vermelho na Pérsia (atual Irã) em 1921. Estabeleceu-se no Cáucaso, onde passou a ser vigia noturno. Com o dinheiro foi a Moscou, onde sonhava publicar em livro todas as suas poesias.
A situação econômica do país era tão degradante que Khlébnikov, tal qual a maior parte dos russos, passou fome. Já francamente debilitado, morreu no sul do país, em 1922.
O grande entusiasta de sua obra foi ninguém menos que Vladimir Maiakóvski.
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Encantado pelo riso, o Blog deseja um ótimo domingo (o último de 2011) aos leitores!