
O Movimento Xingu Vivo para Sempre (MXVPS) lançou nesta quinta-feira (8) uma campanha contra o projeto da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, tendo como foco os correntistas do Banco do Brasil, Bradesco, Itaú-Unibanco e Santander. O tema da campanha é “Belo Monte: com meu dinheiro não!”.
O objetivo é incentivar a sociedade brasileira a pressionar bancos públicos e privados a não participarem do financiamento da hidrelétrica, projetada em um dos trechos de maior biodiversidade no Rio Xingu.
O MXVPS espera que os clientes cobrem diretamente dos bancos para que não se envolvam com Belo Monte, “sob risco de perder contas e de prejudicar irreversivelmente a sua imagem”.
A campanha consiste em, a partir do site do MXVPS, enviar e-mail aos bancos manifestando reprovação contra a utilização de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico (BNDES) , por meio direto ou via repasse de outras instituções, para financiar o Complexo Hidrelétrico de Belo Monte.
O MXVPS é um coletivo de organizações e movimentos sociais e ambientalistas da região de Altamira (PA) e das áreas de influência da hidrelétrica.
O movimento, que conta com o apoio de mais de 250 organizações locais, estaduais, nacionais e internacionais, agrega entidades representativas de ribeirinhos, pescadores, trabalhadores e trabalhadoras rurais, indígenas, moradores de Altamira, atingidos por barragens, movimentos de mulheres e organizações religiosas e ecumênicas.
Segundo o MXVPS, Belo Monte, assim como todas as grandes obras do PAC, depende financeiramente de um enorme empréstimo do BNDES para se viabilizar. O banco, que prometeu financiar 80% da obra, no entanto, não pretende assumir sozinho os riscos da operação. Boa parte dos recursos poderá ser transferida para outros bancos, privados e públicos, que deverão assumir parte dos contratos.
- Como grande parte dos recursos do BNDES advém de fontes como o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e o PIS/PASEP, é, em última instância, o dinheiro do trabalhador brasileiro que poderá viabilizar a usina - assinala uma uma nota do MXVPS.
Veja a mensagem que está sendo enviada aos bancos
“Como correntista do […] e cidadão brasileiro venho manifestar minha reprovação que os recursos do BNDES sejam utilizados, por meio direto ou via repasses de outras instituições, para financiar o Complexo Hidrelétrico de Belo Monte, no rio Xingu.
Esse empreendimento é caracterizado por graves violações de direitos humanos, irregularidades no processo de licenciamento ambiental e incertezas sobre sua viabilidade econômica, conforme já alertaram renomados cientistas, lideranças indígenas e organizações da sociedade civil, a exemplo da recente notificação extrajudicial assinada por mais de 150 entidades, enviada em outubro deste ano.
Estou ciente que o governo federal, o consórcio empreendedor Norte Energia e o BNDES estão em busca de bancos que aceitem financiar Belo Monte. Como ainda não fui informado claramente quais instituições participarão do financiamento de Belo Monte, na qualidade de cliente e cidadão brasileiro solicito mais transparência sobre essas informações, bem como manifesto minha reprovação neste financiamento por entender que ele é totalmente incompatível com os compromissos de responsabilidade social e ambiental assumidos pelas instituições que os Senhores representam.
Caso realizado, este será o maior financiamento da história do BNDES, um banco público cujo dinheiro advém, em grande parte, do FGTS, do Fundo de Amparo ao Trabalho e do contribuinte brasileiro. Como cliente e correntista dessa instituição, e como contribuinte brasileiro reafirmo minha reprovação a qualquer participação no financiamento de uma obra marcada pelo desrespeito aos direitos das populações locais e às leis do nosso país.
Sendo assim, solicito respeitosamente que a diretoria desse banco se manifeste imediatamente, no sentido de assumir um compromisso público e definitivo de não participar direta ou indiretamente do financiamento de Belo Monte.
Atenciosamente”