O que querem os dinossauros

Estava cá a pensar com meus botões: imaginem como a Rede será uma ferramenta importante para a democracia participativa ou mesmo para o aperfeiçoamento da democracia representativa. Fiquei pensando nisso depois da votação da Lei Eleitoral no Senado, na última terça-feira.
Depois de uma intensa mobilização na Rede – com a proposta de envio de mensagens aos Senadores – pôde ser constatado uma inquietação dos dinossauros diante de mais um indício forte de que a forma de se fazer política está mudando, o que acarretará numa mudança significativa, pelo menos, dos métodos obscuros usados hoje principalmente no poder Legislativo.
A inquietação dos dinossauros ante sua iminente extinção foi tanta que um acordão foi feito nos bastidores para garantir que partes das restrições à Internet fossem mantidas. Pensaram os nobres dinossauros senadores: “vão-se os anéis, ficam as garras”. Enganaram-se mais uma vez os moribundos dinossauros. Os cidadãos em Rede perceberam a jogada (aqui e aqui) e passaram a criticar aquilo que foi alardeado pelos senadores e por boa parte dos grupos de comunicação tradicionais como “a liberação total da Internet nas eleições”.
Outro fato que revela a força das ações em Rede contra propostas que atendem apenas interesses um tanto obscuros – como o PL 84/99, conhecido como Lei Azeredo – é que o discurso desses setores vêm mudando e as estratégias usadas por eles também são mudadas devido à pressão de grupos da sociedade civil organizados ou não. Só que essas mudanças de estratégia são percebidas rapidamente, o que faz com que os dinossauros mudem de estratégia novamente, tentando preservar seus interesses ocultos ou os interesses dos grupos a quem realmente representam. Um exemplo disso é a mudança repentina de planos do Deputado Semeghini (PSDB), “estranhada” por mim neste post. Outra estratégia menos sutil usada pelos dinossauros é a tentativa de descaracterizar os opositores de determinados projeto, se colocando como detentores de uma suposta verdade e como protetores daqueles que não entendem de determinado tema, precisando de leis que garantiriam (supostamente) sua segurança. Este é o caso do Senador Azeredo que, como vocês podem ver aqui, se acha o único que entende de Internet no Brasil, colocando todos os especialistas críticos ao seu projeto como mentirosos.
Imaginem quando esse processo se aprofundar e surgiram iniciativas (estatais ou não) que permitam a comunicação transparente dos atos das diversas esferas do poder diretamente aos “cidadãos comuns”. Imaginem saber em tempo real quais os projetos elaborados por seu representante eleito, seu votos nas diversas matérias, quem financiou a sua campanha…Este último caso, aliás, foi tema de discussão e rejeição de propostas no sentido de conferir maior transparência aos recursos financiadores de campanhas na mesma seção em que foi votada a suposta “liberdade total à Internet nas eleições”.
Mas existem tentativas de tornar estes dados disponíveis utilizando ferramentas da Rede, como esta aqui do amigo @1anonimo . Ferramentas como esta poderão tornar o debate político mais plural, fazendo com que a Internet seja uma importante ferramenta para a participação dos “cidadãos comuns” nas decisões políticas do País.
É disso que os dinossauros têm medo e por isso tentam aprovar leis vigilantistas e restritivas da liberdade na Rede. Eles sabem que se não controlarem vão ser controlados pelo povo, o que diminui muito a possibilidade de que se façam acordões e se implementem medidas que não atendam aos anseios da população.
E aí, o que você prefere: que seja possível um maior controle e uma participação efetiva do povo nas decisões e no debate político ou que eles continuem utilizando-se do obscurantismo e de medidas vigilantistas para fazer valer seus interesses pessoais/políticos e para controlar a população? Sonho que um dia os dinossauros não passarão de fósseis enterrados, servindo apenas para nos lembrar que um dia eles foram os poderosos que enchiam suas barrigas com a alienação do povo das questões políticas.
Atualização (21/09/2009)
Mais uma prova de que a Rede é fundamental para a transaparência de nosso sistema político e para a participação popular nas decisões sobre o País. Apesar de ainda não discriminar com precisão onde foram gastos os valores pelos parlamentares – isso se dá pela ausência de uma sistema que propicie um acompanhamento em “tempo real”, como os Cartões Corporativos do poder Executivo, atrtavés do Portal da Transparência -, a ONG Transparência Brasil teve a iniciativa de criar o Portal Excelências, onde você pode consultar várias informações relevantes dos seus representantes parlamentares, seja os do Senado, da Câmara e das Assembléias Legislativas dos estados. Confira clicando aqui .
Portanto, não adianta os dinossauros quererem acobertar suas decisões ou quem financia suas campanhas, como fizeram com a rejeição das propostas de emenda apresentadas pelo Senador Eduardo Suplicy(PT). Com a Rede livre como a conhecemos, iniciativas no sentido de conferir maior transparência serão tomadas por organizações da sociedade civil ou por “cidadãos comuns”. A única chance deles barrarem este processo de democratização das informações que confere maior participação e transparência ao jogo político é censurando a Rede. Eles estão tentando fazer isso e, por isso, é importante que fiquemos atentos e não deixemos que medidas vigilantistas e sensórias acabem acabando com este aprofundamento da transparência e da democracia em nosso País.



















setembro 19th, 2009 at 16:43
[...] This post was mentioned on Twitter by Antonio Arles. Antonio Arles said: Saindo do forno mais uma porcaria deste que vos escreve. O que querem os dinossauros: http://tr.im/z990 [...]
setembro 19th, 2009 at 14:46
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