Sim, os ministérios funcionam. Menos um.
O Ministério do Trabalho é simplesmente inepto.
O Brasil vive, desde 2005-06, um período fabuloso de geração de emprego com carteira assinada. Hoje, fim de 2011, todos os cientistas políticos e economistas creditam o sucesso econômico vivido pelo país nos últimos anos ao desempenho do mercado de trabalho.
Em 2009, ano em que a crise mundial pegou todos os países em cheio, ainda assim o Brasil criou 1,7 milhão de empregos com carteira assinada. Em 2010 foram 3 milhões. Neste ano devem ser 2,6 milhões ao todo. O salário médio de admissão daqueles que foram contratados neste ano é de R$ 929 por mês.
Nada disso foi resultado de políticas implementadas pelo Ministério do Trabalho.
Todo esse desempenho virtuoso, que faz o mundo inteiro bater palmas para o país, independe do que faz ou deixa de fazer o Ministério do Trabalho. Sob suas atribuições estão os gastos com o seguro-desemprego e com qualificação profissional, por exemplo, e também as relações com os sindicatos dos trabalhadores.
Os gastos com seguro-desemprego explodiram nos últimos anos. Já estão batendo, em 2011, em coisa de R$ 22 bilhões. Sim, o governo brasileiro gasta, todos os anos, vinte e dois bilhões de reais com seguro-desemprego aos trabalhadores demitidos -- e isso está ocorrendo justamente no período narrado acima, em que o mercado de trabalho é a menina dos olhos do crescimento econômico brasileiro.
Por que?
Porque há enorme rotatividade no mercado de trabalho nacional. E uma das razões de termos uma rotatividade tão grande, mesmo em um sistema oneroso para o empresário que quer desligar seus trabalhadores, é porque a mão de obra no Brasil tem uma qualificação péssima.
Pois o Ministério do Trabalho prefere gastar com seguro-desemprego do que com qualificação profissional.
A melhor forma de qualificar a força de trabalho de um país é via ensino fundamental, médio, superior e técnico. Das quatro macro-metas, as três primeiras são atribuições únicas do Ministério da Educação -- que, como sabemos, é uma colcha de problemas. Como nossa educação básica pública é fraquíssima, e é lá que estudaram e estudam 80% dos trabalhadores brasileiros, é evidente que haja um problema grave de qualificação. Mas isso poderia ser suavizado com grandes cursos técnicos e de qualificação profissional.
Isso não ocorre.
Estou há 23 dias esperando uma entrevista com o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, para esclarecer por que a pasta que ele comanda desde o início de 2007 não faz absolutamente nada para surfar a onda do crescimento econômico brasileiro, liderada justamente pelo mercado de trabalho.
A assessoria de imprensa não responde. Os secretários não respondem. O ministro alega problemas de agenda.
Eu gostaria muito de saber o que tanto ocupa a agenda do ministro do Trabalho.