Artigos com o marcador serra
“O povo na rua, Kassab a culpa é tua!”
10/02/10
Alagados desde o dia 15 de Novembro de 2009 e cansados da inação dos entes públicos, moradores dos bairros da Zona Lesta da capital paulista foram até a prefeitura na última segunda-feira (8).
A resposta, como já é rotina em São Paulo, foi a repressão da polícia que jogou spray pimenta e distribuiu cacetadas indiscriminadamente, atingindo idosos, crianças, mulheres e homens.
Três amigos meus, a Conceição Oliveira, o Raphael Garcia e o Thiago Beleza, estavam na manifestação com a finalidade de apoiar os moradores alagados e de cobrir o ato, num esforço de jornalismo cidadão. Os três relatam em seus blogs a truculência da PM e da Guarda Civil. Na ação desproporcional dos agentes de segurança eles tiveram sua integridade física ameaçada. Os relatos esclarecedores que os três produziram, com fotos e vídeos, vocês podem ver aqui, aqui e aqui.
Fiquem também com o vídeo produzido pelo Passa Palavra, em que moradores revelam que o alagamento e a permanência deste pode ter sido provocado, de forma calculada, pelos governos municipal e estadual, com a finalidade de forçar a saída dos moradores daquela região para construir um parque e atender os desejos do lobby da especulação imobiliária. Se confirmadas as denúncias, que devem ser investigadas imediatamente pelo Ministério Público, estamos diante de crimes graves (incluindo homicídio, já que moradores morreram em decorrência dos alagamentos) e os responsáveis devem ser exemplarmente punidos.
Fonte: Passa Palavra
Atualização:
Depoimento de Marco Ribechi, ativista da AIH (Aliança Internacional dos Habitantes) e Conam (Confederação Nacional das Associações de Moradores), que presenciou a truculência dos agentes de segurança pública no último dia 8. Vídeo via Pedalante.

Os Golpistas e o PNDH
09/01/10
O joguinho sujo é bem conhecido. Recentemente tivemos a mesma fórmula aplicada em Honduras. Como são previsíveis os golpistas…
O governo Lula negociou com todos os setores do governo o Plano Nacional de Direitos Humanos, inclusive com o Ministério da Defesa e com os comandantes das Forças Armadas. Depois de vários cortes nas propostas feitas na Conferência de Direitos Humanos, que sinalizavam por mudanças mais profundas (e justas!), o governo publicou decreto em dezembro de 2009 com a finalidade de dar diretivas aos órgãos do executivo que pode (eu disse pode) propor leis. Qualquer lei que seja proposta pelo Executivo terá, necessariamente, que passar por votações no legislativo. Então, essa balela de que o governo quer mudar a constituição e extinguir a propriedade privada é pura falcatrua dos enganadores de plantão. Para saber mais sobre o PNHD-3, recomendo fortemente a leitura dos posts do Politika etc., e o acompanhamento das discussões nesse post do blog do Luis Nassif.
Rompendo o Bloqueio Midiático #2010semSerra
28/12/09
O governo (sic) do Estado de São Paulo gosta mesmo de gastar dinheiro com propaganda. Basta ligar a TV em qualquer canal aqui em São Paulo para ver para onde está indo o dinheiro do contribuinte. Se por um lado isso serve para tentar melhorar a imagem do governo, por outro pode explicar o apoio de grande parte da mídia à candidatura do Governador à Presidência da República.
O Retrato do Desespero de José Serra
24/11/09
A charge animada abaixo é de autoria do Maurício Ricardo, responsável pelo site Charges.com.br, que por sua vez é hospedado no UoU. Ao entrar na página de notícias do Portal me deparai com a charge, onde o personagem principal é o governador do estado de São Paulo, José Serra. Da primeira vez que cliquei na imagem disponibilizada no site de notícias o link me encaminhou para uma página de erro. Depois de algumas tentativas consegui ver a animação, mas até este momento não consegui baixar o vídeo através de um link próprio disponibilizado na página. Gostaria de baixar o vídeo pois se trata de um “fato jornalístico”, uma vez que é muito difícil ver uma crítica contundente como esta ao governador José Serra em um veículo pertencente ao Grupo Falha. Fiquem com a charge:
A capacidade de planejamento do governo paulista
09/10/09
Acabo de ler no blog do Luis Nassif que, segundo matéria publicada na Falha, o governador de São Paulo, José Serra, disse a um grupo de empresários que o Brasil teria perdido a sua capacidade de planejamento e que ele faria uma “manual de boas práticas de gestão” (ou “jestão”, como destaca o PHA).
Com a finalidade de ajudar nosso competente (sic) governador, resolvi pesquisar na Internet umas imagens que podem ilustrar muito bem as boas (sic) práticas da gestão tucana em São Paulo e que, com certeza, farão parte do “manual de boas práticas de ‘jestão’” do nosso autoritário “competente” governador.
Mas há primaveras
16/06/09
Texto escrito pela Prof.ª Dr.ª Adma Fadul Muhana, publicado originalmente no Olha Só!
A comunidade universitária e a opinião pública têm procurado, atônitas, acompanhar os acontecimentos recentes na Universidade de São Paulo. Como acreditar que professores, alunos e funcionários da USP, em especial da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, sejam criminosos cujos atos merecem ser severamente reprimidos com bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e gás pimenta? Como acreditar que querem destruir seu patrimônio, agir com violência e causar danos aos demais? quem acredita nisso? por quê?
Se se compararem as informações e declarações dos últimos dias, será possível repor a situação. Em plena negociação salarial, em 25 de maio, a Reitoria fechou as portas do prédio e não deixou parte da comissão de negociação entrar. Ao agir assim e quebrar a regra da cultura democrática instituída, não era improvável que soubesse da reação dos estudantes que, impedidos de entrar, poderiam forçar a porta e fazer uma “invasão” relâmpago. Mas, depois dos acontecimentos de 2007, havia uma resolução do Conselho Universitário autorizando a Reitoria a chamar a polícia quando julgasse necessário, a qual foi aplicada.
Docentes e estudantes sabem ensinar e estudar, principalmente. Talvez até, de um modo um tanto canhestro e desafinado, também saibam protestar. Alguns estudantes gritam e chegam a tirar cadeiras e pô-las diante das salas de aula, impedindo a entrada nelas – sinais de sua impotência, de sua insegurança e da desinformação acerca de outros canais de manifestação mais legítimos e eficazes, de que os professores (ainda) dispõem. Mas essa alegada “violência” estudantil não tem parâmetro com as armas usadas pela PM, treinadas para eliminar malfeitores, e descontentes… Inacreditavelmente, a atual reitora da Universidade de São Paulo pensa que sim!
Isto é ofender a USP e todos os seus membros. Pretextando grupelhos, radicais e sabe-se lá mais o quê, a Reitoria entregou a direção da universidade a um comandante policial. Ao ser alertada por um docente de que a presença da polícia no campus poderia causar graves danos físicos e morais a membros da comunidade, e de que as armas utilizadas pelas tropas contemplavam escopetas e metralhadoras, a reitora limitou-se a dizer que a escolha das armas adequadas à ação policial não era da sua alçada. A reitora transferiu sua responsabilidade pela vida dos estudantes, professores e funcionários, das crianças e adolescentes que estudam na Escola de Aplicação, e de todos aqueles que livremente transitam pelo campus Butantã da USP, a um coronel da PM.
Os professores da USP não estavam em greve. A campanha salarial e a carreira docente importam aos professores porque sabemos o efeito nefasto que salários aviltados causam ao ensino, como temos visto na precarização do ensino secundário. Os mais velhos se lembram de como o ensino médio público era padrão de qualidade para a escola privada, o que hoje nos parece um sonho desaparecido. A recuperação salarial nos importa para que a Universidade pública não passe a ter salários tão baixos que os melhores profissionais prefiram se afastar dela e servir apenas à iniciativa privada, com seu principal interesse no lucro, e levando ao desaparecimento das investigações independentes que interessam ao coletivo. Lutar por salários, todos sabem, é lutar por deixar uma universidade com melhor qualidade e para que a USP tenha o que comemorar daqui a 25 anos.
Os estudantes da USP não estavam em greve. O temor relativo à Univesp, ou Universidade Virtual do Estado de São Paulo, provém da convicção de que a expansão virtual da Universidade se fará à custa da qualidade do ensino e em detrimento das políticas de permanência estudantil por que vêm lutando, da construção de salas de aula presenciais, bibliotecas, laboratórios, moradias e restaurantes universitários, temor compartilhado por alguns professores que relataram desconfianças na implantação do Programa.
Todos estes são assuntos importantes para homens e mulheres que, trabalhando dentro da Universidade, abdicaram de ser meros consumidores e reprodutores de um saber para, com diversas dificuldades, se tornarem sujeitos de conhecimento, de ação e de transformação da sociedade. Requeriam, pois, que decisões dessa monta fossem tomadas com o conhecimento da ampla maioria da comunidade acadêmica, e não por decretos e resoluções. Todavia, recusando-se a negociar, a esclarecer, a Reitoria da USP teve como única resposta para a dificuldade do momento inventar uma ocupação para chamar a polícia. No dia 9 de junho os professores em assembléia, pensando em conjunto como retomar as negociações, ouviram tiros e gritos que dificilmente esqueceremos. Do prédio da Reitoria, de uma de suas janelas, umas dez cabeças assistiam ao lúgubre espetáculo de alunos e professores fugindo das bombas e sendo acuados no prédio da História. Apesar disso, e embora vários colegas tenham tentado contatos com a reitora, a fim de evitar um desfecho de proporções inimagináveis, ninguém, em momento algum, atendeu aos chamados dos docentes. Contatado, finalmente, o governador se calou: as armas já tinham falado por ele. Passado o furacão, reitoria e aliados vêm a público se manifestar e justificar atos injustificáveis.
O tecido universitário está desfeito. Todos os que defendem uma universidade pública, com direito a discussões, propostas, ações solidárias e coletivas, deixamos de reconhecer a reitora como interlocutora de nossa prática acadêmica. É verdade que, dentro e fora da Universidade, há os que aprovam a ação da polícia, alegando destruição do patrimônio público; desqualificam a decisão das assembléias em favor da greve, apelando para o direito dos que querem aula, embora não compareçam a elas; contestam os piquetes de funcionários e alunos, argumentando serem contra uma “violência generalizada”. Essas mesmas vozes recorrem a proposições vagas e metafísicas, que, descoladas de seu contexto político, ridicularizam o direito “à diferença”, “à opinião” etc.; mas se calam diante de questões materiais decisivas para a Universidade estadual, como a destruição do patrimônio público perpetrada, esta sim, pela polícia e por fundações privadas instaladas no interior da USP. Negando o direito à greve e a piquetes, propõem em seu lugar que cada um faça o que bem entender, desde que confortavelmente instalados em seus gabinetes particulares, ao abrigo do espaço coletivo e presencial de discussão. Parecem supor que a condenação das assembléias de professores e estudantes é feita ainda em favor do direito do aluno, como pagador de impostos, de ter sua mercadoria-aula. Ao sobreporem a figura do consumidor à do cidadão, transferem a cultura da universidade privada para dentro da Universidade pública, transformando os grevistas em anti-cidadãos-vendedores que não cumprem sua parte no troca-troca do mercado – como se estes não pagassem também seus impostos e não tivessem direito a forma alguma de dissidência. Certamente que, assim, esse discurso cala-se diante da destruição da Universidade pública levada a cabo por governos neoliberais e encobre sua adesão à mesma ordem de coisas, sob a capa de uma pretensa motivação pacifista.
Neste sentido, a Universidade deve se envergonhar de que uma parte do seu corpo docente e discente não condene a ação policial contra atos de caráter político: pois isso significa que essa parte não se importa com o coletivo e com o tipo de conhecimento e ética que estão sendo transmitidos nessa Universidade. A sociedade deve saber disso e querer que, na Universidade de São Paulo, os professores, os médicos, os arquitetos, os atores, os engenheiros, os biólogos, os psicólogos e todos os que aí se formam, com a contribuição de todos nós, visem mais ao bem coletivo que ao seu único e próprio lucro. E fazer parte da coletividade implica ter de olhar para além do seu escritório particular, do seu consultório e da sua sala de aula.
Agora a Universidade de São Paulo está em greve, exigindo a retirada imediata e definitiva da polícia no campus, para que retornem as condições de diálogo entre todos os envolvidos. Mas desde que a Universidade foi violentada com a permissão, ou pior, a mando de seus dirigentes, os professores requerem que a atual reitora se afaste do cargo e torne a ser algo de que possa se orgulhar: professora. Oxalá, assim, o próximo reitor compreenda que uma universidade não se faz virtualmente, nem com tropas militares, mas com docentes, estudantes e funcionários preocupados com o ensino e com a pesquisa, e sobretudo, com fazer parte de uma menos triste humanidade.
Essa carta foi enviada a diversos veículos de comunicação, mas por motivos óbvios, não foi publicada.



