Rede de comunicadores em apoio à reforma agrária

Os capangas do agronegócio - Por Latuff

Recebi do João Brant, do Intervozes, o seguinte manifesto e a convocatória para a reunião que ocorrerá na próxima quinta-feira, dia 11 de março, às 19h no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. Acredito que a iniciativa é extremamente importante. Por um lado trata-se da luta pela reforma agrária, uma luta estrutural na medida que a concentração de terras é uma das bases de nossas desigualdades. Por outro, esse tipo de iniciativa na área de comunicação se torna extremamente importante na organização de contrapontos ao discurso dos oligopólios midiáticos. Fiquem com o manifesto.

Dia 11 de março, às 19 horas, no auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, Rua Rego Freitas 530 – Sobreloja, reunião para montagem da “rede de comunicadores em apoio à reforma agrária e contra a criminalização dos movimentos sociais”. Participe!

Manifesto:

Denuncie a ofensiva dos setores conservadores contra a reforma agrária!

Está em curso uma ofensiva conservadora no Brasil contra a reforma agrária, e contra qualquer movimento que combata a desigualdade e a concentração de terra e renda. E você não precisa concordar com tudo que o MST faz para compreender o que está em jogo.

Uma campanha orquestrada foi iniciada por setores da chamada “grande imprensa brasileira” – associados a interesses de latifundiários, grileiros – e parcelas do Poder Judiciário. E chegou rapidamente ao Congresso Nacional, onde uma CPMI foi aberta com o objetivo de constranger aqueles que lutam pela reforma agrária.

A imagem de um trator a derrubar laranjais no interior paulista, numa fazenda grilada, roubada da União, correu o país no fim do ano passado, numa ofensiva organizada. Agricultores miseráveis foram presos, humilhados. Seriam os responsáveis pelo “grave atentado”. A polícia trabalhou rápido, produzindo um espetáculo que foi parar nas telas da TV e nas páginas dos jornais. O recado parece ser: quem defende reforma agrária é “bandido”, é “marginal”. Exemplo claro de “criminalização” dos movimentos sociais.

Quem comanda essa campanha tem dois objetivos: impedir que o governo federal estabeleça novos parâmetros para a reforma agrária (depois de três décadas, o governo planeja rever os “índices de produtividade” que ajudam a determinar quando uma fazenda pode ser desapropriada); e “provar” que os que derrubaram pés de laranja são responsáveis pela “violência no campo”.

Trata-se de grave distorção.

Comparando, seria como se, na África do Sul do Apartheid, um manifestante negro atirasse uma pedra contra a vitrine de uma loja onde só brancos podiam entrar. A mídia sul-africana iniciaria então uma campanha para provar que a fonte de toda a violência não era o regime racista, mas o pobre manifestante que atirou a pedra.

No Brasil, é nesse pé que estamos: a violência no campo não é resultado de injustiças históricas que fortaleceram o latifúndio, mas é causada por quem luta para reduzir essas injustiças. Não faz o menor sentido…

A violência no campo tem um nome: latifúndio. Mas isso você dificilmente vai ver na TV. A violência e a impunidade no campo podem ser traduzidas em números: mais de 1500 agricultores foram assassinados nos últimos 25 anos. Detalhe: levantamento da Comissão Pastoral da Terra (CPT) mostra que dois terços dos homicídios no campo nem chegam a ser investigados. Mandantes (normalmente grandes fazendeiros) e seus pistoleiros permanecem impunes.

Uma coisa é certa: a reforma agrária interessa ao Brasil. Interessa a todo o povo brasileiro, aos movimentos sociais do campo, aos trabalhadores rurais e ao MST. A reforma agrária interessa também aos que se envergonham com os acampamentos de lona na beira das estradas brasileiras: ali, vive gente expulsa da terra, sem um canto para plantar – nesse país imenso e rico, mas ainda dominado pelo latifúndio.

A reforma agrária interessa, ainda, a quem percebe que a violência urbana se explica – em parte – pelo deslocamento desorganizado de populações que são expulsas da terra e obrigadas a viver em condições medievais, nas periferias das grandes cidades.

Por isso, repetimos: independente de concordarmos ou não com determinadas ações daqueles que vivem anos e anos embaixo da lona preta na beira de estradas, estamos em um momento decisivo e precisamos defender a reforma agrária.

Se você é um democrata, talvez já tenha percebido que os ataques coordenados contra o MST fazem parte de uma ofensiva maior contra qualquer entidade ou cidadão que lutem por democracia e por um Brasil mais justo.

Se você pensa assim, compareça ao Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, no próximo dia 11 de março, e venha refletir com a gente:

- por que tanto ódio contra quem pede, simplesmente, que a terra seja dividida?

- como reagir a essa campanha infame no Congresso e na mídia?

- como travar a batalha da comunicação, para defender a reforma agrária no Brasil?

É o convite que fazemos a você.

Assinam:

- Altamiro Borges.

- Antonio Biondi.

- Antonio Martins.

- Bia Barbosa.

- Cristina Charão.

- Dênis de Moraes.

- Giuseppe Cocco.

- Hamilton Octavio de Souza.

- Igor Fuser.

- Joaquim Palhares.

- João Brant.

- João Franzin.

- Jonas Valente.

- Jorge Pereira Filho.

- José Arbex Jr.

- José Augusto Camargo.

- Laurindo Lalo Leal Filho

- Luiz Carlos Azenha.

- Renata Mielli.

- Renato Rovai.

- Rita Casaro.

- Rodrigo Savazoni.

- Rodrigo Vianna.

- Sérgio Gomes.

- Vânia Alves.

- Verena Glass.

- Vito Giannotti.

Importante: A proposta é que a rede de comunicadores em apoio à reforma agrária tenha caráter nacional. Esse evento de São Paulo é apenas o início deste processo. Promova lançamentos também em seu estado, participe e convide outros comunicadores para aderirem à rede.

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Lançamento do Mozilla Drumbeat

Por Marília Maciel, do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV/RJ

Iniciativa voltada para empreendedores da Internet terá lançamento mundial dia 18 de março, às 16h, no Rio de Janeiro

Mozilla Drumbeat (http://www.drumbeat.org) é a nova iniciativa da Mozilla cujo objetivo é identificar e criar redes de empreendedorismo voltadas para a concretização de boas ideias para melhorar a Internet – seja tornando-a mais segura, mais aberta e participativa ou, ainda, permitindo que as pessoas tenham melhor controle da sua privacidade.

O lançamento mundial do Mozilla Drumbeat acontecerá no Rio de Janeiro no dia 18 de março, quinta-feira, das 16h às 19h. O evento é uma parceria com o Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV e contará com a presença de Mark Surman, diretor-executivo da Mozilla, e Allen Gunn, fundador do Penguin Day.

O Drumbeat facilitará o encontro de pessoas e o fortalecimento de projetos que visem a expandir o potencial inovador da Internet. Dois eixos compõem sua implementação: uma plataforma online e a organização deencontros entre os interessados para que possam discutir seus projetos. A Mozilla participará ativamente dessa rede e ajudará a encontrar patrocínio e recursos para os melhores projetos Drumbeat, além de liderar seus próprios projetos na área.

O apoio da Fundação Mozilla pode consistir, ainda, em dar visibilidade aos projetos no site do Drumbeat, conectando-os com pessoas que tenham projetos semelhantes, ou auxiliar na estruturação do projeto para transformar as boas ideias em projetos reais. Tal apoio dependerá do grau de maturidade e do comprometimento de cada projeto com os princípios de abertura, inovação e neutralidade da Internet que guiam as atividades da Mozilla.

Qualquer pessoa ou organização pode participar, seja apresentando ideias ou projetos que promovam uma Internet ainda melhor. A iniciativa serve a todos aqueles que queiram empregar seu talento e criatividade para manter a rede aberta e participativa. Mais informações sobre o Mozilla Drumbeat podem ser encontradas na wiki do projeto, neste vídeo explicativo e no blog de Mark Surman, diretor executivo da Mozilla.

O Drumbeat também terá um evento de lançamento em São Paulo, na Casa de Cultura Digital, no dia 21 de março. Todos os interessados em organizar um evento Drumbeat em sua cidade podem acessar a wiki do projeto.

O quê? Lançamento do Mozilla Drumbeat

Quando? Dia 18 de março (quinta-feira) das 16 às 19h

Onde? FGV Direito Rio. Praia de Botafogo, 190

Inscrições limitadas: inscreva-se antecipadamente em: http://direitorio.fgv.br/inscricao-lancamento-mozilla-drumbeat

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Arlesophia de cara nova

La Casa de Anita /  Anita's House

Como vocês podem perceber, o Blog está de cara nova. Modifiquei o tema pois faz um ano que registrei o domínio arlesophia.com.br. Junto com a renovação do domínio resolvi modificar um pouco as coisas por aqui. A “inauguração oficial” do Blog só completa um ano no dia 12 de Abril, mas os testes começaram antes, junto com o registro do domínio.

Isso aqui é um blog de testes que acabou superando as minhas expectativas e tendo aproximadamente 20000 visitantes nestes doze meses. Grande parte deste “sucesso” foi ocasionado por uma “Falha” na ignição, acontecida em Dezembro de 2009. Enfim, a “Apolo I” decolou e não explodiu como estava previsto graças a resistência da “Voyager”, que foi impecável no pico de acessos.

Bem, mas como falei, fiz muitos testes esse ano com o blog e redes sociais correlatas. Não sou especialista em blogs e redes sociais e nunca tinha mexido com o Wordpress.org antes desta experiência, mas aprendi um pouquinho com as cabeçadas que dei por aí e com a ajuda de amigos valorosos. Este aprendizado eu quero compartilhar com vocês e, por isso, estou publicando a seguir alguns plugins WordPress que uso (ou já usei) no blog, seguidos de um breve resumo.

Akismet: Plugin importante para proteger seu blog de spams nos comentários. O plugin encaminha comentários “suspeitos” para uma pasta spam, onde você deverá verificar se aquele comentário suspeito deve ou não ser publicado. Para utilizar o plugin você deve ser uma conta no WordPress.com, pois para sua ativação é requerida a chave API desse sistema gratuito de gerenciamento de blogs.

All in One SEO Pack: Plugin para gerenciamento de tags e indexação, facilitando a indexação de seus posts por mecanismos de busca. A minha experiência com o plugin mostrou que ele melhora muito a visualização do blog em mecanismos de busca, notadamente no Google, ficando os posts melhor posicionados nos resultados das pesquisas.

Audio player: Insere um player de áudio quando você insere links para arquivos de áudio nos posts.

GD Star Rating: Insere um sistema de votação onde os usuários podem classificar os posts e comentários. O sistema de votação é parecido com o que podemos encontrar nos vídeos do Youube, onde os usuários classificam os vídeos através de estrelas.

Page Links To: Permite redirecionar posts e páginas para páginas externas. Quando ativado, ao clicar no link de um post ou de uma página o sistema encaminha o visitante para uma página externa determinada por você.

SI CAPTCHA Anti-Spam: Insere um código verificador nos comentários, onde o usuário deve digitar as letras disponíveis numa imagem em um campo disponibilizado no formulário de comentários para que este seja enviado. Esse plugin diminui muito o número de spams.

Sociable: Insere nos posts e páginas pequenos ícones que permitem o compartilhamento dos respectivos conteúdos através de uma série de redes sociais, sites, agregadores de conteúdos, e-mail e etc.

StatPress: Permite o acompanhamento em tempo real das estatísticas de visitação de seu blog. Permite também a colocação de um Widget revelando ao usuário dados como o seu endereço de IP, o sistema operacional utilizado por ele, o navegador utilizado no acesso e outros.

Viper’s Video Quicktags: Torna mais fácil inserir vídeos de diversos sistemas em seus posts.

WP-Cumulus: Permite a inserção de uma nuvem de tags animada nas barras laterais do seu blog.

WP to Twitter: Envia automaticamente para o Twitter os links de posts, páginas, lista de links, assim que você publica ou atualiza seu blog.

Bem, é isso. Qualquer erro que encontrar no novo tema do blog, por favor encaminhar um comentário. Desde já agradeço.

Atualizado:

Fiz algumas modificações no tema com as dicas que o Claudio, da comunidade PESBrasil, postou aqui nos comentários. Agora os posts recentes ficam destacados na parte de cima da página e comecei a utilizar o plugin “W3 Total Cache“, que torna o carregamento da página mais rápido. Muito obrigado Claudio! :)

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Fórum de Rua – Democracia e Liberdade de Expressão

Segue o convite virtual para o Fórum de Rua que será realizado no próximo dia 1º de Março, às 10:30 em frente ao Hotel Golden Tulip na Alameda Santos, 85.

Divulgue e compareça!!!

Convite virtual Fórum de Rua - pra divulgar!


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Viola Enluarada

A composição de Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle é uma das mais belas canções da MPB. Não há muito o que falar. É só ouvir. Seguem alguns vídeos com interpretações da canção por diferentes artistas.

Imagem de Amostra do You Tube Imagem de Amostra do You Tube Imagem de Amostra do You Tube Imagem de Amostra do You Tube
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Nota do Tribunal Popular em apoio ao III PNDH

Desde o anúncio do III Plano Nacional de Direitos Humanos – III PNDH, têm ocorrido furiosas e articuladas reações conservadoras ao seu conteúdo, inclusive desencadeando uma certa  “crise” no poder executivo federal.

É importante fazer um breve resgate, esclarecendo que tal documento se trata da revisão do I e II PNDH, que pouco foram efetivados. O III PNDH, têm legitimidade popular, tendo havido convocatória nacional para que os diversos setores da sociedade participassem da Conferência de Direitos Humanos em 2008, em âmbitos municipais, distrital e Estaduais, culminando na nacional em dezembro do mesmo ano, com o objetivo de revisar e atualizar o Plano então em vigor. Validando este processo, foi  reconhecido como documento legal, afirmado via  decreto.

A organização partiu do acúmulo das dez conferências já realizadas e, em especial quanto a não efetivação dos planos, bem como das deliberações das conferencias de políticas setoriais (Assistência social, saúde, cidades, etc) e de segmentos (mulher, criança e adolescente, idoso, pessoa com deficiência, etc),  e das legislações relativas a direitos humanos, a partir do consenso nacional sobre a universalidade, interdependência e indivisibilidade dos Direitos Humanos – postulados firmados em Viena em 1993 – a Conferência tem o desafio de tratar de forma integrada as múltiplas dimensões destes direitos.

O processo de debates estaduais e nacional de DH foi relativamente bem divulgado, mas é fato que, envolvendo segmentos historicamente vulneráveis, estes necessitavam de condições objetivas para tal participação. Assim, representaram a sociedade civil os que tiveram condições de se inserir nas conferências.

Neste sentido, como todo processo de debate, salientemos que ocorreram tensões e disputas, nas quais muitas propostas da sociedade civil não foram aprovadas. Neste sentido, o PNDH 3 já apresentou os resultados possíveis das diferentes posições dentre os representantes na Conferência Nacional, com todos os limites já criticamente apontados pelo Tribunal Popular.

Um importante aspecto que tem sido desconsiderado, é quanto a definição jurídica do PNDH 3, que diferente dos Planos anteriores, foi publicado por Decreto Presidencial, o que cria vinculação e exigência de cumprimento pelos órgãos da administração Pública Federal.

Lamentável que as forças conservadoras como os militares, os grandes latifundiários a mídia e a igreja conservadora estejam reagindo às decisões tomadas em um longo processo. Lembremos: foram onze conferências nacionais e a revisão dos dois planos de DH, atualizando-o.

O Brasil não pode ser recusar a garantir o direito à memória e à justiça, inclusive recusamos a possibilidade de serem criminalizados os cidadãos aguerridos que lutaram não por propósitos individuais, mas pela liberdade no país. Cedendo à pressão dos militares e do ministro Jobim, o recuo do governo Lula acaba de ser consolidado através do decreto presidencial, que cria o grupo de trabalho encarregado de formular um anteprojeto de lei para a criação da Comissão de Verdade, acatando argumentação indecente de militares e imprensa corporativa de um “tratamento igualitário” para torturadores e torturados em seus ataques ao PNDH 3

As heranças da ditadura militar estão vivas nos aparatos policiais e na seletividade da justiça penal: na banalização e naturalização da tortura como método de investigação, bem como nas execuções sumárias cometidas por agentes do Estado que, via de regra, quando excepcionalmente investigados, são arquivados pela Justiça. Ou seja, os agentes de Estado torturadores e assassinos de hoje espelham-se no exemplo do passado e na impunidade daqueles crimes. Em nome do Estado democrático de Direito a violência institucional é norma contra as populações das periferias e nas favelas. Portanto o escamoteamento da Justiça na proposta da Comissão de Verdade, votada na Conferência Nacional de Direitos Humanos, é um dano de enormes proporções. No entanto, mesmo que restringindo os seus trabalhos ao esclarecimento da verdade, essa comissão já seria um enorme avanço.

O Brasil não pode ficar ameaçado pelo poder da mídia, e sim estabelecer parâmetros para o controle social da sociedade sobre Estado. Neste país o Estado estruturou as condições para as empresas privadas terem alta lucratividade: empresas estatais e serviços essenciais como saúde, educação, habitação, estradas, comunicação foram privatizadas após muito investimento público, permitindo os lucros privados e a ausência de direitos protegidos.

Em alguns países, o controle social é concebido como o controle de todo o processo, desde a formulação, avaliação, monitoramento e deliberação sobre as ações do Estado. Aqui ainda nos conformamos com a dita “paridade” entre Governo e Sociedade Civil, quando temos total diferença de poder.

A criminalização da pobreza tem sido uma estratégia de mascarar as reais causas da violência e da desigualdade social, com diferentes expressões no campo e na cidade,mas com tolerância da sociedade quando se trata da violência institucional e contra a juventude negra. O ataque aos movimentos de luta social visa silenciar as contestações e as reivindicações por direitos.

O Brasil é um Estado Laico, mas há influência direta de questões de credo religioso nos rumos de suas decisões. A criminalização das mulheres que por diversas razões cometem o aborto, bem como a xenofobia, homofobia e lesbofobia são decorrentes da ausência de ações para efetivar o Estado Laico. Os espaços públicos em que se mantém símbolos religiosos são evidência desta situação. Há valorosas ações das instituições religiosas em favor do povo e por isso mesmo não se deve temer o Estado Laico, que permitirá a livre expressão sem que um seja oprimido pelo outro. Este é um princípio de direitos humanos.

O III PNDH exigirá amplos esforços para ser efetivado, pois exige mudança cultural e que o lucro e o poder se submetam ao desenvolvimento humano. As questões do trabalho e da terra são históricas. A criminalização da luta pela reforma agrária é outra evidência de que ações efetivas e ousadas são necessárias neste sentido. Neste conjunto estão o desenvolvimento urbano, a política ambiental, o desenvolvimento agrário e o respeito aos povos tradicionais. A exploração ambiciosa e inescrupulosa da terra do agronegócio tem gerado não apenas conflitos pontuais como tenta se expor, mas são questões afetas a direitos humanos,  geracionais estruturais* e de dominação formatada desde a colônia e nunca interrompida. Os gritos contra o direito à memória e à verdade sobre a ditadura são bons exemplos dos pilares que geram tanta desigualdade e violência no Brasil. Sob a distorção de que controle da sociedade sobre a mídia é censura, está se tentando manter uma mídia que não informa e mantém o povo na ignorância. Os ruralistas sempre se organizaram e estão como sempre defendendo sua posição.

Portanto, ao defendermos o III PNDH na sua íntegra o reconhecemos como construção democrática, mas com seus limites. A sua efetivação dependerá da organização do povo e da postura das autoridades que no uso suas atribuições garantam os princípios de Viena, visando que todos os direitos (sociais, econômicos, políticos, civis, ambientais, culturais) sejam garantidos, com políticas públicas (efetivadas com os princípios da gestão pública de transparência, eficiência, impessoalidade, moralidade, publicidade e legalidade) e universalidade. Direitos só para alguns é privilégio, exigindo-se mudanças estruturais. Afirma-se que o Brasil avançou, considerando-se o pouco tempo de “democracia”. Defendemos que justamente por pouca experiência democrática ela deve ser muito mais efetiva,  com ações ousadas e urgentes de ruptura com o passado autoritário e  opressor.

Se o governo recuar reproduzirá violência e autoritarismo contra este histórico de lutas do povo brasileiro. O Tribunal Popular entende o III PNDH como tático, mas reconhecendo a participação democrática nos limites existentes, afirmando a defesa deste Plano como um dos instrumentos para buscar a justiça social.

A nossa luta é:

Pelo fim de qualquer criminalização da pobreza!

Contra a Criminalização dos Movimentos de Lutas Sociais!

Em defesa da Verdade e da Memória! Em defesa da Comissão de Verdade e Justiça!

Em defesa de uma mídia democrática, plural e que respeite os Direitos Humanos!

Contra qualquer  tipo de discriminação!

Contra a xenofobia, lesbofobia, machismo, sexismo e homofobia!

Em defesa do direito das mulheres decidirem sobre seus corpos!

Em defesa da democratização e da função social da terra!

Em defesa da Soberania Popular!

*Direitos humanos geracionais e uma nova expressão política, que vem sendo definida junto ao debate dos direitos ambientais (plataforma DHESCA de 2002) e de gerações (a infância, adolescência, o envelhecimento são questões contemporâneas que exigem políticas públicas que as reconheçam como construção social. Até o século passado não se protegia a infância e nem se concebia adolescência. Atualmente defendemos que criança e adolescente são sujeitos de direitos em condição peculiar de desenvolvimento, que exige não apenas tutela jurídica, mas que avança na proteção política.

O envelhecimento hoje é tema das várias áreas de conhecimento, refletindo as demandas reais da vida. O Estatuto do Idoso vem nesta perspectiva, incluindo a responsabilidade do Estado em relação a idosos com deficiência. O envelhecimento deve ser baliza para a construção de políticas sociais e econômico-produtivas, exigindo adequação da política previdenciária e de assistência social, de desenvolvimento urbano – mobilidade, de habitação, acessibilidade, transportes, saúde,direito à sexualidade, segurança alimentar, lazer e cultura. Algo muito novo, por exemplo, é a defesa dos direitos da população LGBT idosa, que no caso dos idosos é ainda mais invisibilizada pela homofobia e heteronormatividade.

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Tirinha: Comissão da Verdade, por Latuff

Tirinha de Carlos Latuff, publicada originalmente no Jornal da Associação dos Servidores do PRODERJ

Tirinha: Comissão da Verdade -> Por Carlos Latuff

Comissão da Verdade, por Latuff

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Atentado contra trabalhadores rurais sem-terra no Paraná

O tenente-coronel aposentado da PM do Paraná, Waldir Copetti Neves, e jagunços dispararam contra famílias de trabalhadores rurais sem-terra na tarde deste Sábado (13) em Ponta Grossa (PR). Segundo informações, um jovem foi atingido no braço.

Copetti Neves foi preso em 2005 pela Polícia Federal que investiga a formação de milícias anti-MST e tráfico de armas. Em 2009 ele foi condenado a 18 anos e 8 meses de prisão além de um ano de detenção, 437 dias-multas e ainda deve perder o cargo de coronel da PM, por tráfico internacional de arma de fogo, exercício arbitrário das próprias razões, constrangimento ilegal, formação de quadrilha ou bando e também pelo artigo 12 da lei nº 6.368/1976 (que é fornecer maconha para que fosse “plantada” em um veículo de terceiro), como informa a Agência de Notícias do Estado do Paraná.

As informações sobre o novo atentado praticado por Copetti Neves foram divulgadas pelo Deputado Faderal Dr. Rosinha (PT-PR) no Twitter.

Atualização: Fotos tiradas no local revelam jagunços armados e um jovem sem-terra ferido no braço.

Foto revela capangas de Waldir Copetti Neves armados

Foto revela capangas de Waldir Copetti Neves armados (2)

Jovem sem-terra ferido no braço

Fotos via @michelprado

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