Em conseqüência ao pedido da Reitora: Brutalidade da PM
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Publicado Originalmente no Site da ADUSP
Terça-feira, 9 de junho de 2009
Em protesto contra a presença da PM na universidade, estudantes e funcionários realizam ato junto ao Portão 1 da USP. Pacífica, a manifestação intenta ocupar o cruzamento da rua Alvarenga, mas a polícia já havia interditado o trânsito. À massa que grita contra a polícia, o tenente-coronel Claudio Miguel Marques Longo responde ordenando que não atravesse o cordão de isolamento. A passeata não pára e, com o dedo em riste, o comandante da operação brada aos policiais que se preparem para reprimir. A passeata avança pelo cruzamento e, chegando ao encontro da tropa, atira flores em sua direção. Seguiu-se mais de uma hora de tentativa diálogo com o comandante Longo, que silenciou sobre o fato de muitos dos PMs não estarem devidamente identificados. Com granadas de borracha nas mãos (as chamadas bombas de efeito “moral”), os policiais acompanharam todo o ato, que transcorreu sem incidentes. Quando o carro de som e os manifestantes retornavam para o campus, ainda entoando palavras de ordem, é que a Força Tática foi chamada ao ataque. E atacou. Por mais de uma hora, estudantes, professores e funcionários foram perseguidos no interior do campus. Leia a seguir os depoimentos de quem sofreu as conseqüências da violência policial no campus.
Uma bomba lançada contra os manifestantes feriu Jonas Alves, um dos diretores do DCE. “Enquanto íamos em direção à reitoria para realização de Assembléia, fomos brutalmente atacados pela polícia. Um fragmento de bomba me machucou, me deixou surdo e zonzo, ferindo gravemente minha coxa e minha panturrilha. Fui carregado até um carro e levado ao hospital, onde me fizeram um curativo. Terei reflexos dessa agressão física, moral e sem sentido, por pelo menos mais um mês de tratamento.” Diante do Paço das Artes, a polícia cercou o carro de som que acompanhava o ato desde o início. Kraly de Castella Machado, também diretora do DCE, estava no caminhão: “Tiraram o motorista e arrancaram o microfone. Deixaram a gente encurralado em cima do carro, com muito spray de pimenta e gás”.
Do outro lado da rua, estudantes, funcionários e professores que se encontravam no interior da FE ouviram as bombas. Ana Paula Santiago do Nascimento, mestranda, conta que saíram no corredor, para ver o que estava acontecendo. “Nisso, chegou uma aluna correndo, dizendo que estavam jogando bombas. Fomos até o estacionamento. O Choque estava enfileirado em frente à entrada do estacionamento e continuaram jogando bombas, na nossa direção. Ouvimos os gritos e tinha uma moça chorando do nosso lado, porque uma amiga dela tinha sido ferida. Então telefonei para a Lisete [Arelaro], que estava na Assembléia da Adusp, no prédio da História, para que avisasse os professores do que estava acontecendo.”
“A polícia militar estava prendendo um companheiro do comando de greve [Celso Luciano Alves da Silva, funcionário do IEB] e fui tentar interceder”, diz Claudionor Brandão, um dos diretores do Sintusp. “Fui agredido, com várias palavras de baixo calão, cutucões no peito com cassetete e empurrões.” Ainda que tenha tentado dialogar com o comandante Longo, foi algemado e conduzido à 93ª DP, junto a outros dois manifestantes. Eles foram liberados na mesma noite. “Foi lavrado um termo circunstanciado, em que a PM informou uma versão totalmente deturpada dos fatos, com acusações de depredação do patrimônio, desobediência e desacato. Eu expliquei nossa versão. Agora o processo vai para um juizado especial, e nós temos que esperar os desdobramentos.”
| Imprimir artigo | Este artigo foi escrito por Antonio Arles em 11 de junho de 2009 às 2:26, e está arquivado em Arlesophia. Siga quaisquer respostas a este artigo através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta ou fazer um trackback do seu próprio site. |












há 1 ano atrás
Oi,Antonio
Conheci seu blog recentemente pelo nas Retinas e me chamou a atenção sua página Sobre e agora seus textos sobre o que anda ocorrendo na usp, o fato de você ser estudante da FFLCH (fui estudante de sociologia ali, apesaar de estar sempre mais na história) e o seu envolvimento na boca dos fatos.
Então resolvi te escrever um convite para vir participar do blog Liberdade de Expressão, que é um blog pela Confecom. Como muitos, mesmo estudantes da FFLCH não sabem do que se trata eu explico. A Confecom é a Conferência Nacional de Comunicação, é a primeira experiência de democracia participativa a nivel nacional, e só por isso já me sinto mal ao verificar que ela está sendo pouco divulgada. Não é culpa das ONGs envolvidas no processo, que tem aberto sites com todas as informações, nem das agências de notícias (pois é de se esperar que as mesmas estão no campo da oposição, então seria risível se esperar que elas não trabalhassem contra). Sei que soo como militante do PSTU, mas na verdade sou de esquerda, pode se dizer, como entendida por Bobbio, como você disse, sem partido e sem ONG, apenas uma cidadã que observa que a primeira e única experiência de democracia participativa na nossa história está ocorrendo (a contra-gosto dos movimentos envolvidos) à margem, sem o conhecimento da população. Não deveria ser assim, ainda mais quando esta é uma proposta de fazer novas leis que dêem espaço às vozes dissonantes, às rádios comunitárias, à liberdade de expressão na internet, às tvs comunitárias e de cunho social, aos direitos de resposta à grande mídia. A experiência da democracia participativa deveria, pelo contrário, se calcar na nossa memória política para que seja a primeira entre muitas, mas ao meu ver será uma derrota micha se as coisas continuarem como estão.
Desde o começo deste ano venho procurando meios de reverter este quadro de desconhecimento e apatia com a coisa. De lá para cá tive dificuldades de encontrar os meios de participação, pois também as ongs estavam correndo contra o tempo que anunciava os prejuízos que ocorreram há uma ou duas semanas (quando foi montado a Comissão Organizadora da Confecom, que saiu com uma maldita “paridade” entre a chamada “sociedade civil empresarial”, ou os donos das mídias, e o resto da sociedade civil). Neste trabalho de formiguinha em que venho recebendo uma porta fechada de grandes blogs chamados críticos, acredito que acaba contando contra mim a minha própria impaciência com respeito a eles nessa atitude que sinceramente não compreendo (http://algodao.algumlugar.net/2009/06/saidas-contra-um-novo-culto-da-especializacao/ texto publicado no meu blog pessoal).
Quanto às ONGs, estamos em cooperação com eles e recebemos a ajuda que eles podem dar, que não é muita, mas estou em contato com algumas dessas pessoas e observo suas atividades pelas listas de e-mails que recebo, e vejo que, como eu, estão muito cansados e cheios de coisas para fazer. O orçamento previsto para a realização da Confecom foi cortado, como se se tratasse de um mero encontro de prefeitos.
O blog Liberdade de Expressão, é um espaço que foi assim, eu botei a mão no bolso e comprei o endereço por um ano. É um blog temporário, enquanto durar a confecom, que será em dezembro, é um blog comunitário (ou ao menos é isso que queremos que ele seja) e devo dizer que encontrei ajuda nos blogs pequenos que parecem compreender melhor que o blog liberdade é uma iniciativa cidadã e não um competidor pelo prêmio melhor blog do ano ou o que o valha. É um blog que está fazendo uma tentativa de ampliar a discussão da blogosfera do não ao azeredo para uma ação positiva envolvendo os demais movimentos pelo direito à comunicação na sociedade. Estamos também tentando botar no blog todos os links, das reuniões pró-confecom, os mail lists, os sites das ongs que são muitos, tentar tornar mais visíveis estes movimentos, e não sei por que eu fico colocando tudo na terceira pessoa do plural, se estou quase só tentando essas coisas entre as minhas aulas. É vontade de ser mais uma num grupo.
Bom, de qualquer modo, eu gostei do seu blog, você me parece uma pessoa capaz de compreender a pertinência desses anseios, e queria te convidar a comentar, participar, escrever posts ou como quer que você queira contribuir.
um abraço!