As tentativas de preservação da intermediação centralizada
O deputado Júlio Semeghini (PSDB/SP), em maio deste ano, queria votar logo o Projeto Azeredo. Chegou a declarar que só esperaria o posicionamento do Governo Federal até o fim daquele mês, pois pretendia votar o Projeto em Junho. Parece que a pressa do Deputado desapareceu depois que o projeto sofreu várias críticas de diversos setores da sociedade e, inclusive, do Governo Federal com o discurso do seu titular, o Presidente Lula, no FISL 10. O que o Deputado que tinha tanta pressa está esperando? Talvez uma explicação seja a tentativa de ver as pressões diminuírem e, quando ninguém estiver mais atento, votar o Projeto na surdina, como foi a votação no Senado. Salvar o Projeto do seu correligionário e atender ao lobby dos bancos e da indústria do copyright parece ser o único objetivo do Deputado Semeghini.
A ABERT quer determinar o que poderá ou não ser discutido na Conferência Nacional de Comunicação. Para ela e outros setores representativos dos grupos da mídia monopolista as discussões e proposições da CONFECOM deverão ficar restritos à questões relacionadas à Internet. Usando um discurso “bonitinho”, de preservação da cultura e dos grupos de comunicação nacionais, a ABERT quer, na verdade, proteger os monopólios midiáticos dos desafios enfrentados pela convergência tecnológica, que permite a introdução de outros atores no cenário da comunicação e que, em última análise, acabará com o monopólio da informação/opinião exercido pelos oligopólio midiáticos.
Na Coreia do Sul o lobby da indústria do copyright conseguiu aprovar uma nova lei que pune internautas que troquem arquivos através da Internet. Quem fizer compartilhamento de arquivos sem a autorização dos seus respectivos autores poderá ficar seis meses sem acesso à Rede. A ameaça é também para usuários de blogs e redes sociais que divulgarem imagens, textos ou outros materiais sem autorização. Esta Lei significará a restrição da liberdade de informação e opinião na Internet, uma vez que o blogueiro ou participante de redes sociais não poderá usar materiais disponíveis na Rede para fazer seus posts ou disseminar informações sem estarem ameaçados de ficar sem acesso. Se não ficou claro ainda como leis desse tipo acabam por restringir a liberdade de informação/opinião, fica aqui apenas um exemplo: se eu, aqui no meu blog, decidir fazer uma crítica ou um comentários sobre determinada matéria publicada num grande portal que não permita a reprodução da matéria e decidir disponibilizar parte dela para situar meus leitores sobre o que estou falando, poderei ficar sem acesso à Internet por seis meses.
O que esses grupos que fazem lobby pelo vigilantismo e criminalização de práticas corriqueiras na Internet têm em comum? Simples: esses são os grupos diretamente afetados pelo fim dos intermediários propiciado pela Rede na forma que temos hoje. Ser intermediário e deter o monopólio sobre essa intermediação garantia grandes vantagens econômicas e poder político para esses grupos. Com o fim da necessidade de intermediação os modelos econômicos altamente centralizados e que garantiam enormes lucros fica ameaçado. Mas, o mais importante não é isso: a intermediação monopolista tem a capacidade de determinar o que interessa ou o que não interessa em ser noticiado/opinado/distribuído/vendido. O poder político garantido pelo monopólio da intermediação de informações, opiniões, cultura e saberes fazia – e ainda fazem, em certa medida – destes grupos verdadeiros ditadores do que deve ou não deve ser difundido e, portanto, do que deve o não ser pensado pelo restante da sociedade. Não é sem motivo que eles estão tentando espalhar pelo mundo uma onda vigilantista e de restrição das liberdade na Rede. Eles estão empenhados em manter o status quo e o poder da intermediação, ameaçado pela liberdade proporcionada pelas novas tecnologias.
| Imprimir artigo | Este artigo foi escrito por Antonio Arles em 6 de agosto de 2009 às 23:53, e está arquivado em Arlesophia. Siga quaisquer respostas a este artigo através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta ou fazer um trackback do seu próprio site. |





há 1 ano atrás
Oi, Antonio, Como eu tava por aqui, resolvi dar uma fuçada. Queria re-publicar o texto no blog liberdade, e se você aceitar, colocar este blog na lista chamada “Blogs Parceiros”. A idéia desta é linkar os blogs que andam pegando nas mãos essa responsa que é de falar daquilo que não é falado, da Confecom. A idéia é também fazer uma rede (agora tenho até medo de falar disso pra blogueiro, pois eles vêm desde o inicio me tratando como se isso fosse idéia do demo, sem ser sinceros comigo do porquê, quando eu sou sincera com a coisa na última). Rede, pra mim, significa o seguinte: Vamos supor que alguém visite o liberdadedeexpressao e não curta os textos, ou curta só o teu texto. O blog vai estar todo linkado (nos parceiros e no post) pra redirecionar o cara pro seu blog, por que pra mim o importante é acabar com esse cala-te da grande mídia sobre o tema, e por que todo o trabalho de divulgação da Confecom tem sido feito por voluntários sem grana, de forma artesanal, boca-a-boca, etc. Posso estar enganada, mas é essa a minha singela opinião da coisa.
Quem sugeriu o nome de “Blog Parceiro” pra isso foi o Daniel do amálgama, mas sinceramente, se vc não quiser ser chamado de parceiro, companheiro, amiguinho, eu mudo o título pra “Outros Blogs que Falam Sobre Confecom” e tá resolvido, não é?
há 1 ano atrás
Pode colocar Flávia. Não sei se você reparou, mas o Liberdade de Expressão já está aqui nos links (Ampliando Horizontes). Isso significa que o seu blog também está em uma agregador que mantenho e que distribui os links para os posts via Twitter e Identi.ca. Quanto à questão dos “blogs parceiros”, acredito que o pessoal rejeita pois, geralmente, este termo “parceria” é usado para a pática de troca de links. Fique a vontade para publicar qualquer texto aqui do Arlesophia…o Blog está sob uma licença Creative Commons e os posts podem ser compartilhado