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  • Link permanente para 'Adunifesp: Policiais fardados e armados, fãs de Bolsonaro, ocupam audiência pública sobre direitos humanos e intimidam professores e alunos'

    Adunifesp: Policiais fardados e armados, fãs de Bolsonaro, ocupam audiência pública sobre direitos humanos e intimidam professores e alunos

    Postado: agosto 13, 2017, 10:07pm MDT por Luiz Carlos Azenha

    NOTA DE REPÚDIO

    Manifestamos nosso mais profundo repúdio ao que ocorreu na Universidade Federal de São Paulo, Campus Baixada Santista, na noite de 11 de agosto de 2017, durante a Audiência Pública convocada pelo Conselho Estadual da Condição Humana para discutir o texto do Plano Estadual de Educação em Direitos Humanos de São Paulo.

    Desde às 18h o campus foi ocupado por policiais, muitos fardados e inicialmente armados (foi exigido que guardassem as armas).

    A calçada do portão principal ficou abarrotada de viaturas da Polícia Militar.

    A comunidade acadêmica que ali se encontrava para as atividades diárias tinha pouca informação a respeito e ficou estarrecida quando soube que se tratava de uma audiência em que seriam definidos os rumos da educação em direitos humanos e, mais ainda, quando compreendeu que os policiais militares (que a esta altura chegavam a quase cem) defendiam a proposta de eliminar conteúdos fundamentais à educação pública.

    Estes bradavam por “direitos humanos aos humanos direitos”, “mudar a nomenclatura Ditadura Militar de 1964 para Revolução de 1964”, “retirar a discussão de gênero nas escolas”, etc

    Professores, técnicos e estudantes que estavam no campus, após tomarem conhecimento do que ocorria, decidiram participar da audiência e foram hostilizados pela tropa, que tentou impedir que votassem, sob o argumento de que não estavam lá desde o início.

    Houve até gritos de “vagabundos”.

    Se fazem isso contra quem estava no próprio espaço de trabalho e estudo (muitos descendo da sala de aula), o que não farão com pessoas mais vulneráveis em um país com cerca de treze milhões de desempregados?

    Estudantes e professores que se manifestaram pacificamente com cartazes em defesa da Escola Pública e dos Diretos Humanos também foram hostilizados.

    Ouviram-se frase macabras, como “Depois morre e não sabe o porquê!” ou “Quando precisarem da polícia, chamem o Batman”.

    Além disso, um grupo de militares e seus apoiadores começou a fazer cartazes com “Bolsonaro 2018”, “Liberdade sem libertinagem”, “Pode confiar #”.

    Situação preocupante em que os que defendem a “escola sem partido” partidarizam sua atuação portando as vestes e as insígnias de uma corporação militar.

    Ainda mais lamentável: a alta patente fardada nada fez para controlar seus subordinados que, aliás, quase agrediram fisicamente algumas docentes e estudantes.

    Feita a leitura do texto-base do Plano Estadual de Educação em Direitos Humanos de São Paulo, começou a “votação”.

    O que se viu foi um verdadeiro espetáculo de horror.

    Depois de perderem uma proposta, militares agrediram verbalmente professores e estudantes, chamando-os — mais uma vez — de “vagabundos”.

    Nas votações subsequentes, intimidaram-nos fazendo pessoalmente a contagem dos votos e filmando, fotografando e olhando de modo ameaçador cada um que votava contra a posição deles.

    Ao longo da noite, a comunidade acadêmica correu sérios riscos.

    Foi aprovada a supressão de qualquer referência a direitos humanos no plano estadual; foi eliminado o item que obrigava o Estado a garantir a permanência e combater a evasão escolar das minorias; foi suprimida a obrigação de formar agentes de segurança pública com base nos princípios dos direitos humanos.

    Apesar do temor, a comunidade acadêmica resistiu pacificamente.

    Externamos nossa forte preocupação com quem pretende, na base do grito, se sobrepor à produção de conhecimentos, à liberdade de pesquisa, à democracia e à autonomia universitária.

    A Adunifesp-SSind entende que este ato abusivo e autoritário se insere num movimento maior de ataques à democracia e aos direitos humanos em curso em nosso país.

    Também o fato de que ele tenha ocorrido dentro da Unifesp escancara o processo de demonização e ataque às Universidades Públicas que é impetrado hoje em dia por setores reacionários da sociedade.

    Por fim, repudiamos veementemente o modo como ocorreu a votação e solicitamos que o Conselho Estadual da Condição Humana desconsidere o resultado desta “consulta”.

    Queremos esclarecimentos sobre a utilização do espaço da Universidade Federal de São Paulo para episódios desta natureza.

    Manifestamos nossa preocupação com a integridade física dos professores, técnicos e estudantes que ali defendiam o ensino público e de qualidade, a escola sem mordaça, a permanência dos direitos humanos como princípio norteador da educação.

    Exigimos que as chamadas autoridades competentes manifestem posição urgente e clara sobre o ocorrido, especialmente no tocante às relações entre disciplina da tropa e Estado de direito.

    ADUNIFESP – SSind

    Leia também:

    Heloisa Villela: O jogo interesseiro de Trump com os neonazistas

    O post Adunifesp: Policiais fardados e armados, fãs de Bolsonaro, ocupam audiência pública sobre direitos humanos e intimidam professores e alunos apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

Altamiro Borges

  • Link permanente para 'Skaf transformou a Fiesp em um bordel'

    Skaf transformou a Fiesp em um bordel

    Postado: agosto 13, 2017, 9:18pm MDT
    Por Altamiro Borges

    Na semana passada, o golpista Paulo Skaf foi reeleito presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) pela quarta vez consecutiva. Após alterar de forma autoritária o estatuto da entidade, ele se perpetua no poder graças ao manuseio das polpudas verbas do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) e do Sesi (Serviço Social da Indústria). Caso conclua o seu mandato, ele terá permanecido à frente da Fiesp por 17 anos – período em que transformou a entidade em um bordel de negociatas, em um biombo de desestabilização política do país e num palanque para as suas frustradas pretensões eleitorais.

    A longa permanência no poder, porém, começa a gerar descontentamento entre o empresariado paulista. Segundo matéria do Estadão publicada neste domingo (13), alguns industriais têm criticado os golpes sucessivos e a ausência de alternância na direção da entidade. “Se exigimos do setor público o fiel cumprimento de regras e leis, o exemplo tem de vir de casa: fazer jogadas para se perpetuar no poder é péssimo para a sociedade”, critica Roberto Giannetti da Fonseca, presidente da Kaduna Consultoria e ex-diretor de relações internacionais e comércio exterior da Fiesp.

    Ainda segundo a reportagem, “a preocupação com a alternância diz respeito ao uso de entidades de categorias por interesses políticos. Candidato pelo PMDB ao governo de São Paulo em 2014, Skaf teve 4,6 milhões de votos e não esconde suas pretensões eleitorais. ‘Não é só a Fiesp que padece desse mal, mas usar instituições para alcançar cargos públicos acaba apequenando as que tiveram histórias fantásticas e fizeram muito pelo Brasil’, diz Giannetti. Críticos citam como exemplo a campanha ‘Não vou pagar o pato’, defendida pela entidade desde setembro de 2015, com a assinatura explícita de Skaf”.

    Procurado pelo Estadão, o eterno presidente da Fiesp rejeitou o pedido de entrevista, mas tentou justificar suas ações em uma nota cínica. Argumentou que graças às campanhas da entidade, “mobilizamos a opinião pública e evitamos decisões relativas ao aumento de impostos, contrárias ao interesse geral”. Ele só não explicou porque a Fiesp não faz uma oposição tão ácida ao usurpador Michel Temer como fez contra a presidenta eleita Dilma Rousseff. Porque atualmente ela não convoca marchas ou usa o letreiro da sede na Avenida Paulista para atiçar os “coxinhas” – os verdadeiros patos otários e manipulados da Fiesp.

    Sob o comando do ditador Paulo Skaf, a entidade foi uma das protagonistas do golpe dos corruptos que alçou a quadrilha de Michel Temer ao poder. Os dois pertencem ao mesmo partido, o PMDB, e estão metidos em várias denúncias de corrupção. O usurpador foi acusado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de ser o “líder da maior organização criminosa da história do país”. Já o “coronel” da Fiesp apareceu nas planilhas de propina de Odebrecht. Na sua delação premiada, Marcelo Odebrecht afirmou ter repassado R$ 2,5 milhões para a sua campanha ao governo de São Paulo. Mas os patos da Fiesp, incluindo vários donos de indústrias, parecem desconhecer estes fatos – ou são cúmplices dos corruptos.

    Em tempo: Em meados de julho, após as críticas que recebeu de vários setores da sociedade, inclusive de alguns empresários menos covardes ou corruptos, Paulo Skaf até voltou a instalar o pato amarelo gigante na sede da Fiesp contra o aumento dos impostos sobre os combustíveis. Mas foi mais um gesto oportunista para enganar os otários. Dias depois, ele teve uma reunião reservada com Michel Temer. Possivelmente, os dois golpistas trataram das eleições de 2018. Segundo matéria da Folha, “Paulo Skaf é um dos principais aliados de Temer e nome do PMDB para a disputa do governo de São Paulo”. A quarta eleição consecutiva para a presidência da Fiesp visa servir exatamente a este propósito. A Fiesp virou um bordel e um palanque!

    *****

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Vi o mundo

  • Link permanente para 'Heloisa Villela: De olho nos votos da “minoria” branca, Trump faz jogo interesseiro com neonazistas que perderam a vergonha'

    Heloisa Villela: De olho nos votos da “minoria” branca, Trump faz jogo interesseiro com neonazistas que perderam a vergonha

    Postado: agosto 13, 2017, 5:56pm MDT por Luiz Carlos Azenha

    por Heloisa Villela, de Nova York

    Um carro avança em direção a um grupo de pedestres. Corpos voam. Uma mulher de 32 anos morre no local.

    O veículo se choca com outros dois e em seguida arranca em marcha à ré com a frente destruída e foge. O motorista, de 20 anos, foi preso. Em qualquer lugar do mundo a cena seria descrita, por líderes locais e internacionais, com uma única palavra: terrorismo.

    O termo, usado e abusado na última década e meia, não foi pronunciado pelo presidente Donald Trump nem por seu Secretário de Justiça, Jeff Sessions.

    Depois de uma manhã confusa e explosiva na Virgínia, o presidente do twitter instantâneo só deu as caras depois da uma hora da tarde: “Nós condenamos de forma contundente essa demonstração escandalosa de ódio, intolerância e violência… de vários lados. Vários lados”.

    Foi o máximo que ele conseguiu dizer. Até o conhecido conservador da Flórida, senador Marco Rubio, cobrou. Disse que Trump precisa descrever o que aconteceu na Virgínia como um “ataque terrorista de um supremacista branco”.

    Trump passou ao largo de uma condenação mais explícita. Ele nunca teve um cargo público antes de se tornar presidente. Mas não é bobo.

    Para chegar à Casa Branca, Trump mobilizou essa base que agora aflora e teme o dia em que será minoria no país. De acordo com o censo americano, em outras três décadas, o número de brancos será menor do que o de todas as minorias somadas.

    A imagem chocante de um motorista arremessando o carro de encontro a pedestres não foi suficiente para Trump alienar a base que o sustenta. Ele não denunciou os grupos de ódio que parecem estar indo à forra agora, depois de oito anos da presidência de um negro norte-americano.

    Ouvi esse comentário várias vezes: “eles tiveram que engolir um negro na Casa Branca por oito anos, agora estão descontando”.

    O que será que Trump quis dizer quando afirmou: “isso vem acontecendo há muito tempo no nosso país. Não é Barack Obama. Não é Donald Trump. Isso vem acontecendo há muito, muito tempo”.

    E a frase jogada ao vento ficou ali, sem maiores explicações.

    Alt-right marcher shouting “Heil Trump.” pic.twitter.com/vAaXq5pFYc

    — Tom Perriello (@tomperriello) August 12, 2017

    No ano passado Trump recebeu o apoio de David Duke, ex-líder da Ku Klux Klan (pasmem, ainda existe nos Estados Unidos, em 2017), e nunca veio a público repudiar o apoio. Agora, ele pediu união, amor, patriotismo.

    Evitou uma crítica aberta aos supremacistas brancos. Ainda assim, David Duke, que estava em Charlottesville, botou mais lenha na fogueira com um recado claro nas mídias sociais: “Eu recomendo que você dê uma boa olhada no espelho e se lembre que foram os Brancos Americanos que te puseram na presidência e não os radicais de esquerda”.

    Dois grupos se enfrentaram nas ruas de Charlottesville durante toda a manhã e Trump condenou a violência de “vários lados”. Quantos lados ele conseguiu enxergar naquele embate? A polícia seria um terceiro? Os supremacistas brancos, neonazistas e membros da Ku Klux Klan desembarcaram na cidade da Virgínia preparados.

    Além do uniforme militar, eles tinham até escudos improvisados, capacetes e produtos químicos engarrafados para abrir caminho na marra.

    Eles prometiam unir a direita, “tomar a América de volta” e impedir que a Virgínia “nos substitua”, retirando dos espaços públicos os símbolos dos confederados.

    A polícia demorou a agir. Não criou um cordão de isolamento que separasse os dois grupos como fez em maio, em outra demonstração de força da ultra direita na cidade. No sábado, eles foram semicerrados dentro do parque. Se estivessem dentro de um quadrado, três lados estavam ocupados pela polícia.

    Havia uma única saída. E ao deixar o parque, eles estavam em rota de colisão com o protesto antirracista que vinha em direção oposta.

    A Secretaria Municipal de Segurança prometeu investigar a estratégia desastrosa empregada ali. Houve tempo de sobra para agressões até que a polícia entrasse para separar a briga.

    Há dois anos a prefeitura de Charlottesville discute se deve ou não retirar de uma das praças da cidade a estátua do general Robert E. Lee, o principal general dos confederados, o lado que perdeu a Guerra Civil americana no século XIX.

    Ele comandou as tropas do sul, que se recusavam a fazer parte da União e defendiam os estados de agricultura baseada no trabalho escravo. Conhecido pelas táticas agressivas que custaram muitas vidas aos confederados, Lee se recusou a manter o estado de insurreição permanente, como muitos queriam, quando perdeu a guerra.

    Ele se entregou e pediu a reconciliação do país. No sábado, montado no cavalo hoje verde de oxidação, ele assistiu velhas rusgas voltarem à tona e se enfrentarem no parque de onde está ameaçado ser expulso.

    Esse movimento de “limpeza” histórica começou em alguns estados do sul depois que Dylan Roof entrou em uma igreja de Charleston e matou nove negros.

    Supremacista branco convicto, ele confessou ter planejado o ataque com o objetivo de provocar uma guerra racial. Ele foi condenado à morte mas fez um acordo com a justiça. Admitiu todos os crimes e conseguiu a prisão perpétua em troca.

    A guerra que ele queria detonar vive há séculos nos porões da cultura americana. Latente, quando surge uma brecha ela vem à tona.

    Não é apenas Trump que precisa olhar no espelho e estudar com atenção a imagem que se reflete ali. O país se viu espelhado nas ruas de Charlottesville. E agora, América, o que fazer?

    PS do Viomundo: O motorista do automóvel foi identificado como James Alex Fields Jr., de 20 anos de idade, que viajou de Ohio até a Virginia para participar do comício da extrema-direita. Ele apareceu em fotos junto a um grupo denominado Vanguarda, de bolsonazis norte-americanos. O grupo nega que ele seja filiado. A jovem morta no ataque é Heather Heyer, que trabalhava num escritório de advocacia e se juntou à coleção de movimentos que se organizam no antifa, militantes antifacistas dos Estados Unidos. Durante o fim-de-semana, milícias fortemente armadas de extrema-direita (imagens abaixo) caminharam por Charlottsville sem serem importunadas (na Virginia é permitido carregar armas em público). Um perfil do twitter, @YesYoureRacist, fez um trabalho de identificação dos fascistas e conseguiu a demissão de um ao informar ao restaurante onde trabalhava sobre a presença dele na marcha neonazista.

    To be clear, these are NOT national guard but racist private militias posing as state actors to protect nazis and provoke. pic.twitter.com/PuoHNmXRpg

    — Tom Perriello (@tomperriello) August 12, 2017

    Unidentified militia has arrived at #EmancipationPark ahead of the #Charlottesville rally with guns in tow. pic.twitter.com/zCLCBU78PF

    — Craig Stanley (@_CraigStanley) August 12, 2017

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    A loucura de Trump obedece a um método e pode colocar fuzileiros navais na Amazônia

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Altamiro Borges

  • Link permanente para '“Vai dar merda com Michel”, diz Cunha. Será?'

    “Vai dar merda com Michel”, diz Cunha. Será?

    Postado: agosto 13, 2017, 4:27pm MDT
    Por Altamiro Borges

    No início de agosto, o relator da midiática Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, recebeu da Polícia Federal o relatório com transcrição de um diálogo em que os então deputados federais Eduardo Cunha e Henrique Alves, ambos do PMDB e ambos presos, tratavam do recebimento de propina do empresário Joesley Batista, da JBS. Na troca de mensagens, eles citaram expressamente o nome de Michel Temer, que teria ficado contrariado por perder parte da grana para uma outra ala da legenda. Na ocasião, meados de 2012, Eduardo Cunha disse que o desvio da propina daria problemas no futuro. “Ele [Joesley] vai tirar o de São Paulo para dar a você [Henrique Alves]? Isso vai dar merda com o Michel”.

    A gravação é mais uma prova do envolvimento direto do então vice-presidente da República nas negociatas de corrupção com o presidente da JBS. A Polícia Federal extraiu a troca de mensagens entre os peemedebistas do celular de Eduardo Cunha. Ela confirma que a quadrilha chefiada por Michel Temer tinha divergências sobre a distribuição da grana roubada. A transcrição do diálogo, porém, teve pouca repercussão na mídia chapa-branca e sumiu rapidamente do noticiário. E tudo indica que se depender da imprensa venal e do próprio Judiciário, “o chefe da maior organização criminosa da história do país” seguirá impune. Afinal, a operação abafa, visando “estancar a sangria” das investigações de corrupção, está em pleno curso.

    Operação para estancar a sangria

    Nesta semana, a revista Época deu duas notinhas que confirmam esta hipótese. A primeira, assinada por Murilo Ramos, revela que “as negociações da Procuradoria-Geral da República (PGR) para a delação premiada do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha estão encerradas. Cunha, reclamam os procuradores envolvidos, é incapaz de reconhecer sua participação em falcatruas na Petrobras. O peemedebista também poupa políticos próximos a ele e não consegue provar as acusações que faz contra o presidente da República. Na semana passada, a coluna revelou que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, classificara a proposta de delação de Cunha como ‘biscoito de polvilho’ porque só fazia barulho”.

    A segunda nota, assinada pelo jornalista Marcelo Rocha, reforçou ainda mais esta hipótese. “Desânimo é a palavra entre os procuradores da República sobre as negociações com o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. Mais uma semana caminha para ser encerrada sem um avanço significativo nas tratativas. Os investigadores avaliam que as informações colocadas no papel pelo peemedebista não se sustentam”. Pelo andar da carruagem, “não vai dar merda com o Michel” – ao contrário do que previu o correntista suíço. A cloaca empresarial, que financiou o golpe dos corruptos que alçou ao poder a quadrilha de Michel Temer, respira aliviada. O desmonte neoliberal do Estado, da nação e do trabalho segue a todo vapor.

    A lista dos deputados bandidos

    A operação-abafa também deixa aliviado dezenas de deputados bandidos. Em recente depoimento, o executivo Ricardo Saud, delator da JBS, garantiu que daria os nomes e os valores recebidos pelos parlamentares para apoiar a eleição de Eduardo Cunha para a presidência da Câmara Federal, em fevereiro de 2015. Na ocasião, o atual presidiário foi eleito com 267 votos, derrotando o petista Arlindo Chinaglia, que teve 136 votos. Na época da votação, Ricardo Saud atuava como lobista da JBS no Congresso Nacional e teria sido o responsável por fazer o repasse da propina. Os pagamentos diretos, em dinheiro vivo, representariam R$ 12 milhões dos cerca de R$ 30 milhões desembolsados pelo grupo para dar suporte a Eduardo Cunha.

    Em sua delação premiada, o próprio Joesley Batista já havia afirmado que o grupo empresarial atendeu ao pedido de Eduardo Cunha, que em 2014 solicitou R$ 30 milhões para se eleger presidente da Câmara Federal. “Dos levantamentos nossos, pelo que eu entendi, ele saiu comprando um monte de deputado Brasil afora”, garantiu. Ele também detalhou que o valor foi pago da seguinte forma: R$ 5,6 milhões por meio de doação oficial ao PMDB e correligionários indicados por Eduardo Cunha; R$ 10,9 milhões por meio de pagamentos de notas frias em setembro e outubro de 2014; e R$ 12 milhões em dinheiro vivo. A diferença de R$ 1,5 milhão entre a soma desses três valores e os R$ 30 milhões citados não foi explicada.

    Mas, ao que tudo indica, a esperada delação de Eduardo Cunha “não vai dar em merda” nem para Michel Temer e nem para os picaretas do Congresso Nacional. A conferir!

    *****
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  • Link permanente para 'PSDB sofre penhora por dívidas de Serra'

    PSDB sofre penhora por dívidas de Serra

    Postado: agosto 13, 2017, 1:34pm MDT
    Por Altamiro Borges

    O PSDB está vivendo o seu inferno astral. O partido que ajudou a promover o “golpe dos corruptos” pensava que a quadrilha de Michel Temer seria apenas uma “pinguela” que facilitaria o seu assalto ao poder – já que nas urnas a sigla foi derrotada nas quatro últimas eleições presidenciais. Mas o plano golpista deu chabu. Os postulantes tucanos estão na rabeira em todas as pesquisas. Para piorar, as bicadas no ninho são cada dia mais sangrentas. Geraldo Alckmin foi traído por sua criatura, o prefake João Doria. Aécio Neves até que se livrou da cadeia, com a ajuda dos seus amigos da Polícia Federal e do Judiciário, mas virou pó e não aspira mais nada na sua carreira. E o eterno candidato José Serra? Este deu calote até em suas contas de campanha.

    Segundo matéria da Folha desta sexta-feira (11), “a Justiça de São Paulo determinou a penhora de 30% do faturamento dos diretórios estadual e municipal do PSDB por conta das dívidas de campanha de José Serra a prefeito em 2012. A apreensão dos valores foi solicitada pela empresa Campanhas Comunicação Ltda, do marqueteiro Luiz Gonzalez, que afirma ter R$ 8,4 milhões a receber por serviços prestados naquela eleição. Considerando juros, correção monetária, multa e honorários advocatícios, a empresa teria um crédito a receber de R$ 21,5 milhões. A penhora foi determinada pelo juiz Mario Chiuvite Junior, da 22ª Vara Civil, e confirmada pelo Tribunal de Justiça, que não aceitou o recurso impetrado pelo partido”.

    “Além da penhora do faturamento, a Justiça aplicou uma multa de 10% sobre o valor atualizado do débito por considerar que o PSDB praticou ‘ato atentatório à dignidade da Justiça’ ao descumprir ordem judicial para indicar bens a serem penhorados para a quitação da dívida”. O advogado dos tucanos, Guilherme Ruiz Neto, afirma que estas sentenças foram arbitrárias: “O partido tem o direito de se valer de todos os meios legais para defender seus interesses. A multa representa um cerceamento ao direito de defesa”. José Serra perdeu a eleição de 2012 para Fernando Haddad no segundo turno. O processo foi aberto em 2015 depois que o PSDB parou de pagar as prestações acordadas e as negociações para a retomada foram interrompidas.

    Na sequência, as bicadas ficaram ainda mais violentas no ninho. A defesa do “Careca” – como o grão-tucano foi batizado nas planilhas de propina da Odebrecht – alega que os diretórios municipal e estadual do PSDB são responsáveis pela dívida. Já a direção do partido argumenta que o comitê financeiro da campanha de José Serra gozava de total autonomia na realização de gastos, “sendo o único órgão responsável pelas dívidas”. Mas o juiz Luis Felipe Ferrari Bendeli, da 22ª Vara Cível, não aceitou a desculpa dos caloteiros. “Os comitês financeiros das campanhas não são pessoas jurídicas dotadas de personalidade própria, mas meros entes despersonalizados criados com a destinação única de fazer a movimentação financeira da campanha”. Na sua sentença, ele concluiu que “as dívidas são contraídas em nome do candidato e do partido”.

    Em tempo: Atualmente, ninguém mais se entende no poleiro sujo dos tucanos. João Doria, Geraldo Alckmin, Aécio Neves e José Serra se odeiam e querem se matar. A briga atingiu até o instituto da sigla, segundo uma notinha postada na revista Época nesta sexta-feira (11): “Não é conveniente convidar o presidente do PSDB, o senador Tasso Jereissati (CE), e o presidente do Instituto Teotônio Vilela (ITV), José Aníbal, para o mesmo evento. Aníbal ficou furioso ao saber que Jereissati tem pretensões de tirá-lo do comando do instituto, que é a fundação ligada ao partido. Aníbal diz para quem quiser ouvir que não sai de lá. Pelo jeito, não é só a disputa entre o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o prefeito de São Paulo, João Doria, que anima o ninho tucano”.

    *****

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  • Link permanente para 'O apoio dos EUA ao golpe e à Lava-Jato'

    O apoio dos EUA ao golpe e à Lava-Jato

    Postado: agosto 13, 2017, 1:21pm MDT
    Por Miguel do Rosário, no blog Cafezinho:



    Só hoje tive a oportunidade de assistir a esta importantíssima entrevista de Julian Assange ao blog Nocaute, do Fernando Morais. É de janeiro deste ano, mas continua absolutamente atual.

    Eu gostaria de chamar atenção para os comentários de Assange sobre a nomeação de um executivo da Exxon para o cargo de Secretário de Estado da Casa Branca.

    A Lava Jato, eixo judicial do golpe no Brasil, atacou diretamente a Petrobrás e a indústria brasileira de derivados de petróleo. A consequência mais direta foi o aumento brutal das importações de diesel dos EUA.

    Os EUA se tornaram, há alguns anos, os maiores exportadores mundiais de derivados de petróleo, conforme mostramos aqui no Cafezinho, usando dados oficiais do próprio governo americano.

    Sugerimos também que o internauta dê uma olhada nesse post, em que mostramos como os EUA estão assumindo o controle das empresas brasileiras.

    Voltando a entrevista de Assange, ela serve para entendermos como os interesses da indústria norte-americana de petróleo ainda tem papel central na política externa imperialista dos EUA, o que explica o apoio que os EUA deram à Lava Jato.

    O nosso procurador-geral da república, Rodrigo Janot, assim como vários outros procuradores da Lava Jato e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), tem feito viagens recorrentes aos EUA, participando de palestras no Wilson Center e outros lugares. O sentido político desses encontros é sempre reforçar e legitimar a Lava Jato.

    Janot, inclusive, fez reuniões a portas fechadas com autoridades do Departamento de Estado e do Departamento de Justiça do governo americano.

    A PGR brasileira lidera um movimento internacional para destruir quase todas as indústrias nacionais do setor de energia. Procuradores de outros países tem sido convidados ao Brasil para receberem informações contra a Odebrecht e contra a Petrobrás.

    Em nome de uma farsa incrível, vendida como luta contra a corrupção, Sergio Moro e procuradores da Lava Jato ajudaram a destruir empresas brasileiras, e a entregar o Brasil às empresas mais corruptas e criminosas do planeta, como são as petroleiras norte-americanas, disfarçadas ou não através dos fundos que estão comprando os pedaços da Petrobrás, Odebrecht e demais companhias nacionais.

    A ameaça militar dos EUA à Venezuela também ajuda a explicar o golpe no Brasil. Se tivéssemos um governo eleito, soberano, o nosso Itamaraty iria se insurgir imediatamente contra as agressões de Trump a um de nossos vizinhos, grande parceiro comercial nosso.

    Com Michel Temer e o PSDB no poder, os EUA podem ficar tranquilos. O governo golpista é capacho dos interesses econômicos e políticos dos EUA, ao mesmo tempo em que despreza os interesses econômicos e sociais do próprio Brasil.
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    Internet sob ataque do governo Temer

    Postado: agosto 13, 2017, 1:13pm MDT
    Por Adriana Delorenzo, na revista Fórum:
    O Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) lançou na última semana uma consulta pública para avaliar mudanças no Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). A medida surpreendeu ativistas e os próprios membros do órgão. Após a publicação, a Coalizão Direitos na Rede, que reúne instituições e ativistas em defesa da internet livre e aberta no Brasil, divulgou uma nota de repúdio à consulta convocada “de forma unilateral e sem qualquer diálogo prévio” no interior do órgão. Segundo a nota, “é repudiável que um processo diretamente relacionado à governança da internet seja travestido de consulta pública sem que as linhas orientadoras para sua revisão tenham sido debatidas antes, internamente, pelo próprio CGI.br”.

    O membro do CGI, Sergio Amadeu da Silveira, professor da UFABC e doutor em Ciência Política pela USP, acredita que essa consulta da forma que foi lançada reforça boatos de que o governo queira abrir espaço para as empresas de telefonia no órgão. O modelo do Comitê é elogiado em diversos países do mundo justamente por sua composição com representantes de todos os segmentos – governo, comunidade científica, terceiro setor, empresas e representantes de notório saber. Em entrevista à Fórum, Silveira fala sobre os riscos da consulta. Leia a seguir.

    Quais são os riscos dessa consulta pública que o governo Temer publicou?

    Primeiro que ela tem um desvio de origem completamente inaceitável, porque o Comitê Gestor da Internet é um órgão multissetorial, onde o governo é dos quatro setores que o compõem.

    Desde a sua fundação, o governo nunca tratou de nada relativo à internet desconhecendo o Comitê Gestor. E o que ele fez agora: para discutir a própria reorganização do CGI, unilateralmente, chama uma consulta sem ter discutido com o próprio Comitê.

    Além de ser um desrespeito ao modelo multissetorial ou “multistakeholder”, que é aclamado no mundo inteiro, se fosse séria a intenção de uma consulta pública, o melhor lugar para fazê-la seria dentro do próprio Comitê. O órgão tem muito mais legitimidade do que o governo.

    A terceira grande questão é que esse tipo de consulta feita à revelia do Comitê Gestor, feita por um secretário de Política de Informática do governo. Isso acaba intensificando os boatos de que o governo queria apenas abrir um espaço para que um setor da economia poderoso – que é o das teles – sugira a subordinação da governança da internet à Anatel. Esse boato passa a ser, na verdade, um indício, o que é um absurdo.

    Questões como a neutralidade da rede e o Marco Civil da Internet estão ameaçadas?

    Estão ameaçadas por esse governo independente dessa consulta pública. O que é importante colocar é que o Comitê Gestor da Internet é um órgão técnico, multissetorial, que sempre foi fundamental para a aprovação de uma pauta progressista e democrática em relação à internet no Brasil. Ele ajudou a não termos uma lei descabida sobre crimes de internet, foi fundamental para aprovar o Marco Civil, para evitar a quebra de neutralidade na rede, para evitar o “zero rating”.

    O CGI é um caso bem-sucedido de gestão de recursos. Os recursos do Registro.br são aplicados na melhoria da gestão da internet no Brasil. É um caso de sucesso, é superavitário, tem um sistema de governança de gestão que é “multistakeholder”, onde os representantes de cada segmento são eleitos pelos próprios segmentos.

    Seria interessante que o governo, se esses boatos não são verdadeiros, retirasse a consulta. Não tem o menor sentido essa medida atabalhoada. Deveria retirar e discutir no Comitê Gestor como realizá-la de uma maneira propositiva e correta.

    No dia 18 terá uma reunião, o governo podia ter esperado e ter discutido com o Comitê, e seria certamente sugerido que a consulta fosse no espaço do próprio CGI, que é muito mais amplo do que um governo que não foi eleito.

    Depois da reunião já convocada, fomos surpreendidos com essa consulta pelo governo sobre a estrutura do órgão. Assunto que não tinha sido colocado em nenhum momento.

    Seria uma tentativa de enfraquecer o CGI?

    Esse é o objetivo. Existe há muito tempo alguns membros desse atual governo e funcionários da Anatel que têm dito que a governança da internet deveria ser passada para a Anatel. É um grande problema porque o CGI defende os usuários da internet pela sua própria composição, já a Anatel é discutível, é só vermos como ela se comporta em relação às empresas que deveria fiscalizar.

Blog do Mello

Eduardo Maçan

Blog do Mello

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    Com chegada dos tucanos ao poder, Governo anuncia congelamento de salário dos servidores já no ano que vem

    Postado: agosto 13, 2017, 12:37pm MDT

    Os tucanos entraram de corpo e alma no governo do golpista Temer com sua marca registrada: o horror aos funcionários públicos. Durante seis anos do governo FHC, os funcionários públicos ficaram seu aumento, o que só ocorreu em 2001 por uma determinação do STF, ao julgar ação do PT e do PDT:

    No fim de 2001 — após seis anos sem conceder aumento aos servidores, e depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) determinar o reajuste salarial, em abril daquele ano, ao julgar ação direta de inconstitucionalidade (Adin) proposta pelo PT e pelo PDT —, FH daria um reajuste linear de 3,5%. Ainda naquele ano, porém, o governo precisaria enfrentar uma greve das universidades federais. Iniciada em agosto, durou mais de 80 dias. Com a política de valorização do funcionalismo público no governo Lula, a partir de 2003 a categoria teve uma evolução salarial acima da inflação. [Fonte: O Globo] 

    Segunda a Folha, com o congelamento de salários dos funcionários o governo pretende economizar R$ 9,8 bilhões, quantia que deve usar para comprar novamente deputados em próximas votações.

    Serão atingidos professores, militares, policiais, auditores da Receita Federal, peritos do INSS, diplomatas e oficiais de chancelaria e carreiras jurídicas. Outras categorias poderão ser incluídas. Além disso, o salário inicial de novos servidores ficará restrito a R$ 5.000 e haverá corte de benefícios como auxílio-moradia e ajuda de custo em casos de remoção.[Fonte: Folha]

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Altamiro Borges

  • Link permanente para 'Golpe e Lava-Jato são irmãos siameses'

    Golpe e Lava-Jato são irmãos siameses

    Postado: agosto 13, 2017, 12:32pm MDT
    Da Rede Brasil Atual:

    Na fase final do julgamento simbólico da Operação Lava Jato, que ocorre nesta sexta-feira (11) em Curitiba, o jornalista e escritor Fernando Morais condenou também a mídia brasileira e viu relação direta entre a força-tarefa e o processo que culminou com o impeachment de Dilma Rousseff, no ano passado. "Cada dia mais me convenço que há uma implicação, uma ligação radical entre o golpe de Estado e a Lava Jato", afirmou. "São irmãos siameses, são xipófagos, uma coisa não teria acontecido sem a outra, uma dependeu da outra."

    Para ele, o tribunal popular organizado hoje pode ser um "aperitivo", já que em algum momento os responsáveis pela Lava Jato serão "julgados pela história". Tanto o golpe como a operação, acrescenta, resultaram do que os advogados chamam de societa celeris: "Um grupo de pessoa que se junta para cometer delitos".

    Morais observa que é injusto falar da Lava Jato sem considerar o papel do Judiciário, do Ministério Público e da chamada "grande imprensa" brasileira. "A mídia que hoje está aí atuando, que defende o que eles chamam de reformas, é a mesma que levou Getúlio ao suicídio em 1954, que não queria deixar Juscelino assumir a Presidência, que apoiou dois golpe de Estado contra Juscelino", afirmou, citando ainda as ações contra João Goulart. A atual seria uma espécie de "UDN empobrecida", sem personagens como Carlos Lacerda.

    Mas seguem atuantes, diz o jornalista. Desde o período do golpe, por exemplo, as três principais revistas brasileiras concentraram forças contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foram, segundo ele, 22 capas de Veja, 29 de IstoÉ e 12 de Época. "Em qualquer lugar do planeta, a imprensa está a serviços dos interesses e das ideologias de quem paga as contas no final do mês."

    Para ele, em alguns aspectos a situação política atual é pior que a ditadura de 1964, sem tanques nas ruas, mas "muito mais dissimulado". Os militares cometeram crimes bárbaros, diz Fernando Morais, "mas não tocaram na soberania nacional".

    A organização popular é pequena, avalia Morais, citando MST (sem-terra), MTST (sem-teto) e "duas ou três centrais sindicais", e por isso o caminho será logo. O primeiro passo é repetir pelo Brasil o que está sendo feito hoje em Curitiba. "Se a OAB (do Paraná) fechou as portas da sua sede para que pudéssemos fazer este ato, vamos fazer no MST, no sindicato, na UNE, e se não der pra fazer em lugar nenhum fazemos na rua", afirmou, antes de votar, como jurado, "pela condenação da Lava Jato e da mídia".
  • Link permanente para 'Direita dos EUA financia fascistas do MBL'

    Direita dos EUA financia fascistas do MBL

    Postado: agosto 13, 2017, 12:28pm MDT
    Por Lee Fang, no site The Intercept-Brasil:

    Para Alejandro Chafuen, a reunião desta primavera no Brick Hotel, em Buenos Aires, foi tanto uma volta para casa quanto uma volta olímpica. Chafuen, um esguio argentino-americano, passou a vida adulta se dedicando a combater os movimentos sociais e governos de esquerda das Américas do Sul e Central, substituindo-os por uma versão pró-empresariado do libertarianismo.

    Ele lutou sozinho durante décadas, mas isso está mudando. Chafuen estava rodeado de amigos no Latin America Liberty Forum 2017. Essa reunião internacional de ativistas libertários foi patrocinada pela Atlas Economic Research Foundation, uma organização sem fins lucrativos conhecida como Atlas Network (Rede Atlas), que Chafuen dirige desde 1991. No Brick Hotel, ele festejou as vitórias recentes; seus anos de trabalho estavam começando a render frutos – graças às circunstâncias políticas e econômicas e à rede de ativistas que Chafuen se esforçou tanto para criar.

    Nos últimos 10 anos, os governos de esquerda usaram “dinheiro para comprar votos, para redistribuir”, diz Chaufen, confortavelmente sentado no saguão do hotel. Mas a recente queda do preço das commodities, aliada a escândalos de corrupção, proporcionou uma oportunidade de ação para os grupos da Atlas Network. “Surgiu uma abertura – uma crise – e uma demanda por mudanças, e nós tínhamos pessoas treinadas para pressionar por certas políticas”, observa Chafuen, parafraseando o falecido Milton Friedman. “No nosso caso, preferimos soluções privadas aos problemas públicos”, acrescenta.

    Chafuen cita diversos líderes ligados à Atlas que conseguiram ganhar notoriedade: ministros do governo conservador argentino, senadores bolivianos e líderes do Movimento Brasil Livre (MBL), que ajudaram a derrubar a presidente Dilma Rousseff – um exemplo vivo dos frutos do trabalho da rede Atlas, que Chafuen testemunhou em primeira mão.

    “Estive nas manifestações no Brasil e pensei: ‘Nossa, aquele cara tinha uns 17 anos quando o conheci, e agora está ali no trio elétrico liderando o protesto. Incrível!’”, diz, empolgado. É a mesma animação de membros da Atlas quando o encontram em Buenos Aires; a tietagem é constante no saguão do hotel. Para muitos deles, Chafuen é uma mistura de mentor, patrocinador fiscal e verdadeiro símbolo da luta por um novo paradigma político em seus países.




    Uma guinada à direita está em marcha na política latino-americana, destronando os governos socialistas que foram a marca do continente durante boa parte do século XXI – de Cristina Kirchner, na Argentina, ao defensor da reforma agrária e populista Manuel Zelaya, em Honduras –, que implementaram políticas a favor dos pobres, nacionalizaram empresas e desafiaram a hegemonia dos EUA no continente.

    Essa alteração pode parecer apenas parte de um reequilíbrio regional causado pela conjuntura econômica, porém a Atlas Network parece estar sempre presente, tentando influenciar o curso das mudanças políticas.

    A história da Atlas Network e seu profundo impacto na ideologia e no poder político nunca foi contada na íntegra. Mas os registros de suas atividades em três continentes, bem como as entrevistas com líderes libertários na América Latina, revelam o alcance de sua influência. A rede libertária, que conseguiu alterar o poder político em diversos países, também é uma extensão tácita da política externa dos EUA – os think tanks associados à Atlas são discretamente financiados pelo Departamento de Estado e o National Endowment for Democracy (Fundação Nacional para a Democracia – NED), braço crucial do soft power norte-americano.


    Embora análises recentes tenham revelado o papel de poderosos bilionários conservadores – como os irmãos Koch – no desenvolvimento de uma versão pró-empresariado do libertarianismo, a Atlas Network – que também é financiada pelas fundações Koch – tem usado métodos criados no mundo desenvolvido, reproduzindo-os em países em desenvolvimento.

    A rede é extensa, contando atualmente com parcerias com 450 think tanks em todo o mundo. A Atlas afirma ter gasto mais de US$ 5 milhões com seus parceiros apenas em 2016.

    Ao longo dos anos, a Atlas e suas fundações caritativas associadas realizaram centenas de doações para think tanks conservadores e defensores do livre mercado na América Latina, inclusive a rede que apoiou o Movimento Brasil Livre (MBL) e organizações que participaram da ofensiva libertária na Argentina, como a Fundação Pensar, um think tank da Atlas que se incorporou ao partido criado por Mauricio Macri, um homem de negócios e atual presidente do país. Os líderes do MBL e o fundador da Fundação Eléutera – um think tank neoliberal extremamente influente no cenário pós-golpe hondurenho – receberam financiamento da Atlas e fazem parte da nova geração de atores políticos que já passaram pelos seus seminários de treinamento.

    A Atlas Network conta com dezenas de think tanks na América Latina, inclusive grupos extremamente ativos no apoio às forças de oposição na Venezuela e ao candidato de centro-direita às eleições presidenciais chilenas, Sebastián Piñera.

    Em nenhum outro lugar a estratégia da Atlas foi tão bem sintetizada quanto na recém-formada rede brasileira de think tanks de defesa do livre mercado. Os novos institutos trabalham juntos para fomentar o descontentamento com as políticas socialistas; alguns criam centros acadêmicos enquanto outros treinam ativistas e travam uma guerra constante contra as ideias de esquerda na mídia brasileira.

    O esforço para direcionar a raiva da população contra a esquerda rendeu frutos para a direita brasileira no ano passado. Os jovens ativistas do MBL – muitos deles treinados em organização política nos EUA – lideraram um movimento de massa para canalizar a o descontentamento popular com um grande escândalo de corrupção para desestabilizar Dilma Rousseff, uma presidente de centro-esquerda. O escândalo, investigado por uma operação batizada de Lava-Jato, continua tendo desdobramentos, envolvendo líderes de todos os grandes partidos políticos brasileiros, inclusive à direita e centro-direita. Mas o MBL soube usar muito bem as redes sociais para direcionar a maior parte da revolta contra Dilma, exigindo o seu afastamento e o fim das políticas de bem-estar social implementadas pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

    A revolta – que foi comparada ao movimento Tea Party devido ao apoio tácito dos conglomerados industriais locais e a uma nova rede de atores midiáticos de extrema-direita e tendências conspiratórias – conseguiu interromper 13 anos de dominação do PT ao afastar Dilma do cargo por meio de um impeachment em 2016.

    O cenário político do qual surgiu o MBL é uma novidade no Brasil. Havia no máximo três think tanks libertários em atividade no país dez anos atrás, segundo Hélio Beltrão, um ex-executivo de um fundo de investimentos de alto risco que agora dirige o Instituto Mises, uma organização sem fins lucrativos que recebeu o nome do filósofo libertário Ludwig von Mises. Ele diz que, com o apoio da Atlas, agora existem cerca de 30 institutos agindo e colaborando entre si no Brasil, como o Estudantes pela Liberdade e o MBL.

    “É como um time de futebol; a defesa é a academia, e os políticos são os atacantes. E já marcamos alguns gols”, diz Beltrão, referindo-se ao impeachment de Dilma. O meio de campo seria “o pessoal da cultura”, aqueles que formam a opinião pública.

    Beltrão explica que a rede de think tanks está pressionando pela privatização dos Correios, que ele descreve como “uma fruta pronta para ser colhida” e que pode conduzir a uma onda de reformas mais abrangentes em favor do livre mercado. Muitos partidos conservadores brasileiros acolheram os ativistas libertários quando estes demonstraram que eram capazes de mobilizar centenas de milhares de pessoas nos protestos contra Dilma, mas ainda não adotaram as teorias da “economia do lado da oferta”.


    Fernando Schüler, acadêmico e colunista associado ao Instituto Millenium – outro think tank da Atlas no Brasil – tem uma outra abordagem. “O Brasil tem 17 mil sindicatos pagos com dinheiro público. Um dia de salário por ano vai para os sindicatos, que são completamente controlados pela esquerda”, diz. A única maneira de reverter a tendência socialista seria superá-la no jogo de manobras políticas. “Com a tecnologia, as pessoas poderiam participar diretamente, organizando – no WhatsApp, Facebook e YouTube – uma espécie de manifestação pública de baixo custo”, acrescenta, descrevendo a forma de mobilização de protestos dos libertários contra políticos de esquerda.

    Os organizadores das manifestações anti-Dilma produziram uma torrente diária de vídeos no YouTube para ridicularizar o governo do PT e criaram um placar interativo para incentivar os cidadãos a pressionarem seus deputados por votos de apoio ao impeachment.

    Schüler notou que, embora o MBL e seu próprio think tank fossem apoiados por associações industriais locais, o sucesso do movimento se devia parcialmente à sua não identificação com partidos políticos tradicionais, em sua maioria vistos com maus olhos pela população. Ele argumenta que a única forma de reformar radicalmente a sociedade e reverter o apoio popular ao Estado de bem-estar social é travar uma guerra cultural permanente para confrontar os intelectuais e a mídia de esquerda.

    Um dos fundadores do Instituto Millenium, o blogueiro Rodrigo Constantino, polariza a política brasileira com uma retórica ultrassectária. Constantino, que já foi chamado de “o Breitbart brasileiro” devido a suas teorias conspiratórias e seus comentários de teor radicalmente direitistas, é presidente do conselho deliberativo de outro think tank da Atlas – o Instituto Liberal. Ele enxerga uma tentativa velada de minar a democracia em cada movimento da esquerda brasileira, do uso da cor vermelha na logomarca da Copa do Mundo ao Bolsa Família, um programa de transferência de renda.


    Constantino é considerado o responsável pela popularização de uma narrativa segundo a qual os defensores do PT seriam uma “esquerda caviar”, ricos hipócritas que abraçam o socialismo para se sentirem moralmente superiores, mas que na realidade desprezam as classes trabalhadoras que afirmam representar.

    A “breitbartização” do discurso é apenas uma das muitas formas sutis pelas quais a Atlas Network tem influenciado o debate político.

    “Temos um Estado muito paternalista. É incrível. Há muito controle estatal, e mudar isso é um desafio de longo prazo”, diz Schüler, acresentando que, apesar das vitórias recentes, os libertários ainda têm um longo caminho pela frente no Brasil. Ele gostaria de copiar o modelo de Margaret Thatcher, que se apoiava em uma rede de think tanks libertários para implementar reformas impopulares. “O sistema previdenciário é absurdo, e eu privatizaria toda a educação”, diz Schüler, pondo-se a recitar toda a litania de mudanças que faria na sociedade, do corte do financiamento a sindicatos ao fim do voto obrigatório.

    Mas a única maneira de tornar tudo isso possível, segundo ele, seria a formação de uma rede politicamente engajada de organizações sem fins lucrativos para defender os objetivos libertários. Para Schüler, o modelo atual – uma constelação de think tanks em Washington sustentada por vultosas doações – seria o único caminho para o Brasil.

    E é exatamente isso que a Atlas tem se esforçado para fazer. Ela oferece subvenções a novos think tanks e cursos sobre gestão política e relações públicas, patrocina eventos de networking no mundo todo e, nos últimos anos, tem estimulado libertários a tentar influenciar a opinião pública por meio das redes sociais e vídeos online.

    Uma competição anual incentiva os membros da Atlas a produzir vídeos que viralizem no YouTube promovendo o laissez-faire e ridicularizando os defensores do Estado de bem-estar social. James O’Keefe, provocador famoso por alfinetar o Partido Democrata americano com vídeos gravados em segredo, foi convidado pela Atlas para ensinar seus métodos. No estado americano do Wisconsin, um grupo de produtores que publicava vídeos na internet para denegrir protestos de professores contra o ataque do governador Scott Walker aos sindicatos do setor público também compartilharam sua experiência nos cursos da Atlas.


    Em uma de suas últimas realizações, a Atlas influenciou uma das crises políticas e humanitárias mais graves da América Latina: a venezuelana. Documentos obtidos graças ao “Freedom of Information Act” (Lei da Livre Informação, em tradução livre) por simpatizantes do governo venezuelano – bem como certos telegramas do Departamento de Estado dos EUA vazados por Chelsea Manning – revelam uma complexo tentativa do governo americano de usar os think tanks da Atlas em uma campanha para desestabilizar o governo de Hugo Chávez.

    Em 1998, a CEDICE Libertad – principal organização afiliada à Atlas em Caracas, capital da Venezuela – já recebia apoio financeiro do Center for International Private Enterprise (Centro para a Empresa Privada Internacional – CIPE). Em uma carta de financiamento do NED, os recursos são descritos como uma ajuda para “a mudança de governo”. O diretor da CEDICE foi um dos signatários do controverso “Decreto Carmona” em apoio ao malsucedido golpe militar contra Chávez em 2002.

    Um telegrama de 2006 descrevia a estratégia do embaixador americano, William Brownfield, de financiar organizações politicamente engajadas na Venezuela: “1) Fortalecer instituições democráticas; 2) penetrar na base política de Chávez; 3) dividir o chavismo; 4) proteger negócios vitais para os EUA, e 5) isolar Chávez internacionalmente.”

    Na atual crise venezuelana, a CEDICE tem promovido a recente avalanche de protestos contra o presidente Nicolás Maduro, o acossado sucessor de Chávez. A CEDICE está intimamente ligada à figura da oposicionista María Corina Machado, uma das líderes das manifestações em massa contra o governo dos últimos meses. Machado já agradeceu publicamente à Atlas pelo seu trabalho. Em um vídeo enviado ao grupo em 2014, ela diz: “Obrigada à Atlas Network e a todos os que lutam pela liberdade.”Em 2014, a líder opositora María Corina Machado agradeceu à Atlas pelo seu trabalho: “Obrigada à Atlas Network e a todos os que lutam pela liberdade.”

    No Latin America Liberty Forum, organizado pela Atlas Network em Buenos Aires, jovens líderes compartilham ideias sobre como derrotar o socialismo em todos os lugares, dos debates em campi universitários a mobilizações nacionais a favor de um impeachment.

    Em uma das atividades do fórum, “empreendedores” políticos de Peru, República Dominicana e Honduras competem em um formato parecido com o programa Shark Tank, um reality show americano em que novas empresas tentam conquistar ricos e impiedosos investidores. Mas, em vez de buscar financiamento junto a um painel de capitalistas de risco, esses diretores de think tanks tentam vender suas ideias de marketing político para conquistar um prêmio de US$ 5 mil. Em outro encontro, debatem-se estratégias para atrair o apoio do setor industrial às reformas econômicas. Em outra sala, ativistas políticos discutem possíveis argumentos que os “amantes da liberdade” podem usar para combater o crescimento do populismo e “canalizar o sentimento de injustiça de muitos” para atingir os objetivos do livre mercado.

    Um jovem líder da Cadal, um think tank de Buenos Aires, deu a ideia de classificar as províncias argentinas de acordo com o que chamou de “índice de liberdade econômica” – levando em conta a carga tributária e regulatória como critérios principais –, o que segundo ela geraria um estímulo para a pressão popular por reformas de livre mercado. Tal ideia é claramente baseada em estratégias similares aplicadas nos EUA, como o Índice de Liberdade Econômica da Heritage Foundation, que classifica os países de acordo com critérios como política tributária e barreiras regulatórias aos negócios.

    Os think tanks são tradicionalmente vistos como institutos independentes que tentam desenvolver soluções não convencionais. Mas o modelo da Atlas se preocupa menos com a formulação de novas soluções e mais com o estabelecimento de organizações políticas disfarçadas de instituições acadêmicas, em um esforço para conquistar a adesão do público.

    As ideias de livre mercado – redução de impostos sobre os mais ricos; enxugamento do setor público e privatizações; liberalização das regras de comércio e restrições aos sindicatos – sempre tiveram um problema de popularidade. Os defensores dessa corrente de pensamento perceberam que o eleitorado costuma ver essas ideias como uma maneira de favorecer as camadas mais ricas. E reposicionar o libertarianismo econômico como uma ideologia de interesse público exige complexas estratégias de persuasão em massa.

    Mas o modelo da Atlas, que está se espalhando rapidamente pela América Latina, baseia-se em um método aperfeiçoado durante décadas de embates nos EUA e no Reino Unido, onde os libertários se esforçaram para conter o avanço do Estado de bem-estar social do pós-guerra.

    Mapa das organizações da rede Atlas na América do Sul.

    Antony Fisher, empreendedor britânico e fundador da Atlas Network, é um pioneiro na venda do libertarianismo econômico à opinião pública. A estratégia era simples: nas palavras de um colega de Fisher, a missão era “encher o mundo de think tanks que defendam o livre mercado”.

    A base das ideias de Fisher vêm de Friedrich Hayek, um dos pais da defesa do Estado mínimo. Em 1946, depois de ler um resumo do livro seminal de Hayek, O Caminho da Servidão, Fisher quis se encontrar com o economista austríaco em Londres. Segundo seu colega John Blundell, Fisher sugeriu que Hayek entrasse para a política. Mas Hayek se recusou, dizendo que uma abordagem de baixo para cima tinha mais chances de alterar a opinião pública e reformar a sociedade.

    Enquanto isso, nos Estados Unidos, outro ideólogo do livre mercado, Leonard Read, chegava a conclusões parecidas depois de ter dirigido a Câmara de Comércio de Los Angeles, onde batera de frente com o sindicalismo. Para deter o crescimento do Estado de bem-estar social, seria necessária uma ação mais elaborada no sentido de influenciar o debate público sobre os destinos da sociedade, mas sem revelar a ligação de tal estratégia com os interesses do capital.

    Fisher animou-se com uma visita à organização recém-fundada por Read, a Foundation for Economic Education (Fundação para a Educação Econômica – FEE), em Nova York, criada para patrocinar e promover as ideias liberais. Nesse encontro, o economista libertário F.A. Harper, que trabalhava na FEE à epoca, orientou Fisher sobre como abrir a sua própria organização sem fins lucrativos no Reino Unido.

    Durante a viagem, Fisher e Harper foram à Cornell University para conhecer a última novidade da indústria animal: 15 mil galinhas armazenadas em uma única estrutura. Fisher decidiu levar o invento para o Reino Unido. Sua fábrica, a Buxted Chickens, logo prosperou e trouxe grande fortuna para Fisher. Uma parte dos lucros foi direcionada à realização de outro objetivo surgido durante a viagem a Nova York – em 1955, Fisher funda o Institute of Economic Affairs (Instituto de Assuntos Econômicos – IEA).

    O IEA ajudou a popularizar os até então obscuros economistas ligados às ideias de Hayek. O instituto era um baluarte de oposição ao crescente Estado de bem-estar social britânico, colocando jornalistas em contato com acadêmicos defensores do livre mercado e disseminando críticas constantes sob a forma de artigos de opinião, entrevistas de rádio e conferências.

    A maior parte do financiamento do IEA vinha de empresas privadas, como os gigantes do setor bancário e industrial Barclays e British Petroleum, que contribuíam anualmente. No livro Making Thatcher’s Britain (A Construção da Grã-Bretanha de Thatcher, em tradução livre), dos historiadores Ben Jackson e Robert Saunders, um magnata dos transportes afirma que, assim como as universidades forneciam munição para os sindicatos, o IEA era uma importante fonte de poder de fogo para os empresários.

    Quando a desaceleração econômica e o aumento da inflação dos anos 1970 abalou os fundamentos da sociedade britânica, políticos conservadores começaram a se aproximar do IEA como fonte de uma visão alternativa. O instituto aproveitou a oportunidade e passou a oferecer plataformas para que os políticos pudessem levar os conceitos do livre mercado para a opinião pública. A Atlas Network afirma orgulhosamente que o IEA “estabeleceu as bases intelectuais do que viria a ser a revolução de Thatcher nos anos 1980”. A equipe do instituto escrevia discursos para Margaret Thatcher; fornecia material de campanha na forma de artigos sobre temas como sindicalismo e controle de preços; e rebatia as críticas à Dama de Ferro na mídia inglesa. Em uma carta a Fisher depois de vencer as eleições de 1979, Thatcher afirmou que o IEA havia criado, na opinião pública, “o ambiente propício para a nossa vitória”.

    “Não há dúvidas de que tivemos um grande avanço na Grã-Bretanha. O IEA, fundado por Antony Fisher, fez toda a diferença”, disse Milton Friedman uma vez. “Ele possibilitou o governo de Margaret Thatcher – não a sua eleição como primeira-ministra, e sim as políticas postas em prática por ela. Da mesma forma, o desenvolvimento desse tipo de pensamento nos EUA possibilitou o a implementação das políticas de Ronald Reagan”, afirmou.

    O IEA fechava um ciclo. Hayek havia criado um seleto grupo de economistas defensores do livre mercado chamado Sociedade Mont Pèlerin. Um de seus membros, Ed Feulner, ajudou o fundar o think tank conservador Heritage Foundation, em Washington, inspirando-se no trabalho de Fisher. Outro membro da Sociedade, Ed Crane, fundou o Cato Institute, o mais influente think tank libertário dos Estados Unidos.

    Em 1981, Fisher, que havia se mudado para San Francisco, começou a desenvolver a Atlas Economic Research Foundation por sugestão de Hayek. Fisher havia aproveitado o sucesso do IEA para conseguir doações de empresas para seu projeto de criação de uma rede regional de think tanks em Nova York, Canadá, Califórnia e Texas, entre outros. Mas o novo empreendimento de Fisher viria a ter uma dimensão global: uma organização sem fins lucrativos dedicada a levar sua missão adiante por meio da criação de postos avançados do libertarianismo em todos os países do mundo. “Quanto mais institutos existirem no mundo, mais oportunidade teremos para resolver problemas que precisam de uma solução urgente”, declarou.

    Fisher começou a levantar fundos junto a empresas com a ajuda de cartas de recomendação de Hayek, Thatcher e Friedman, instando os potenciais doadores a ajudarem a reproduzir o sucesso do IEA através da Atlas. Hayek escreveu que o modelo do IEA “deveria ser usado para criar institutos similares em todo o mundo”. E acrescentou: “Se conseguíssemos financiar essa iniciativa conjunta, seria um dinheiro muito bem gasto.”

    A proposta foi enviada para uma lista de executivos importantes, e o dinheiro logo começou a fluir dos cofres das empresas e dos grandes financiadores do Partido Republicano, como Richard Mellon Scaife. Empresas como a Pfizer, Procter & Gamble e Shell ajudaram a financiar a Atlas. Mas a contribuição delas teria que ser secreta para que o projeto pudesse funcionar, acreditava Fisher. “Para influenciar a opinião pública, é necessário evitar qualquer indício de interesses corporativos ou tentativa de doutrinação”, escreveu Fisher na descrição do projeto, acrescentando que o sucesso do IEA estava baseado na percepção pública do caráter acadêmico e imparcial do instituto.

    A Atlas cresceu rapidamente. Em 1985, a rede contava com 27 instituições em 17 países, inclusive organizações sem fins lucrativos na Itália, México, Austrália e Peru.

    E o timing não podia ser melhor: a expansão internacional da Atlas coincidiu com a política externa agressiva de Ronald Reagan contra governos de esquerda mundo afora.

    Embora a Atlas declarasse publicamente que não recebia recursos públicos (Fisher caracterizava as ajudas internacionais como uma forma de “suborno” que distorcia as forças do mercado), há registros da tentativa silenciosa da rede de canalizar dinheiro público para sua lista cada vez maior de parceiros internacionais.

    Em 1982, em uma carta da Agência de Comunicação Internacional dos EUA – um pequeno órgão federal destinado a promover os interesses americanos no exterior –, um funcionário do Escritório de Programas do Setor Privado escreveu a Fisher em resposta a um pedido de financiamento federal. O funcionário diz não poder dar dinheiro “diretamente a organizações estrangeiras”, mas que seria possível copatrocinar “conferências ou intercâmbios com organizações” de grupos como a Atlas, e sugere que Fisher envie um projeto. A carta, enviada um ano depois da fundação da Atlas, foi o primeiro indício de que a rede viria a ser uma parceira secreta da política externa norte-americana.

    Memorandos e outros documentos de Fisher mostram que, em 1986, a Atlas já havia ajudado a organizar encontros com executivos para tentar direcionar fundos americanos para sua rede de think tanks. Em uma ocasião, um funcionário da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), o principal braço de financiamento internacional do governo dos EUA, recomendou que o diretor da filial da Coca-Cola no Panamá colaborasse com a Atlas para a criação de um think tank nos moldes do IEA no país. A Atlas também recebeu fundos da Fundação Nacional para a Democracia (NED), uma organização sem fins lucrativos fundada em 1983 e patrocinada em grande parte pelo Departamento de Estado e a USAID cujo objetivo é fomentar a criação de instituições favoráveis aos EUA nos países em desenvolvimento.

    Financiada generosamente por empresas e pelo governo americano, a Atlas deu outro golpe de sorte em 1985 com a chegada de Alejandro Chafuen. Linda Whetstone, filha de Fisher, conta um episódio ocorrido naquele ano, quando um jovem Chafuen, que ainda vivia em Oakland, teria aparecido no escritório da Atlas em San Francisco “disposto a trabalhar de graça”.

    Nascido em Buenos Aires, Chafuen vinha do que ele chamava “uma família anti-Peronista”. Embora tenha crescido em uma época de grande agitação na Argentina, Chafuen vivia uma vida relativamente privilegiada, tendo passado a adolescência jogando tênis e sonhando em se tornar atleta profissional.

    Ele atribui suas escolhas ideológicas a seu apetite por textos libertários, de Ayn Rand a livretos publicados pela FEE, a organização de Leonard Read que havia inspirado Antony Fisher. Depois de estudar no Grove City College, uma escola de artes profundamente conservadora e cristã no estado americano da Pensilvânia, onde foi presidente do clube de estudantes libertários, Chafuen voltou ao país de nascença. Os militares haviam tomado o poder, alegando estar reagindo a uma suposta ameaça comunista. Milhares de estudantes e ativistas seriam torturados e mortos durante a repressão à oposição de esquerda no período que se seguiu ao golpe de Estado.

    Chafuen recorda essa época de maneira mais positiva do que negativa. Ele viria a escrever que os militares haviam sido obrigados a agir para evitar que os comunistas “tomassem o poder no país”. Durante sua carreira como professor, Chafuen diz ter conhecido “totalitários de todo tipo” no mundo acadêmico. Segundo ele, depois do golpe militar seus professores “abrandaram-se”, apesar das diferenças ideológicas entre eles.

    Em outros países latino-americanos, o libertarianismo também encontrara uma audiência receptiva nos governos militares. No Chile, depois da derrubada do governo democraticamente eleito de Salvador Allende, os economistas da Sociedade Mont Pèlerin acorreram ao país para preparar profundas reformas liberais, como a privatização de indústrias e da Previdência. Em toda a região, sob a proteção de líderes militares levados ao poder pela força, as políticas econômicas libertárias começaram a se enraizar.

    Já o zelo ideológico de Chafuen começou a se manifestar em 1979, quando ele publicou um ensaio para a FEE intitulado “War Without End” (Guerra Sem Fim). Nele, Chafuen descreve horrores do terrorismo de esquerda “como a família Manson, ou, de forma organizada, os guerrilheiros do Oriente Médio, África e América do Sul”. Haveria uma necessidade, segundo ele, de uma reação das “forças da liberdade individual e da propriedade privada”.

    Seu entusiasmo atraiu a atenção de muita gente. Em 1980, aos 26 anos, Chafuen foi convidado a se tornar o membro mais jovem da Sociedade Mont Pèlerin. Ele foi até Stanford, tendo a oportunidade de conhecer Read, Hayek e outros expoentes libertários. Cinco anos depois, Chafuen havia se casado com uma americana e estava morando em Oakland. E começou a fazer contato com membros da Mont Pèlerin na área da Baía de San Francisco – como Fisher.Em toda a região, sob a proteção de líderes militares levados ao poder pela força, as políticas econômicas libertárias começaram a se enraizar.

    De acordo com as atas das reuniões do conselho da Atlas, Fisher disse aos colegas que havia feito um pagamento ex gratia no valor de US$ 500 para Chafuen no Natal de 1985, declarando que gostaria de contratar o economista para trabalhar em tempo integral no desenvolvimento dos think tanks da rede na América Latina. No ano seguinte, Chafuen organizou a primeira cúpula de think tanks latino-americanos, na Jamaica.

    Chafuen compreendera o modelo da Atlas e trabalhava incansavelmente para expandir a rede, ajudando a criar think tanks na África e na Europa, embora seu foco continuasse sendo a América Latina. Em uma palestra sobre como atrair financiadores, Chafuen afirmou que os doadores não podiam financiar publicamente pesquisas, sob o risco de perda de credibilidade. “A Pfizer não patrocinaria uma pesquisa sobre questões de saúde, e a Exxon não financiaria uma enquete sobre questões ambientais”, observou. Mas os think tanks libertários – como os da Atlas Network –não só poderiam apresentar as mesmas pesquisas sob um manto de credibilidade como também poderiam atrair uma cobertura maior da mídia.

    “Os jornalistas gostam muito de tudo o que é novo e fácil de noticiar”, disse Chafuen. Segundo ele, a imprensa não tem interesse em citar o pensamento dos filósofos libertários, mas pesquisas produzidas por um think tank são mais facilmente reproduzidas. “E os financiadores veem isso”, acrescenta.

    Em 1991, três anos depois da morte de Fisher, Chafuen assumiu a direção da Atlas – e pôs-se a falar sobre o trabalho da Atlas para potenciais doadores. E logo começou a conquistar novos financiadores. A Philip Morris deu repetidas contribuições à Atlas, inclusive uma doação de US$ 50 mil em 1994, revelada anos depois. Documentos mostram que a gigante do tabaco considerava a Atlas uma aliada em disputas jurídicas internacionais.

    Mas alguns jornalistas chilenos descobriram que think tanks patrocinados pela Atlas haviam feito pressão por trás dos panos contra a legislação antitabagista sem revelar que estavam sendo financiadas por empresas de tabaco – uma estratégia praticada por think tanks em todo o mundo.


    Grandes corporações como ExxonMobil e MasterCard já financiaram a Atlas. Mas o grupo também atrai grandes figuras do libertarianismo, como as fundações do investidor John Templeton e dos irmãos bilionários Charles e David Koch, que cobriam a Atlas e seus parceiros de generosas e frequentes doações.

    A habilidade de Chafuen para levantar fundos resultou em um aumento do número de prósperas fundações conservadoras. Ele é membro-fundador do Donors Trust, um discreto fundo orientado ao financiamento de organizações sem fins lucrativos que já transferiu mais de US$ 400 milhões a entidades libertárias, incluindo membros da Atlas Network. Chafuen também é membro do conselho diretor da Chase Foundation of Virginia, outra entidade financiadora da Atlas, fundada por um membro da Sociedade Mont Pèlerin.

    Outra grande fonte de dinheiro é o governo americano. A princípio, a Fundação Nacional para a Democracia encontrou dificuldades para criar entidades favoráveis aos interesses americanos no exterior. Gerardo Bongiovanni, presidente da Fundación Libertad, um think tank da Atlas em Rosario, na Argentina, afirmou durante uma palestra de Chafuen que a injeção de capital do Center for International Private Enterprise – parceiro do NED no ramo de subvenções – fora de apenas US$ 1 milhão entre 1985 e 1987. Os think tanks que receberam esse capital inicial logo fecharam as portas, alegando falta de treinamento em gestão, segundo Bongiovanni.

    No entanto, a Atlas acabou conseguindo canalizar os fundos que vinham do NED e do CIPE, transformando o dinheiro do contribuinte americano em uma importante fonte de financiamento para uma rede cada vez maior. Os recursos ajudavam a manter think tanks na Europa do Leste, após a queda da União Soviética, e, mais tarde, para promover os interesses dos EUA no Oriente Médio. Entre os beneficiados com dinheiro do CIPE está a CEDICE Libertad, a entidade a que líder opositora venezuelana María Corina Machado fez questão de agradecer.

    No Brick Hotel, em Buenos Aires, Chafuen reflete sobre as três últimas décadas. “Fisher ficaria satisfeito; ele não acreditaria em quanto nossa rede cresceu”, afirma, observando que talvez o fundador da Atlas ficasse surpreso com o atual grau de envolvimento político do grupo.


    Chafuen se animou com a eleição de Donald Trump para a presidência dos EUA. Ele é só elogios para a equipe do presidente. O que não é nenhuma surpresa, pois o governo Trump está cheio de amigos e membros de grupos ligados à Atlas. Sebastian Gorka, o islamofóbico assessor de contraterrorismo de Trump, dirigiu um think tank patrocinado pela Atlas na Hungria. O vice-presidente Mike Pence compareceu a um encontro da Atlas e teceu elogios ao grupo. A secretária de Educação Betsy DeVos trabalhou com Chafuen no Acton Institute, um think tank de Michigan que usa argumentos religiosos a favor das políticas libertárias – e que agora tem uma entidade subsidiária no Brasil, o Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista.

    Mas talvez a figura mais admirada por Chafuen no governo dos EUA seja Judy Shelton, uma economista e velha companheira da Atlas Network. Depois da vitória de Trump, Shelton foi nomeada presidente da NED. Ela havia sido assessora de Trump durante a campanha e o período de transição. Chafuen fica radiante ao falar sobre o assunto: “E agora tem gente da Atlas na presidência da Fundação Nacional para a Democracia (NED)”, comemora.

    Antes de encerrar a entrevista, Chafuen sugere que ainda vem mais por aí: mais think tanks, mais tentativas de derrubar governos de esquerda, e mais pessoas ligadas à Atlas nos cargos mais altos de governos ao redor do mundo. “É um trabalho contínuo”, diz.

    Mais tarde, Chafuen compareceu ao jantar de gala do Latin America Liberty Forum. Ao lado de um painel de especialistas da Atlas, ele discutiu a necessidade de reforçar os movimentos de oposição libertária no Equador e na Venezuela.

    * Danielle Mackey contribuiu na pesquisa para essa matéria. Tradução: Bernardo Tonasse.
  • Link permanente para 'Venezuela supera Brasil em qualidade de vida'

    Venezuela supera Brasil em qualidade de vida

    Postado: agosto 13, 2017, 12:08pm MDT
    Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:



    E as polêmicas envolvendo a Venezuela só fazem crescer porque é fácil atirar em um país cercado de inimigos por todos os lados. A questão venezuelana é perfeita para governos atolados em impopularidade como o do Brasil distraírem a população de seus próprios problemas.

    A guerra ideológica está espalhada pela América Latina há muito tempo, mas a direita vinha sendo surrada desde o fim do século passado. Eis que nos últimos anos, os efeitos da crise econômica internacional atingiram as economias do Terceiro Mundo após flagelarem o Primeiro Mundo.

    Foi a chance para a direita se reerguer na América Latina. Vários países da região passaram a ter regimes conservadores. Na América do Sul, em particular, Argentina, Brasil e Paraguai endireitaram. Os dois últimos através de golpes.

    Apesar de o Brasil ter passado às mãos da direita através de um golpe, não se pode ignorar que houve apoio popular a esse golpe, o que não o faz menos golpe, porque a lei não permite que a população derrube governos só por estar insatisfeita.

    Enfim, o fato é que a direita usou e continua usando técnicas de mídia muito eficientes para enganar incautos. E incautos não faltam neste país.

    Este post é produto de um surto de indignação gerado por um canal do YouTube que construiu um discurso com aparência de sério para contar uma montanha de mentiras sobre a Venezuela [aqui].

    É um canal forte. A farsa que montou já conta com mais de 200 mil visualizações. Uma legião de zumbis feitos de trouxas com dados falsos, produzidos pela rede farsante de desinformação montada pela mídia venezuelana, sempre decidida a derrubar o regime eleito pela primeira vez em 1998 e reeleito em 2015.

    O espertinho só “linkou” matérias em inglês para dificultar a verificação da veracidade dos dados. Vai dar muito trabalho desmontar tantas farsas. A gente sabe que o dado é falso, mas precisa provar que é falso. Desse modo, o Blog vai desmontar essa farsa pedacinho por pedacinho, para se aprofundar bem.

    Comecemos pelo primeiro link postado pelo canal enganador:



    Trata-se de uma matéria do The Guardian (Grã Bretanha). É um texto opinativo que diz que OITENTA E DOIS POR CENTO do povo venezuelano vive na pobreza.



    O autor do texto é um sujeito chamado “Reinaldo Trombetta”. Até 2007, vivia na Venezuela e trabalhava em um dos jornais que fazia – e continua fazendo – oposição cerrada a Hugo Chávez, o El Nacional. Eis que surge uma jornalista norte-americana chamada Eva Golinger afirmando que Trombetta estava sendo pago pelo Departamento de Estado norte-americano para atacar Chávez.



    A notícia foi publicada pelo diário antichavista venezuelano El Universal em 26 de maio de 2007. Segue trecho da matéria.
    *****

    Periodistas comparecerán en Comisión de Medios de NA

    33 comunicadores de varios medios están en la lista presentada por Gollinger

    MARÍA LILIBETH DA CORTE | DIARIO

    sábado 26 de mayo de 2007 12:00 AM

    MARÍA LILIBETH DA CORTE

    EL UNIVERSAL

    La abogada estadounidense, Eva Golinger, advirtió que no pretende “perseguir o atacar ni emprender una campaña de intimidación contra nadie”. Aclaró que s´olo busca “alertar” que los periodistas que participaron en el programa de la Oficina de Asuntos Culturales del Departamento de Estado de EEUU pasan a ser “sus empleados”, según las leyes de esa nación.

    “Los objetivos del programa son obtener influencia sobre la línea editorial de los medios venezolanos y aquí, lamentablemente, a lo mejor hay periodistas que han sido manipulados por el Departamento de Estado”, agregó la también autora del libro El Código Chávez, quien informó que la lista de participantes fue “desclasificada” por el Gobierno de EEUU, dos años después de que se los solicitara, bajo la Ley de Acceso a la Información.

    […]

    En la rueda de prensa, presentada por el presidente de Telesur, Andrés Izarra, Golinger mencionó a los periodistas María Fernanda Flores y Ana Karina Villalba (Globovisión), Roger Santodomingo (Noticiero Digital), Fausto Masó, Miguel Ángel Rodríguez (RCTV) y Reinaldo Trombetta, quien al momento de realizar el curso trabajaba en El Nacional y actualmente es director de Asuntos Públicos del Instituto de Artes Escénicas y Musicales del Ministerio de la Cultura.


    *****
    Em 2 de agosto de 2007, o mesmo El Universal reconheceu que Trombetta era mesmo pago pelo governo norte-americano, apesar de dizer que esses pagamentos não tinham nada que ver com suas críticas ao inimigo estadunidense Hugo Chávez.

    Seja como for, no ano seguinte Reinaldo Trombetta deixou a Venezuela e foi viver na Grã Bretanha trabalhando como colunista do The Guardian e alegando que era perseguido pela “ditadura chavista” na Venezuela.

    Nada disso prova, porém, que sua afirmação sobre a pobreza na Venezuela seja falsa. Porém, seu artigo, supra reproduzido diz, no título, que “Na Venezuela, 82% do povo vive na pobreza”, mas o assunto só é abordado – superficialmente – no último parágrafo de um texto de 12 parágrafos.

    O Blog traduziu o trecho final, no qual o articulista “explica” a enormidade da afirmação sobre os 82% de pobres naquele país.

    “(…) Mas e as dezenas de políticos e jornalistas – incluindo o líder da oposição – quem até recentemente elogiou as “conquistas” de Hugo Chávez e agora ficou quieto? Eles sempre pareciam sugerir que tinham o bem-estar do povo venezuelano no coração. Agora que 82% das famílias vivem na pobreza, elas não parecem interessadas em tudo o que está acontecendo na Venezuela. É uma pena, porque suas vozes podem realmente ser úteis, porque o mundo convida Maduro a restaurar a democracia e respeitar os direitos humanos (…)”
    A gente não sabe se ri ou chora. Um texto intitulado “Na Venezuela, 82% do povo vive na pobreza” não deveria explicar melhor essa informação? Qual a fonte? Quem disse? Qual é a confiabilidade disso.

    Apesar de Trombetta não ter trombeteado a fonte da informação, assim como o canal picareta lá do YouTube, o Blog foi atrás e descobriu de onde saiu essa enormidade.





    A pesquisa Encovi (Encuesta Sobre Condiciones de Vida em Venezuela) fundamentou o artigo de trombeta. Você pode ler o estudo na íntegra no box [aqui].

    A pesquisa usa uma malandragem clara. Em primeiro lugar, divide as classes sociais na Venezuela de uma forma maluca: pobres, não-pobres e pobres-extremos.



    Ou seja, não tem classe média alta, classe média baixa ou classe rica. Desse modo, se não for rico é pobre (?!).

    Mas, afinal, é um estudo. Ou ao menos parece ser. Mas a pesquisa Encovi é confiável? O Blog foi saber de quem se trata. E que cada um julgue como quiser. Afinal, a inconfiabilidade dessa pesquisa não é o golpe de misericórdia que será aplicado nela nesta matéria. É apenas um golpe contundente. O nocaute virá por último.

    Esse estudo foi apresentado pela mídia Venezuelana como tendo sido elaborado pelas Universidades Central, Simón Bolívar y Católica Andrés Belo, mas, na verdade, é uma publicação confeccionada sob a direção da Fundação Bengoa, do Observatório Venezuelano de Violência e outras supostas ONGs financiadas (entre outros) pelo governo norte-americano através da Agência dos Estados Unidos Para o Desenvolvimento Internacional (USAID)

    A Fundação Bengoa pertence a duas instituições vinculadas à oposição Venezuelana e vinculadas à USAID: a Rede Venezuelana para Organizações de Desenvolvimento social e a Organização Venezuela Sem Limites.



    Se nos aprofundamos um pouco mais descobrimos que a Rede Venezuelana para Organizações Para Desenvolvimento Social (REDSOC) é uma entidade financiada pela Agência dos Estados Unidos Para o Desenvolvimento Internacional (USAID)



    Ou seja, o “estudo” foi feito por gente muito interessada em vender ao mundo essa barbaridade de que 82% dos venezuelanos são pobres. E é incrível como, no Brasil, esse conto do vigário pegou graças a uma mídia irresponsável ao ponto de divulgar um estudo fake de uma organização sem maior respaldo e sob financiamentos suspeitos.

    O malandrinho que postou no YouTube esse “estudo” fake poderia ter usado um veículo brasileiro em lugar do artigo opinativo do tal Trombetta, pois, em fevereiro, o G1 e todos os outros grandes e pequenos sites de direitas “trombetearam” essa farsa sem parar.



    A grande mídia brasileira difundir fartamente essa farsa dos 82% de pobres na Venezuela só serve para mostrar como há uma conspiração internacional contra a Venezuela, regida pelos Estados Unidos.

    Porque o Estudo não faz sentido. Esses números são falsos, são absurdos. Só países miseráveis como Sudão do Sul (IDH 181), Burkina Faso (IDH 185) ou República Centro Africana (IDH 188, o último) teriam tantos pobres.

    Aí é que vem o golpe de misericórdia nesse estudo criminoso que andam divulgando. Em março deste ano, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) publicou o Relatório do Desenvolvimento Humano 2016, no qual a Venezuela se mantém como um dos países com um alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) no ranking de 188 países.

    O IDH mede o progresso de uma nação com base na renda, saúde e educação, e vai de zero a um. Quanto mais pero do um, maior é o índice de desenvolvimento humano do país avaliado.

    No relatório deste ano, a Venezuela aparece com uma pontuação de 0,767, no 71º lugar, acima do Brasil, cujo índice é 0,754 e ocupa o 79º lugar no ranking de melhores ou piores países para se viver.

    Mais uma vez, o estudo foi encabeçado pela Noruega e o último colocado, como o pior país do mundo para se viver, foi a República Centro Africana, IDH 188.

    No box [aqui] você pode ler o estudo na íntegra. O site do PNUD só disponibiliza versão em inglês.

    A imprensa séria divulga os dados corretos sobre a Venezuela. Veículos como Huffpost ou BBC Brasil divulgaram boas matérias desmontando as mentiras sobre a Venezuela.





    Quem quiser entender quem é quem no mundo contemporâneo, em termos de qualidade de vida, pode acessar a integra do ranking no IDH clicando aqui

    Aí vem a malandragem. Os farsantes afirmam que a pesquisa desconhecida bancada pelos inimigos do governo venezuelano é boa e o Índice de Desenvolvimento da ONU não vale nada porque o presidente Nicolás Maduro teria mandado os órgãos oficiais entregarem dados falsos ao organismo internacional.

    Só uma besta quadrada poderia dar crédito a uma pesquisa fake em detrimento do maior estudo do mundo sobre as condições de vida dos países.

    O IDH é vital para determinar investimentos estrangeiros, por exemplo. Se fosse tão simples fazer a ONU chancelar dados falsos, todos os países estariam em condições aceitáveis. Quem iria querer integrar os países de baixo desenvolvimento se bastasse uma mentirinha para sair bem na foto?

    Porém, a mídia brasileira deu uma publicidade estratosférica a essa farsa dos 82% de pobres na Venezuela e sonegou ao público que dados internacionalmente reconhecidos, como os do IDH, dizem exatamente o oposto que esse estudo fake.

    É angustiante ver essas mentiras contaminando inclusive gente decente, que, involuntariamente, junta-se a uma rede de mentiras cujo objetivo é colocar a América Latina de joelhos diante dos Estados Unidos e do grande capital transnacional.

    Como sempre, esta página fez a sua parte. Agora é com você, se tiver chegado até aqui. Não deixe de divulgar a verdade dos fatos. E de usar este meio para contestar tantas informações falsas que circulam por aí. Se nos omitirmos, tornamo-nos cúmplices desses criminosos.

Caminho Livre

  • Link permanente para 'Sorteio – Linux A Bíblia'

    Sorteio – Linux A Bíblia

    Postado: agosto 13, 2017, 11:58am MDT por Wendell
    Este mês o blog Caminho Livre comemora dez anos. Como forma de materializar nosso agradecimento a você leitor/seguidor iremos sortear o livro – Linux A Bíblia, editora Alta Books (8ª Edição). Para participar do sorteio, o qual será feito pelo…

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Altamiro Borges

  • Link permanente para 'Tribunal Popular condena a Lava-Jato'

    Tribunal Popular condena a Lava-Jato

    Postado: agosto 13, 2017, 11:57am MDT
    Por Daniel Giovanaz, no jornal Brasil de Fato:

    O Tribunal Popular da Lava Jato condenou nesta sexta-feira (11) as irregularidades e violações constitucionais cometidas pela operação desde 2014. A sentença, que tem valor simbólico, foi lida pelo juiz Marcelo Tadeu Lemos, de Alagoas, às nove e meia da noite, após sete horas de debate público. "Julgo procedente a acusação e condeno a Lava Jato por todas as ilegalidades que praticou ao longo de três anos no Brasil", decretou o magistrado.

    A decisão dos jurados foi unânime, e resultou na “condenação popular” das ações do Poder Judiciário, da força-tarefa, da mídia comercial e do Ministério Público no âmbito da operação Lava Jato.

    O evento, organizado pelo Coletivo Advogadas e Advogados pela Democracia (CAAD), aconteceu no Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Civil (Sitracon), em Curitiba. A cidade é a sede da força-tarefa da Lava Jato, e tornou-se símbolo das arbitrariedades e violações de direitos por parte do Poder Judiciário no Brasil. A data também é simbólica: 11 de agosto é o Dia do Advogado e da Advogada.

    Juiz sem toga

    Presidente do tribunal simulado, Marcelo Tadeu Lemos mencionou, na abertura do evento, a sindicância que foi aberta em seu estado, Alagoas, para apurar a participação dele no julgamento simbólico em Curitiba. Em seguida, listou as regras do Tribunal Popular da Lava Jato e explicou porque não usaria toga durante o evento.

    "A toga tem uma simbologia de neutralidade, e a Lava Jato quebrou o mito da neutralidade judicial. Ficar sem toga é uma demonstração de que precisamos olhar com muito cuidado, com muita acuidade para a neutralidade judicial", declarou.

    Um dos advogados criminalistas mais conhecidos do país, Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, assumiu a defesa simbólica da Lava Jato e adotou o sarcasmo como estratégia no Tribunal Popular. Desde o início do julgamento, questionou a imparcialidade do juiz Marcelo Tadeu Lemos e chegou a propor a "primeira delação premiada espontânea da Lava Jato". A ideia era ironizar os vazamentos, a seletividade e a relação temerária entre a operação e a mídia comercial.

    Quando teve o pedido de delação premiada negado, Kakay mostrou-se perplexo: "A minha cliente [operação Lava Jato] não está acostumada a lidar com o contraditório", afirmou, em tom provocativo, e arrancou risos das quase 200 pessoas presentes no auditório do sindicato.

    Como representante da defesa, o advogado criminalista levantou a hipótese de que os juízes, delegados e procuradores que atuam na Lava Jato foram “seduzidos” pelo poder midiático, e que isso poderia ser usado como argumento para absolvê-los. Os jurados admitiram essa hipótese, mas foram unânimes ao responsabilizar a força-tarefa e o Judiciário pelas arbitrariedades da operação.

    Acusação

    Após o sorteio dos oito jurados populares, assumiu a palavra o ex-ministro da Justiça, Eugênio Aragão, responsável pela acusação. A linha argumentativa foi baseada em treze possíveis irregularidades da operação - que tem afetado, segundo ele, a dinâmica de separação dos três poderes. "O Ministério Público, reconhecido na Constituinte como um órgão que pudesse criar contrapeso a uma certa desproporção de poderes no Judiciário, converteu-se em uma metralhadora giratória, cuspindo balas para todos os lados, e ninguém a dominar o seu gatilho”, lamentou. “Ele confunde o princípio da independência funcional com a irresponsabilidade".

    A maior parte das irregularidades citadas por Aragão está relacionada ao uso indiscriminado de delações premiadas, prisões preventivas e conduções coercitivas pela operação. O ex-ministro recusou qualquer comparação entre a Lava Jato e a operação Mãos Limpas, na Itália. Esse paralelo tem sido usado como forma de legitimar o uso de certos mecanismos em proporção inédita no Brasil, como a delação premiada. "O delator quer o conforto. Não é à toa que fala, preserva os seus bens, e volta ao conforto do lar. Essa é uma utilização completamente dissociada de sua finalidade histórica. Não dá para comparar esse uso, no universo brasileiro, com o universo italiano", analisou.

    Eugênio Aragão também trouxe à tona o debate sobre a crise econômica e das instituições no Brasil, propiciada pela Lava Jato e por atores estrangeiros com interesse em explorar recursos naturais no Brasil. "A quem isso interessa?", questionou, em referência aos ataques jurídicos e midiáticos sofridos pela Petrobras, a maior empresa estatal da América Latina. Sobre a destruição de grandes empreiteiras privadas, o ex-ministro foi taxativo: "Uma indústria não é um patrimônio individual, apenas. É um patrimônio social, porque cria empregos, permite arrecadação de impostos, acumulação de experiência em tecnologia e coloca o Brasil no mercado global".

    Crítica da mídia

    O Tribunal Popular da Lava Jato foi composto por dois júris. Um de caráter popular e outro, qualificado, formado por dez juristas e um jornalista - o escritor Fernando Morais, que analisou os problemas na relação entre o Judiciário e a mídia corporativa no Brasil.

    “O golpe de Estado [de 2016] e a Lava Jato são irmãos siameses”, afirmou o jornalista. “A mídia que atuou pelo golpe, defende a Lava Jato e defende o que eles chamam de reforma, é a mesma que levou Getúlio [Vargas] ao suicídio em 1954. E é a mesma que apoiou dois golpes contra Juscelino Kubitschek, não queria deixar João Goulart assumir [a Presidência da República], e agora está vestida de tucano. Essa mídia não nos surpreende, e a perseguição ao Lula é simbólica. Ele aparece na capa das revistas semanais vestido de presidiário, com o rosto ensanguentado, porque a imprensa está a serviço de quem paga as contas no fim do mês. O resto é conversa para boi dormir. Liberdade de imprensa é liberdade de empresa”.

    Vera Karam de Chueiri, diretora da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná (UFPR), ressaltou que a operação, em um contexto de crise, restringiu o senso crítico no Brasil por admitir a excepcionalidade, a parcialidade e o arbítrio. “O que a Lava Jato demonstra é um enfrentamento da crise em que se aniquila o corrupto a qualquer preço, e de qualquer maneira, mas não aniquila a corrupção. Isso porque ela assume a excepcionalidade como regra. Ela cortou na carne e fez sangrar a nossa democracia constitucional”.

    Entre os demais membros do júri qualificado, que votaram pela condenação da Lava Jato, estavam juristas como Beatriz Vargas Ramos, professora da área de Direito Penal na Universidade de Brasília (UnB), Marcello Lavenère, um dos advogados que liderou o processo de impeachment de Fernando Collor, e Claudia Maria Barbosa, professora de Direito Constitucional na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Paraná. Os integrantes do júri popular também deram parecer favorável à condenação.

    Lavenère, o último jurista a se pronunciar, estendeu os debates para a necessidade contínua de efetivação dos valores democráticos, para além de uma análise técnica da Lava Jato: “Estamos em meio a uma luta muito maior. A nossa democracia política, infelizmente, não assegurou a felicidade ao povo, não foi capaz de resgatar a democracia social”, disse. “A Lava Jato é uma manobra dedicada a desmontar o que parecia ser o início de uma construção, débil, com muitos defeitos, de um país mais justo, igualitário, com mais espírito brasileiro”.

    Lava Jato em debate

    Essa não foi a primeira vez que juristas se reuniram em Curitiba para discutir as consequências do avanço da operação Lava Jato. No dia 2 maio, o auditório do Sindicato dos Jornalistas (Sindijor) ficou lotado para uma aula pública. Uma semana depois, o debate aconteceu na Praça Tiradentes, também na região central. O primeiro debate sobre a operação na periferia da cidade aconteceu em 13 de junho, no loteamento Moradias 23 de Agosto.

    As próximas mobilizações devem ser convocadas para a semana do dia 13 de setembro, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) volta ao Paraná para prestar depoimento ao juiz Sérgio Moro em mais uma ação penal no âmbito da Lava Jato.