Aqui vai uma opinião que não é pessimista, mas é crítica em relação à propaganda de tv da Dilma. É a modesta visão de alguém que conversou com várias pessoas que votaram em Marina e chegou às seguintes conclusões:
Não há nada na propaganda da Dilma destinado à classe média urbana.
O PAC (e seus empregos), Minha Casa Minha Vida, Bolsa-Família, tudo isso afeta os mais pobres. Só que o Brasil já é um país de classe média. É preciso falar para estas pessoas também.
A (antiga) propaganda do PT que fala sobre "o Brasil dos pobres e o Brasil dos ricos" não deveria mais estar sendo veiculada. Além de desagradar os ricos, essa propaganda não atinge ninguém, pois a pessoa que ascendeu socialmente e tornou-se classe média não quer se identificar com os “pobres”.
Para piorar tem aquele lance quase messiânico do "deixo em tuas mãos o meu povo". Po, hoje um amigo meu que votou na Marina me mandou uma charge tirando sarro do programa da Dilma.
Na charge aparecia uma TV exclamando "amém! aleluia! oh pai". Aí o cara perguntava: "Que é isso? Um programa da Universal?". Aí alguém dizia: "Não. É a propaganda da Dilma".
Classe média não quer "pai", nem messias. Essa turma gosta do Lula, mas querer plantar a imagem de “pai dos pobres” é forçar a barra.
Além disso, não basta apenas fazer o “8 contra 8”. Boa parte dessa classe média urbana mais jovem nem se lembra do que foi o governo FHC.
Sob essa ótica – a da falta de propostas para a classe média - você entende boa parte dos votos em Marina: é (também) aquela galera urbana que pensou: "Êpa, a eleição vai acabar em primeiro turno? Mas eu não vi nenhuma proposta para minha vida ainda".
A propaganda da Dilma, como ressalta muito o presente (versus o passado do Serra), não dá conta do futuro. Ela pode criar o sonho nos mais pobres, que sentiram o Estado mudar sua vida. Mas a classe média, além de não ter sentido nenhuma melhora abrupta nesses anos, não quer sonhar com Bolsa Família ou Minha Casa Minha Vida. Isso é propaganda para os mais pobres.
Outra coisa: cadê um site de propostas da Dilma? Não tem. O "dilma13", me desculpem. Não dá nem pra twitar aquilo. A Central Anti-Boato já foi providenciada. Falta agora uma Central de Propostas – para que nós militantes possamos ter “bala na agulha” contra a boataria que levantam contra a Dilma no twitter, por exemplo.
Sobre a propaganda na tv, deveriam mostrar a Dilma falando do Plano Nacional de Banda Larga. Por que não mostram imagens do plano australiano de banda larga (semelhante ao brasileiro)? Coloquem um computador, fazendo um download rapidíssimo. E mostrem que esse é o futuro do Brasil.
Até a classe média tucana sabe que nossa internet é um lixo. Aí, mostrando a internet do futuro, você conquista-os pelo egoísmo. Até porque muitos não estão nem aí com a redução das desigualdades, por exemplo.
É preciso criar o sonho.
O Serra é passado. A Dilma é presente (continuação). Mas cadê o sonho? o futuro? Cadê a Dilma falando de trem-bala, metrô, ciclovias arborizadas?
Por isso que Marina teve tantos votos. Tá faltando sonho na campanha da Dilma. Sonho de um país moderno, “high-tech”. Sonhar com o presente, concordemos, é complicado.
Por que a campanha da Dilma não “pega” a Noruega como exemplo? Ao mesmo tempo que se cria o sonho (mostrando o padrão de qualidade das escolas, da saúde, de desenvolvimento tecnológico), se pode ressaltar a importância do Pré-Sal para o Brasil, já que o Bem-estar norueguês é mantido com base no petróleo.
Enfim, acredito que nós estejamos com a faca e o queijo nas mãos para vencer estas eleições. Dilma está se saindo bem nos debates e a militância está animada. Só falta este elemento para que Serra tome outra surra: propostas para a classe média urbana, gente que deseja um país moderno, do futuro. Gente que se liga em tecnologia e que enfrenta a poluição diária e a falta de “verde” dos grandes centros.